Informações
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Descrição e relevância do território
Na década de 1530 a região onde hoje se localiza caraíva era habitada por índios tupiniquins. O primeiro contato com brancos ocorreu nessa ocasião, quando o donatário da capitania de porto seguro, pêro de campos tourinho, mandou, a partir da vila de porto seguro, muitos colonos para o norte e para o sul, a fim de povoar e proteger o seu domínio. Esses portugueses encontraram muita dificuldade no cultivo em terras tropicais e passaram a viver basicamente da pesca. Poucos se fixaram no local, que permaneceu por dois séculos como um vilarejo, habitado sobretudo por índios. A falta de informações sobre fatos relevantes nos séculos xvii e xviii faz supor que, a exemplo de outras pequenas localidades da região, caraíva passou esse período sem grandes transformações. Pode-se ter uma noção clara a esse respeito por meio dos escritos do príncipe maximiliano de wied-neuwied, naturalista alemão, que percorreu parte do litoral brasileiro nos anos de 1815 a 1817 com o objetivo de catalogar espécies animais e vegetais, colhendo farta documentação para seus livros. Nessa viagem, em 1816, passou por caraíva, povoado na época conhecido como cramimuã, segundo a antiga denominação do rio. Relata o viajante que “não foi pequeno o espanto dos índios ante tão desusada e tardia visita de uma tropa carregada (burros de carga) a esse lugar solitário. Logo se juntaram em torno para conversar conosco, enquanto a nossa gente acendia a fogueira numa cabana isolada. Vivem eles de suas plantações, da pesca no rio e no mar, tirando da floresta estopa e embira, que vendem em porto seguro... Se bem tenham sido aí colocados pelo ouvidor com o fim expresso de ajudar os viajantes a passar o rio, não estão satisfeitos com o encargo, e vivem sobretudo nas suas roças situadas nos arredores. São fortes e robustos, mas tão indolentes que, com mau tempo, preferem ficar sem víveres nas cabanas que enfrentar qualquer dificuldade no trabalho. Os índios forneceram-nos algum peixe , também obtivemos uns bolos de farinha de mandioca, de que já tinham prontos uma porção.” os nativos mais velhos contam hoje que, no início do século xx, já desciam canoas pelo rio caraíva abarrotadas de mercadorias como piaçaba, farinha, banana, cachaça, cana, feijão, carne de gado, cacau e café. Estas provinham de muitas roças existentes rio acima, para abastecer várias cidades do litoral, de porto seguro a salvador. Nesse período funcionava em caraíva uma serraria, instalada na beira do rio, com máquinas e homens voltados para a extração e a preparação de madeira para a comercialização. As toras eram puxadas por bois até as margens do rio e a correnteza se encarregava de levar os putumujus, perobas, sucupiras, jacarandás e oiticicas para aquele local. A vila chegou à década de 1940 com uma boa infra-estrutura e comércio, havia ferreiro, mecânico, padaria, armazém, cartório, juiz de paz, estaleiro, telégrafo e abundância de alimentos. As terras não tinham proprietários e cada um cultivava a sua roça. Todos os meses, barcos vinham de salvador e aracaju e ancoravam no porto, para carregar andrade e arantes ltda – consultoria e projetos culturais página 2 de 5 tábuas produzidas na serraria. No estaleiro, a construção de barcos incluía alguns com capacidade para oito ou doze passageiros. Conta-se que em 1934 foi feito o lançamento do navio “monte pascoal”, com capacidade para transportar oito mil sacas de cacau, que seriam vendidas no rio de janeiro. O meio-dia de 26 de julho de 1948 tornou-se um marco histórico para caraíva. A caldeira da serraria explodiu em pleno funcionamento. Seu maquinista foi morto e as peças de ferro foram atiradas a grande distância. O rio ainda guarda algumas delas, como testemunhas da tragédia. Esse desastre, que segundo relatos teria paralisado para sempre aquelas atividades, trouxe graves conseqüências para a localidade, pois, além de seus trabalhadores que foram deixando caraíva com suas famílias em busca de emprego, muitas outras pessoas e serviços do povoado, que viviam voltados para esse empreendimento, perderam suas funções. Assim sendo, a atividade comercial foi decaindo e somente a produção agrícola e a artesanal garantiram a sobrevivência dos moradores que decidiram ficar. A partir de 1973, ano da conclusão da br-101, começam a surgir no povoado representantes de empresas de fora, com a missão de comprar terras, dando início ao processo de comercialização fundiária. Muitas terras cultiváveis, as chamadas roças, foram vendidas, parte a preços irrisórios, prejudicando a prática da lavoura. Em tais circunstâncias, acentuou-se a decadência do povoado. Em poucos anos cessou a produção de alimentos que, se antes eram exportados, a partir de então passaram a ser importados de porto seguro, tornando-se mais caros. Para completar o quadro de uma vida social em declínio, em 1979 o cartório foi transferido para porto seguro e o telégrafo desativado. Por outro lado, nesse mesmo final dos anos 70, teve início o fluxo turístico a caraíva. Em vista de seu enorme potencial, particularmente voltado ao ecoturismo, essa atividade tem se desenvolvido, dando novo caráter e novas funções ao povoado e aumentando os negócios imobiliários e o valor das terras. Assim foi sendo criada uma infra-estrutura turística básica que possibilitou, a partir dos anos 80, o desenvolvimento de uma economia baseada no turismo. Entretanto, esse boom turístico não planejado e dissociado da condição sociocultural do povoado vem acarretando problemas profundos para o distrito e a sociedade local. No final da década de 90 intensifica-se um novo tipo de turismo, envolvendo um público mais jovem. O fluxo turístico ainda é rarefeito, inclusive pela falta de eletricidade pública. A energia elétrica existente no povoado é produzida por placas solares ou geradores privados, e são restritos a pousadas, alguns estabelecimentos comerciais ou casas de veraneio.
Localização
Paisagem e meio ambiente
Praias estreitas que terminam em falésias , águas claras e limpas, caracterizam itaquena, barra do rio dos frades, setiquara, espelho e caraíva, que figuram entre as mais belas do made. Próximo à barra do rio caraíva, ocorrem banhados extensos que apresentam notável composição de fauna e flora. O manguezal de menor porte, quando comparado ao existente junto ao rio buranhém, apresenta maior presença de animais.

