Informações
Projetos relacionados
Descrição e relevância do território
4.1. População e Localização
População: 1. 437. 600 habitantes (ibge, estimativa 2009) área da unidade territorial: 1. 065 km². índice de desenvolvimento humano (idh) é de 0,81 pnud/2000 população urbana: 1. 272. 354 (ibge, 2000) população rural: 8. 260 (ibge, 2000) taxa de analfabetismo: % acima de 15 anos: 5,04 (ibge, 2000) localização da sede municipal: 01º27’20” de latitude sul e 48º30’15” de longitude a oeste. gentílico: belenense ano de instalação: 1616 distritos: sede municipal, icoaraci e mosqueiro limites ao norte – baía do marajó ao sul – município de acará a leste – municípios de ananindeua, santo antonio do tauá e santa bárbara do pará a oeste – baía do guajará e baía do marajó o município de belém está localizado na região nordeste do estado do pará, na confluência do rio guamá com a baía do guajará, que faz parte do sistema hídrico composto pela foz do rio tocantins, rio pará, baía de santo antonio e baía do marajó. o território do município é constituído de uma parte continental e de uma insular composta por cerca de 40 ilhas. com uma área de 1. 065 km2 (ibge 2000), belém está localizada na faixa equatorial conhecida como faixa de depressão da amazônia central, a aproximadamente 160 km da linha do equador. a cidade está a uma altitude de 11 metros acima do nível do mar e edificada, em grande parte, sobre uma ponta de terra compreendida entre a baía de guajará e o rio guamá. belém faz limites com a baía do marajó, baía do guajará, santo antonio do tauá, ananindeua, santa bárbara, marituba e acará a região metropolitana de belém, criada pela lei complementar nº 144, de 8 de junho de 1973, foi inicialmente constituída pelos municípios de belém e ananindeua. com as mudanças oriundas da constituição federal de 1988, passou a ser de competência dos estados a criação de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões. desta forma, através da lei complementar estadual nº 27, de 19 de outubro de 1995, a região metropolitana foi ampliada, passando a ser constituída pelos municípios de belém, ananindeua, marituba e benevides, acrescida do município de santa bárbara, em 1996. assim constituída, a região metropolitana de belém corresponde a uma área de 1. 827,7 km2 e abriga uma população de 1. 870. 003 habitantes (ibge/2000) fonte: ibge, censos de 1991 e 2000 e contagem da população 2009. atlas de desenvolvimento humano pnud/2000. sepof – estatísticas municipais – belém, 2008.
4.2. Paisagem Natural e Meio Ambiente
O clima de belém é quente e úmido com precipitação média anual alcançando os 2. 834 mm. a temperatura média é de 25o c em fevereiro e 26o c em novembro. conforme a classificação de koppen, que se baseia na distribuição anual da precipitação e nos valores da temperatura média mensal e anual, o clima de belém pode ser classificado como afi (correspondente ao clima tropical chuvoso sem estação seca), caracterizando-se por apresentar altas temperaturas (média anual de 26° c), ventos de pouca velocidade intercalados com momentos de calmaria, altos índices de umidade relativa do ar (em belém ela nunca é inferior a 80%) e precipitações abundantes (a média anual varia entre 2600 e 3200 milímetros). resumindo, o clima de belém é classificado como úmido, devido a sua localização geográfica (quase sobre a linha do equador, entre o mar e a floresta amazônica), sendo influenciado pela convergência intertropical, a qual provoca dois momentos climáticos: um que vai de dezembro a maio com chuvas abundantes, maior nebulosidade, menor insolação, menor ventilação e menor evaporação, outro que vai de junho a novembro, com menor pluviosidade, menor nebulosidade, maior insolação, maior ventilação e maior evaporação, resultando menor umidade relativa do ar” (1). no município a topografia é pouco variável e baixa, atingindo 25 metros na ilha de mosqueiro, ponto de altitude máxima. na área urbana da cidade de belém, grandes áreas estão abaixo da cota de 4 metros, sofrendo influência das marés altas e tendo dificuldade no escoamento nas águas da chuva. são as chamadas “baixadas de belém”. a caracterização dos solos de belém é dificultada em função dos numerosos aterros efetuados, com a utilização de um material composto basicamente por argilas orgânicas superficiais, que passa por um processo de transformação química lenta, dificultando o conhecimento exato das características e tipo de solo para a qual a mesma está convergindo. a partir de sondagens efetuadas por empresas de construção classificou-se o solo de belém como heterogêneo e extremamente errático, com estratigrafia definida somente em determinadas áreas. de acordo com dados do anuário estatístico de belém, de 1988, os solos do município apresentam as mesmas características dos solos da região bragantina, caracterizados pela presença de latossolo amarelo distrófico de textura média, concrecionários lateríticos indiscriminados de textura indiscriminada, gei eutrófico e distrófico, solos aluviais eutróficos e distróficos de texturas indiscriminadas. com relação aos recursos hídricos, o sistema hidrográfico de belém pode ser subdividido de acordo com a influência sofrida pelas diferentes bacias hidrográficas do município no que diz respeito ao rio guamá e a baía do guajará. a bacia hidrográfica do rio guamá é formada pelas micro-bacias dos rios: estrada nova, do tucunduba, do bosquinho, do murutucu, da água preta e do aurá. algumas localizam-se em áreas densamente povoadas causando sérios problemas de contaminação destas águas, utilizadas para o abastecimento público de belém. no que diz respeito às bacias sobre influência da baía do guajará podemos citar: do tamandaré, do comércio, do reduto, das armas, do una, de val-de-cães, do cajé, do tapanã, do paracuri e do maguari. a confluência da baía do guajará com a foz do rio guamá, faz com que os cursos d’água provenientes destas bacias permitam a penetração das marés provenientes tanto da baía quanto do rio, causando assim o surgimento de áreas alagadas denominadas de baixadas. os índices de contaminação das águas da baía de guajará já se apresentam bastantes comprometedores para sua utilização como recreação, pesca e indiretamente o abastecimento através da relação hidrodinâmica de suas águas com as do rio guamá, onde é feita a captação e posterior bombeamento para o lago água preta (2). as ilhas mais importantes são: grande, ilhinha, marinheiro, combu, patos, jararaca, uruboca, nova paquetá, jutuba, croinha, cotijuba, mosqueiro, caratateua, papagaio, camurau, conceição e maruim. a cobertura vegetal do município compõe-se de floresta secundária ou capoeiras que substituíram a antiga floresta densa dos baixos platôs, da qual testemunhos ainda são encontrados em mosqueiro, caratateua e áreas adjacentes. de acordo com o plano setorial de revitalização do centro histórico de belém, “a cidade de belém está situada em uma região compreendida por áreas consideradas altas e de baixadas, caracterizando as planícies de alagação. as áreas altas eram originalmente recobertas por vegetação de terra firme, cuja tipologia pode ser ainda observada em alguns pontos isolados da cidade, e com mais abundância em seus arredores. nessas áreas encontram-se grande parte das nascentes dos igarapés que drenam para o interior da cidade e deságuam na baía de guajará. nas baixadas pode-se verificar em alguns pontos resquícios da vegetação de várzea e matas de igapó, com sistema de drenagem bastante intenso e meandrado, conformando muitas vezes um conjunto de ilhas fluviais, como a região do mosqueiro. em terrenos de instituições públicas e federais, nos quais o acesso é dificultado para a população, a vegetação primitiva está mais preservada, podendo em algumas áreas apresentar seu aspecto original. os limites entre as matas de terra firme e as matas alagadas são bem definidos, sem transição, representados por um tipo de barranco. com a ocupação dessas áreas e o seu conseqüente desmatamento, esses contornos vão sendo erodidos e o material resultante carreado para o leito dos cursos d’água, intensificando os processos de assoreamento”(3). na área correspondente ao centro histórico de belém (constituída pelos bairros da cidade velha e da campina), nada mais resta da vegetação original. encontra-se alguma vegetação nas praças, sendo composta por espécies exóticas, principalmente mangueiras (mangifera indica), encontradas também em outros pontos da cidade. o anuário estatístico de belém (1988) alerta para a alteração da cobertura vegetal, observada utilizando-se imagens landsat - tm/ 1996, que era de 54,73%. a situação é considerada preocupante, considerando-se o tamanho do município, a velocidade do desmatamento, a crescente ocupação urbana e a dilapidação das florestas remanescentes, restando florestas pobres, com funções e estruturas alteradas (4). com relação ao aspecto ambiental, as unidades de conservação no município de belém são: parque ambiental de belém, criado pelo decreto n° 1. 552, de 03 de maio de 1993, com uma área de 1300 ha e com o objetivo de proteção sanitária dos lagos bolonha e água preta, que abastecem a população de belém, parque municipal da ilha do mosqueiro, criado pelo decreto n° 26. 138, de 11 de novembro de 1993, com uma área de 182 ha, com o objetivo de preservar a cobertura vegetal nativa da ilha do mosqueiro, área de proteção ambiental dos mananciais de abastecimento de água de belém, criada pelo decreto n° 1. 551, de 3 de maio de 1993, com uma área de 7500 ha e que tem como objetivo assegurar a potabilidade da água dos mananciais, através da recuperação e da manutenção da qualidade ambiental dos lagos água preta e bolonha, do rio aurá e respectivas bacias hidrográficas, parque ecológico do município de belém, criado pela lei n° 7. 539, de 19 de novembro de 1991, com uma área de 44 ha, com o objetivo de preservar os recursos naturais de belém. notas: (1) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 18. (2) idem. p. 17. (3) idem. p. 18. (4) anuário estatístico do município de belém. belém: segep, 1999. v. 5. p. 17.
4.3. Marcos Edificados
Nas primeiras décadas do século xvii belém inicia seu processo de urbanização, ganhando o traçado de suas primeiras ruas. em todo caso, a produção do patrimônio urbano e arquitetônico em belém se intensificou a partir da primeira metade do século xviii, incentivada pela riqueza gerada pela economia baseada na comercialização das chamadas “drogas do sertão”: cacau, baunilha, salsaparrilha, pimenta, cravo, canela, óleos vegetais e raízes aromáticas. a importância destes produtos para economia da amazônia era tão grande que eles eram usados como moeda. segundo ernesto cruz, com as “drogas do sertão” pagavam-se os impostos, os soldados das tropas e compravam-se escravos (1). somente em 1749 começou a circular na capitania o dinheiro em moedas de ouro, prata e cobre, substituindo as “drogas do sertão” como moeda corrente. em todo caso, foi com a riqueza produzida com estes produtos que surgiram as primeiras grandes construções arquitetônicas como o colégio dos jesuítas (igreja de santo alexandre) e a catedral da sé. em 1753 chega à cidade a comissão para demarcação de fronteiras, e entre os membros da expedição estava o italiano antônio josé landi, que se tornou o principal arquiteto da cidade colonial, e que projetou os edifícios mais importantes de belém no século xviii. nesse primeiro momento o arquiteto conclui obras que encontravam-se paralisadas na cidade, realizando modificações nas linhas originais, redesenhando fachadas e plantas, como no caso da igreja do carmo, das mercês e da sé, que estavam sendo executadas ou paralisadas, além de outros, como igreja de nossa senhora do rosário, igreja de santana e igreja de são joão batista. a presença de landi em belém “marcou, de forma indelével, a história da arquitetura de belém do século xviii, dando-lhe mesmo uma singularidade em relação as demais arquiteturas produzidas no brasil”. (2) na segunda metade do século xix e início do século xx, sob o impulso da riqueza produzida pela borracha, ocorreu outra renovação na estrutura edificada em belém. com o dinheiro acumulado com a borracha, belém passou por uma série de transformações em seu espaço urbano. construíram-se grandes palacetes, teatros, largas avenidas, boulevards, bosques e praças. fiel a esse projeto de embelezamento da cidade, o governo tratou de retirar do centro da cidade a população mais pobre. as casas populares e os cortiços que ficavam no centro da cidade foram demolidos e a população pobre foi expulsa para as periferias. a riqueza gerada com a borracha não era para todos. em belém, o principal sujeito dessa política foi o intendente (prefeito) antônio lemos, que administrou a cidade entre 1897 e 1911. através do jornal “a província do pará”, lemos procurava fazer a propaganda de sua política reformadora, contribuindo para inventar a idéia de que belém vivia uma “belle-époque” (bela época). acreditavam as elites que para se igualar a paris ou londres, belém tinha que possuir as instituições que fundamentavam o que seria uma cidade civilizada. foi nesse sentido que se construiu em belém o mercado de ferro de são brás, o asilo dom macedo costa, a caixa d’água de são brás, a basílica de nazaré, o teatro da paz, o cine olímpia, a praça da república, o mercado de ferro do ver-o-peso, etc. a plantação de mangueiras no centro de belém também foi feita nesse período (3). para a população mais pobre restava ver suas casas demolidas ou invadidas por policiais, seus rituais religiosos (de tradição afro-indígena) serem perseguidos e definidos como feitiçaria e seu comportamento controlado pelos códigos de postura. mas, da mesma forma que os seringueiros no meio da mata, a população pobre das cidades também criou e recriou suas estratégias de luta e “resistência”. enquanto referências espaciais e arquitetônicas em belém do pará destacam-se os seguintes marcos: igreja da sé, igreja de santo alexandre, igreja de santana, igreja do carmo, igreja das mercês, basílica de nazaré, colégio gentil, forte do castelo, palácio antonio lemos, palácio lauro sodré, praça do relógio, banco do brasil (agência presidente vargas), museu emílio goeldi, codem, estádio olímpico (mangueirão), teatro da paz, praça batista campos, praça da república, prédio da receita federal, universidade federal do pará (ufpa), universidade da amazônia (unama), bosque rodrigues alves, instituto de educação do pará (iep), mercado de são brás, monumento da cabanagem, prédio do o liberal (antigo), shopping castanheira, torre da rba e tv liberal. destes marcos edificados, os mais significativos são: catedral da sé: depois de duas construções precárias, a construção da nova catedral foi ordenada em 1730 por dom joão v. entretanto, sua pedra fundamental somente foi lançada em 1748, em área voltada para a igreja e colégio dos jesuítas. o arquiteto italiano antônio josé landi foi convocado para assumir as obras da igreja ao chegar em belém, em 1753, e encontrou-a em obras. a fachada já erguida até o entablamento, sendo de autoria do arquiteto, a parte superior desta, acima do entablamento, além de vários elementos no interior do edifício. o altar-mor original, de talha de madeira, que já não existe mais, foi substituído, no século xix, por outro de mármore que ainda permanece no local. a igreja foi concluída em 1771 e, já no século xix, durante o bispado de dom macedo costa, passou por uma reforma que lhe retirou o retábulo e os altares do transepto. oferta do papa pio xi, o novo retábulo elaborado em mármore pelo escultor italiano luca carimini, ao gosto neoclássico, veio de roma e foi concluído em 1822. a elaboração das pinturas de cavalete das capelas laterais couberam aos pintores italianos domenico de angelis, paulo descwanden (3. 1) giovani capranesi e sperindio aliverti. a catedral se caracteriza por uma mescla da arquitetura tardo barroca italiana, resquícios do período colonial e alguns elementos decorativos com ligeira influência do rococó. pertence à arquidiocese de belém e foi objeto de tombamento federal no ano de 1941. está localizada na praça frei caetano brandão, no bairro da cidade velha. é o ponto de partida do círio de nazaré. (4) igreja de santo alexandre: situada no lado norte da praça frei caetano brandão, a atual igreja de santo alexandre é a terceira edificação erguida no local. a primeira, construída de taipa e cobertura de telhas, foi inaugurada em 1653. a segunda edificação foi concluída em 1668 e, finalmente, em 1719, ocorreu a abertura dos trabalhos da edificação atual, consagrada a são francisco xavier. a igreja tem planta característica das construções jesuíticas, com apenas uma nave, ladeada por 4 capelas laterais de cada lado, sendo que as mais próximas da capela-mor são maiores, mais profundas e mais altas, marcando o transepto. a capela – mor é ornada por um retábulo entalhado na madeira, de estilo barroco, cujo douramento foi retirado. as paredes laterais são divididas com talhas em painéis, muito provavelmente destinados à pinturas de cavalete. são notáveis também, os púlpitos barrocos que ladeiam a nave, tanto pela dimensão quanto pela riqueza do trabalho de talha. também, nesse caso, já não existe o douramento. quanto ao aspecto exterior, a igreja segue o partido de composição compacta que caracteriza a ordem, entretanto, alguns elementos ganham dimensão fora da escala do conjunto. a grande voluta que se esparrama sobre as torres e a proporção atarracada destas são as características marcantes da fachada. o colégio surgiu juntamente com a igreja e seguiu o padrão adotado pelos inacianos de construir o colégio em continuação à igreja, mantendo o mesmo alinhamento frontal. no caso de santo alexandre, a igreja já foi construída com as duas torres, ficando o colégio justaposto a uma delas. a fachada, expressiva da arquitetura de origem lusitana, é composta por três ordens de abertura, sendo as do térreo com peitoris e as superiores com sacadas isoladas e gradil. o aspecto edifício do colégio, que se manteve parcialmente descaracterizado, sofreu intervenção recente realizada pela secretaria de estado da cultura-secult, com eliminação dos acréscimos espúrios e adequação do conjunto jesuíta para abrigar o museu de arte sacra. os edifícios da igreja e do antigo colégio são propriedades da arquidiocese de belém cedidos para o governo do estado/secult através de comodato. o conjunto jesuíta foi tombado pela união no ano de 1941. (5) em 1998, o conjunto formado pela igreja de santo alexandre e o antigo palácio episcopal passaram a funcionar como o museu de arte sacra do pará (mas), inaugurado em 28 de setembro de 1998. a obra integra o projeto feliz lusitânia, empreendido pelo governo do estado, através da secretaria executiva de cultura (secult), com o objetivo de restaurar o patrimônio pertencente ao primeiro sítio urbano da cidade de belém. fazem parte do projeto, ainda, um casario anexo à igreja de santo alexandre, o forte do castelo e a casa das onze janelas, marcos da colonização na amazônia. segundo a secult, a restauração do conjunto arquitetônico, foi iniciada em 1996, “mas a igreja, então fechada há 55 anos, sofrera várias intervenções para minimizar os efeitos do tempo sobre sua estrutura. a obra empreendida pela secult no arcebispado obedeceu a duas linhas básicas: uma, a retirada de todos os acréscimos que estavam em desacordo com as instalações originais do prédio, a segunda, a manutenção das alterações que se somavam à artisticidade do monumento. foram retirados forros, pisos, escadarias, carpetes e paredes de alvenaria coladas à fachada interna do palácio. para se chegar à fachada original, foram feitas várias prospecções e pesquisas. na igreja, o trabalho restaurativo foi feito sobre rebocos antigos que estavam soltos, pisos de madeira originais, telhado, pinturas artísticas e altares das capelas laterais à nave central. uma parede do templo foi propositalmente descascada para que ficasse exposta sua estrutura. o contemporâneo também se faz presente no conjunto restaurado através do mobiliário do auditório e da igreja, a escadaria de ferro do palácio episcopal, além de estruturas metálicas, vitrines e portas de vidro. a idéia foi não criar falsos históricos, na tentativa de substituir elementos que se perderam com o tempo. o conjunto possui uma iluminação especial em projeto assinado pelo light designer francês jean-françois hocquard. o equipamento utilizado é em fibra óptica, para evitar incidência de calor nas telas, imaginárias e pratarias. o museu é dotado de um sistema rigoroso de vigilância 24 horas, com circuito interno e externo de tv, alarmes de intrusão e detenção de incêndio, além de extintores e climatização com sistema central. o museu possui um acervo de 320 peças sacras, das quais 253 estão expostas. o palácio episcopal, onde funcionava a residência oficial do arcebispo de belém, cedeu lugar, na área térrea, à galeria fidanza, ao café do museu e à butique empório das artes (6). a igreja de santo alexandre está localizada na praça frei caetano brandão, no bairro da cidade velha. é nesta praça que, à época do círio de nazaré, realiza-se a exposição e venda dos brinquedos de miriti. tombamento: processo nº 235-t. inscrição nº 146, livro história, fls. 24. data: 03/01/1941. forte do castelo: foi a primeira construção de belém, representando o marco da fundação da cidade. foi erguido originalmente em madeira, em 1618, por ordem de francisco caldeira castelo branco, dois anos após a chegada da expedição. esse primeiro forte, que devido à data de saída da expedição do maranhão no dia 25 de dezembro levou o nome de presépio foi, mais tarde, substituído por outra construção de taipa, tendo sido reconstruído e alterado ao longo dos séculos. existem na fortificação atual elementos dos fortes dos séculos xvii, xviii e xix. em 1728, durante o governo de alexandre de sousa freire, a fortificação encontrava-se em ruínas, o que levou a corte a autorizar sua recuperação. esse trabalho foi entregue ao engenheiro de fortificações carlos varjão rolim e ganhou o nome de castelo do senhor santo cristo. entretanto, os serviços executados não apresentavam solidez suficiente, o que obrigou a constantes reparos do forte. em 1832, por ordem do ministério da guerra, o forte do castelo foi desarmado, posteriormente sendo palco de vários episódios da cabanagem. as obras de sua reconstrução só tiveram início em 1850, prolongando-se por muitos anos, concluindo-se, provavelmente, em 1868. destes serviços fizeram parte a construção da muralha de cantaria, que se incorporou ao forte como uma ampliação de seu recinto inicial que, entretanto, foi mantido, quartéis e uma ponte sobre o fosso. em 1876, o ministério da guerra mandou desarmar o forte para a instalação do arsenal de guerra. (7) foi objeto de tombamento federal em 1962. segundo a secretaria executiva de cultura do governo do estado, o forte do castelo deverá se tornar um espaço aberto para apresentações culturais: “depois da assinatura do contrato de alienação entre governo do estado e ministério do exército, vai abrigar o museu do forte (ou museu do homem da amazônia). ” (8) o forte do castelo fica localizado na praça frei caetano brandão, no bairro da cidade velha, próximo à catedral da sé, de onde sai a procissão principal do círio de nazaré. tombamento: processo nº 644-t. inscrição nº 353, livro história, fls. 58. data: 28/08/1962. praça do relógio a praça circundada por um casario eclético abriga, ao centro, um relógio montado sobre uma torre de ferro com 12 metros de altura, fabricado em 1911 pela walter macfarlane & co, empresa inglesa que fabricava construções metálicas. é ponto característico de belém e marco visual da cidade. integra o conjunto arquitetônico e paisagístico do ver-o-peso, tombado pela união e situa-se junto ao cais do ver-o-peso. é ponto de passagem da procissão do círio de nazaré. (9) prédio antigo do jornal “o liberal” até 1973, o prédio abrigava a redação e as oficinas do jornal folha do norte, quando, depois de enfrentar sucessivas crises, foi comprado pelo jornalista rômulo maiorana. muitos dos funcionários da folha do norte passaram a trabalhar no jornal o liberal, que passou a ocupar o prédio até recentemente, quando o parque gráfico foi transferido para novas instalações em outro bairro de belém. a rádio liberal ainda funciona no local. está situado na rua gaspar vianna e integra o conjunto arquitetônico e paisagístico do ver-o-peso, protegido por tombamento federal. (10) igreja de sant’ana: sua construção teve início em 1761, no bairro da campina, dedicada a sant’ana. à época, era bispo do grão- pará dom frei joão de são josé e queiroz. esta nova igreja foi criada com o objetivo de servir como matriz do referido bairro, transferindo-se para ela a irmandade do sacramento, estabelecida desde a criação da freguesia da campina na pequena ermida de nossa senhora do rosário dos homens pretos. os devotos de sant’ana puderam contar com a ajuda do presidente da província, que contribuiu com cinqüenta mil réis todos os meses durante o exercício de sua jurisdição (11) as linhas do templo que foram obra da inspiração genial do arquiteto italiano antonio josé landi, ilustre devoto de santa ana, que chegou à belém em 1753, seguem o estilo barroco tardio italiano. conforme relata augusto meira filho, “o admirável projeto de landi fixaria a planta do templo em forma de cruz grega, e a elevação máxima contaria com uma cúpula coroando a estrutura interna e externa da igreja. landi projetou e ergueu a matriz de santana sem as torres, ali adaptadas posteriormente” (12). o arquiteto italiano, além de seus desenhos, também contribuiu financeiramente com as despesas da obra, chegando a morar nas proximidades da igreja, de onde veio a denominação de “rua do landi”, atual padre prudêncio de moraes. posteriormente, foram feitas modificações que retiraram da igreja o aspecto exterior traçado por landi. em 1839, por exemplo, foram escondidas e mutiladas as duas colunas construídas lateralmente quando se introduziram duas torres laterais, sob o argumento de que tal composição estava mais de acordo com a tradição portuguesa. contudo, leandro tocantins classifica o trabalho desenvolvido por landi na igreja de sant’ana como o “mais intensamente italiano”, cuja originalidade está em sua arquitetura que foge inteiramente às tradições luso-brasileiras, com sua nave em forma de cruz grega, coberta de zimbório com
lanternas circulares, reproduzindo as igrejas venezianas do século dezoito (13). apesar das modificações feitas no exterior do templo, o interior se mantém mais fiel ao traçado de landi, com os ornamentos das paredes constituindo uma série de pilastras dóricas e colunas embutidas, em frente da capela-mor, embora este pareça desfigurado pela pintura marmorizada grosseira executada também nos oitocentos. vê-se ainda alguns entalhes barrocos nas portadas de arcos paladianos e no retábulo dos altares (14). ernesto cruz lembra que “na época faustosa do império, era a igreja de nossa senhora de sant’ana, a preferida para as solenidades religiosas, que precediam a posse dos presidentes da província” (15). nesta mesma igreja, supõe-se que, foi enterrado antônio josé landi. está localizada na rua padre prudêncio, 125, no bairro da campina. tombamento: processo: nº 434-t. inscrição nº 460, livro belas-artes, fls. 85. data: 23/01/1962. teatro da paz: o teatro da paz está localizado no local anteriormente conhecido como largo da pólvora, hoje praça da república. teve sua construção autorizada pelo presidente da província em 1863, e o assentamento da pedra fundamental ocorreu no dia 03 de março de 1869. a construção inicia-se em julho de 1869, incorporando várias modificações no projeto, feitas, provavelmente, pelo fiscal antônio calandrini chermont, as quais também foram objeto de controvérsias que resultaram em atraso na obra. o projeto inicial, elaborado por josé tibúrcio magalhães, foi alvo de pesadas críticas, tanto na escolha do projetista como no projeto propriamente dito, em relação ao qual eram apontadas as mais diversas falhas. alegava-se que o desenho feria a concepção clássica de arquitetura por trazer sete em vez de seis colunas frontais como recomendado pelos cânones do classicismo. essa, porém, foi apenas uma entre as inúmeras polêmicas em torno da obra, finalmente concluída em 1874, com as sete colunas originalmente previstas. inaugurado em 1878, somente nove anos mais tarde foram contratados os trabalhos de pintura e decoração da sala de espetáculos, com o artista italiano domenico de angelis e, em 1895, as pinturas do salão nobre, com o mesmo pintor. no início do século, durante o governo de augusto montenegro, foram empreendidas reformas que provocaram profundas modificações no teatro. essas reformas, executadas no ano de 1905 pelo engenheiro victor maria silva, alteraram a composição da fachada, recuando-se o pórtico e retirando-se uma das 7 colunas. internamente foram colocados novos elementos na decoração como revestimentos e foros, estátuas e lustres de cristal, já com luz elétrica. novas intervenções foram feitas no teatro em 1960, quando as pinturas do salão nobre, de autoria de de angelis, deterioradas pela umidade, foram refeitas pelo também italiano armando balloni. outra grande reforma ocorreu em 1975, quando foram executados serviços de infra-estrutura, isolamento acústico, instalação de ar condicionado e pintura externa na cor atual (16). existe uma certa controvérsia sobre a origem do nome do theatro nossa senhora da paz. uma versão argumenta que seria uma homenagem do presidente da província, josé bento da cunha e figueiredo, ao desempenho do exército brasileiro na guerra do paraguai (1864-1870). outra atribui o batismo ao bispo dom macedo costa, que ansiava pelo fim da guerra. na década de 1990, o teatro recebeu nova pintura e equipamentos de luz e som modernos, abrindo as portas novamente a companhias internacionais, como o ópera nacional de sófia, para encenação de fosca, de carlos gomes, e o ballet kirov (1998). no ano seguinte, foi encenada a ópera o escravo, de carlos gomes, pela ópera brasil do maranhão. em 1996, formou-se a orquestra sinfônica do theatro da paz, a primeira de sua história e a primeira do gênero na região norte. em 2000, o teatro da paz foi fechado para obras de restauro e manutenção, reabrindo no dia 20 de maio de 2002 com o festival de ópera theatro da paz. nas obras, o governo do estado gastou r$ 7,5 milhões para substituir as instalações elétricas e hidráulicas do prédio, modernizar todo o sistema de ar condicionado, reforçar as antigas estruturas de madeira, reformar e restaurar pisos, paredes, forros e telhado. tudo com a preocupação de resgatar as características originais da construção (17). ao lado deste teatro, no “bar do parque”, é realizada a controversa “festa da chiquita”, na véspera do círio. está localizado na avenida da paz, s/n, praça da república. tombamento: processo nº 671-t. inscrição nº 359, livro história, fls. 58. data: 21/06/1963. palácio antonio lemos conhecido como palacete azul, foi inaugurado em 15 de agosto de 1883, 23 anos após o assentamento de sua pedra fundamental. a autoria do projeto e da execução do palacete é atribuída a josé coelho da gama e abreu. em 1885 passou a sediar o paço municipal de belém, além de vários órgãos públicos. de gosto neoclássico, recebeu decoração eclética com motivos art noveau, durante a administração de antônio lemos (1897 – 1911), e que ainda hoje conserva. restaurado em 1994, passou a abrigar desde então a prefeitura municipal de belém e o museu de arte de belém (mabe). está localizado na praça dom pedro ii, s/n, cidade velha (18). tombamento: processo nº 315-t, inscrição nº 315, livro história, fls. 32, e inscrição nº 257, livro belas-artes, fls. 56. data: 07/07/1942. palácio lauro sodré construído em 1772, com o objetivo de sediar o governo estadual, o palácio lauro sodré tem projeto de autoria do arquiteto italiano antônio josé landi, em estilo barroco italiano tardio. sofreu reforma neoclassizante no século xix quando o beiral foi substituído por platibanda e foram inseridas estatuetas sobre o frontão da fachada e sacada corrida, além de marquise de ferro no corpo central. das várias intervenções sofridas pelo edifício ao longo do tempo, a de maior vulto foi aquela realizada durante o governo de augusto montenegro (1901 – 1908), favorecida pelos recursos oriundos da extração da borracha. essa intervenção atingiu não apenas a estrutura do edifício, mas também a decoração interior que recebeu novos materiais e ornamentos. durante o século xx o palácio sofreu várias reformas descaracterizadoras, responsáveis pela supressão da capela e pela ocupação do jardim central. nesse mesmo século, outra intervenção, de cunho restaurativo, restituiu ao monumento os ambientes que haviam sido drasticamente adulterados. (20) o palácio lauro sodré foi palco do movimento da cabanagem, quando foi invadido e transformado em sede do movimento durante um ano. era do palácio lauro sodré que saía a procissão do círio entre 1793 e 1882, data em que passou a sair da catedral da sé. atualmente abriga o museu do estado do pará (mep), vinculado à secretaria de estado da cultura está localizado na praça dom pedro ii, s/n, cidade velha (21). tombamento: processo nº 841-t, inscrição nº 449, livro história, fls. 74, e inscrição nº 518, livro belas- artes, fls. 94. data: 20/08/1974. basílica de nazaré plácido construiu uma palhoça em 1700, logo transformada em centro de devoção. em 1721, quando o primeiro bispo do pará, dom bartolomeu do pilar, visitou a ermida construída por plácido, soube que o devoto antônio agostinho poderia ajudá-lo a erguer uma nova capela. entre 1730 a 1774, antônio agostinho conseguiu construir uma ermida, de onde saiu o primeiro círio. em 11 de outubro de 1861, é criada canonicamente a paróquia de nossa senhora de nazaré. no período de 1852 a 1881, surgiu a matriz de alvenaria, que hoje, modificada, funciona como barraca da santa e casa dos padres. em 21 de março de 1903, chegaram a belém os padres barnabitas, sendo que, em 3 de fevereiro de 1905, passaram a administrar a igreja de nazaré. em 1908 chegou ao pará o padre luiz zoia, visitador dos barnabitas, que propôs como planta geral uma reprodução em escala menor da basílica de são paulo em roma. padre luiz zoia, auxiliado pelos arquitetos gino coppede e pedrasso de gênova, tratou dos esboços e desenhos. na parte de decoração, teve o apoio do professor grolla e depois do engenheiro tiago bolla e dos técnicos da marmífera ligure. em 24 de outubro de 1909, foi colocada a pedra fundamental da basílica por dom santino coutinho, arcebispo do pará. estavam presentes o governador augusto montenegro, o prefeito antônio lemos e demais autoridades, sendo vigário o padre emílio richert. em 1916 estavam concluídos a cripta, as paredes e o telhado, além da torre. em 19 de junho de 1923, o templo recebeu de roma o título de basílica. em 15 de agosto de 1923, é inaugurado o altar-mor, celebrando o padre afonso di giorgio suas bodas de prata sacerdotais. foi do padre afonso di giorgio a responsabilidade pela conclusão dos vitrais, dos forros, dos mosaicos, das estátuas, dos altares, dos estofamentos, da fachada, das portas de bronze e dos outros adornos. metade da basílica está assentada sobre uma cripta, exigida para a elevação do terreno para proteção contra a umidade. as linhas arquitetônicas da igreja seguem o estilo da basílica romana, bem como a decoração interna e a externa. o frontão triangular apresenta grande painel feito em mosaicos pela firma gianese de veneza, onde a imagem de nossa senhora de nazaré aparece em meio do cenário amazônico, sendo notadas, no canto direito, as figuras do fundador da cidade e personalidades de eras antigas, junto às do prefeito e governador da época da inauguração. na ábside, limitada por um arco romano, temos uma faixa em mosaico de ouro de um metro de altura entre folhas e flores onde aparecem 7 brasões: pio xi (no centro), brasil, pará, belém, barnabitas (pta), dom santino coutinho (1º bispo do pará) e bispo dom irineu jofilly. a basílica tem 5 naves, 62 metros de comprimento, 24 metros de largura e 20 metros de altura, 2 torres com 42 metros de altura, 32 colunas de granito maciço, 54 vitrais (da firma champigneulle de paris), 38 medalhões em mosaico de 1,5 metro de diâmetro, 19 estátuas do mais puro mármore de carrara, 2 candelabros de bronze (vindos de milão), 24 lampadários venezianas, 9 sinos eletrônicos e 1 órgão com três teclados e 1100 tubos. altares: lado direito de quem entra: 1) altar dos santos: lázaro, basileu, judas, sebastião e marcos, 2) são miguel arcanjo, 3) santo antônio, 4) santo antônio maria zacarias, 5) nossa senhora do brasil (fundos). lado esquerdo de quem entra: 1) altar das santas: tereza, luzia, filomena, catarina e rita, 2) santa terezinha, 3) são josé, 4) nossa senhora das dores, 5) sagrado coração de jesus (fundos). centro: altar-mor capela dos restos mortais do padre afonso di giorgio, lado direito de quem entra. batistério, lado esquerdo de quem entra. as principais passagens da vida de nossa senhora, inclusive aparições, encontram-se em uma coleção de 38 medalhões em mosaicos redondos que dão a volta na igreja. e, para completar a história do círio, em 1o vitrais laterais, contando desde o inicio da devoção em portugal até o círio do pará: 1º monge abade romano - doação da diretoria da festa (1919), 2º dom fuas roupinho - doação do banco ultramarino (1919), 3º plácido encontra a imagem - doação da diretoria da festa (1919), 4º a cabana de plácido - doação da família dacier lobato, 5º a ermida de antônio agostinho - doação do dr. osvaldo barbosa, 6º a igreja de taipa - doação da família dacier lobato, 7º o 1º círio - doação de albino fonseca, 8º milagre do barco - doação da família pombo, 9º matriz em alvenaria - doação do cel. porphyrio miranda, 10º o círio com a berlinda - doação de miranda lobato e dubec lobato de miranda as linhas arquitetônicas convergem para a capela-mor. aqui se impõe a massa compacta do altar do santíssimo sacramento, em contraluz, a glória e os dois anjos em mármore de estilo barroco, um conjunto de 12 toneladas para emoldurar a pequenina estátua de nossa senhora. a glória, entalhada em mármore de carrara, é obra do escultor italiano antônio bozzano e de seu filho augusto. cada altar, cada vitral, cada mosaico, cada estátua, cada arco leva o nome do devoto ou da família que lhe patrocinou. as portas principais foram confeccionadas em bronze pela metalúrgica éberle. em detalhes de alto-relevo a rainha dos profetas e a rainha da paz. possui lampadário veneziano de estilo romântico. o batistério é uma jóia da arquitetura renascentista. dois púlpitos semi-hexagonais em mármore com painéis de mosaicos reluzentes foram instalados em 1949 e removidos em julho de 1999, em meio a grande polêmica travada pelos jornais entre a igreja e os paroquianos. em 13 de agosto de 1999 houve a reabertura da basílica sem os púlpitos e com o novo presbitério. teto em cedro vermelho, em caixote,obra de artista paraense, onde se destaca o brasão das armas dos padres barnabitas. sinos: dos 9 sinos existentes na basílica, o maior deles fica na torre à direita, pesa 2,8 toneladas e tem 1,80 metro de diâmetro. os demais ficam na torre da esquerda. cada sino tem a imagem e o nome de padroeiro para cada nota musical: lá - são josé / mi - sagrado coração / ré - lmaculada conceição / fá - são miguel / sol - são gabriel / si - são joaquim / dó - sant'ana / ré - santa rosa de lima / ré - santa isabel. é o conjunto de sinos mais antigo e completo do país, movimentados através de um console. nos anos 60, o vigário padre miguel giambelli transformou os sinos da basílica nos primeiros sinos eletrônicos do brasil. em 1992 a basílica foi colocada entre as mais belas construções tombadas pelo patrimônio histórico do estado do pará. (21) igreja do carmo sua construção data do início do século xvii (1627), quando a ordem dos carmelitas calçados se estabeleceu no pará e deu início à construção de um convento que foi o primeiro da capitania. foi reconstruída por volta de 1760, a partir do projeto do arquiteto antonio landi que, entretanto, foi executado apenas parcialmente, mantendo-se a capela-mor, o retábulo barroco e o altar com frontal de prata. os retábulos da nave e do transepto e os púlpitos da nave foram desenhados por landi. (22). apresenta o estilo barroco tardio italiano, característico do arquiteto na planta da igreja e na decoração da nave e transeptos. a fachada de pedra de lioz, trazida de portugal para ser adossada ao corpo do edifício (1756/1757) é mantida até hoje. anexada a lateral direita da igreja do carmo está a capela da ordem terceira do carmo, cujo traçado e decoração são também atribuídos ao arquiteto italiano, embora até então não haja documento comprobatório de tal autoria. a capela guarda uma bela coleção de esculturas sacras barrocas, alusivas aos passos da paixão de cristo. (23) localização: praça do carmo, 72 - cidade velha. mercado de são brás: o mercado municipal de são brás, cujo projeto é de autoria do arquiteto italiano felinto santoro foi inaugurado em 1911, tem estilo eclético com presença de elementos do neoclássico e do art nouveau. na década de oitenta do século xx sofreu intervenção com mudança impositiva do uso da função de mercado para centro de cultura e artesanato, que não foi bem assimilada pela população, o que ocasionou a subtilização do edifício. passou mais de dez anos nessa situação. sem receber ações de manutenção adequada entrou em processo de decadência e deterioração física. sofreu intervenção da prefeitura entre 1995/1998 transformando-se num centro comercial popular, numa tentativa de aquecer a economia e a geração de emprego e renda. o comércio ambulante que havia no entorno do mercado foi remanejado para o interior do edifício em pequenos boxes. o prédio conta com um estacionamento para 45 carros, um posto de informações turísticas, um posto de venda de material escolar e um posto da guarda municipal. no local funciona, também, um bar e um restaurante que são gerenciados por uma cooperativa de famílias do programa bolsa-escola da prefeitura de belém. memorial da cabanagem: projetado pelo arquiteto oscar niemeyer e inaugurado aos 7 de janeiro de 1985, data de aniversário da cabanagem - movimento popular revolucionário que marcou profundamente a história do pará. originalmente, o conjunto era composto por um monumento, representando o “caminho da história apontando para o infinito”, e sua ruptura. um museu que continha cinco criptas onde se encontravam os restos mortais dos principais líderes revolucionários cabanos e ainda documentos históricos relacionados ao movimento. atualmente encontra-se
completamente abandonado e invadido por moradores de rua. é de propriedade do governo do estado e está localizado na br 316 - km 0 – entroncamento. museu emílio goeldi: constituído por um parque que ocupa uma quadra urbana, onde se distribuem algumas edificações administrativas, de pesquisa, de exposições, auditório, biblioteca, jaulas e lagos para os animais. foi fundado no século xix pelo naturalista domingos soares ferreira pena. iniciou como associação filomática, que tinha o objetivo de criar um museu paraense. hoje é um órgão de projeção científica reconhecido mundialmente. o nome é uma homenagem ao naturalista suíço emílio goeldi que administrou o museu por vários anos, desenvolvendo e dinamizando o órgão. o museu se destaca pelo trabalho de pesquisa fundamental na amazônia legal, nos campos da antropologia, arqueologia, botânica, zoologia e geociências. o emílio goeldi possui ainda uma biblioteca que reúne, atualmente, um acervo de mais de 140 mil documentos de valor inestimável, tanto histórico como científico e mantém também uma exposição permanente de cerâmica tapajônica e marajoara. está localizado na avenida magalhães barata e está aberto à visitação pública de terça- feira até sábado pela manhã. não funciona no sábado à tarde, mas reabre as portas no domingo. as instalações são do governo estadual, mas o museu é gerido pelo conselho nacional de pesquisas – cnpq, através de convênio com o estado. localização – avenida magalhães barata nº 376, são braz. bosque rodrigues alves: o bosque rodrigues alves, hoje reconhecido como jardim botânico, foi idealizado por josé coelho da gama abreu, barão de marajó, geógrafo da amazônia, presidente da província do pará de 1879 a 1881 e intendente de belém de 1879 a 1894. foi criado no bairro do marco da l'égua em 25 de agosto de 1883 por proposta de joão clemente malcher, presidente da câmara municipal e foi denominado "bosque municipal". o senador antonio lemos, intendente de belém, já em 1900, iniciou trabalhos de reforma e recuperação, realizando obras como o monumento aos intendentes municipais, grande cascata, ruína do castelo, quiosque chinês, mictório público, cabana de ceci e peri, gruta encantada, lagos artificiais e estátuas dos legendários guardiões da floresta mapinguari e curupira. nesse período, o bosque ficou fechado à população. em 27 de setembro de 1903, foi novamente entregue à visitação pública. somente em 12 de dezembro de 1906, por resolução do intendente antonio lemos, recebeu o nome de "bosque rodrigues alves". o bosque em outros períodos foi beneficiado com novos trabalhos de reforma e recuperação, ficando aberto à visitação pública a partir de 12 de janeiro de 1996, como parte das comemorações do 380º aniversário de belém. localização: avenida almirante barroso, nº 2453, marco. torre da rba: a rede brasil amazônia de comunicação (rba) foi fundada em 1989 e é uma emissora filiada a rede bandeirantes. a rba é composta por duas rádios fm (diário e 99 fm), uma am (rádio clube), além de uma emissora de televisão (rba). suas instalações modernas são coroadas por uma imensa torre, a qual marcou, de forma definitiva a paisagem de belém. na passagem do ano há queima de fogos do alto da torre que, devido à planificação da cidade pode ser vista de vários bairros. fica localizada na avenida almirante barroso, em frente ao bosque rodrigues alves, bairro do marco (24). colégio gentil: a história do colégio gentil está ligada ao antigo orfanato recolhimento das educandas, fundado aos 10 de junho de 1804, por iniciativa do 7º bispo do pará, dom manuel de almeida carvalho. em 1851, o presidente da província fausto augusto de aguiar, promulgou a lei nº. 285 de dois de novembro do mesmo ano, dando ao governo da província toda a responsabilidade da manutenção do recolhimento das educandas, que passou a denominar-se colégio nossa senhora do amparo, com o fim de recolher e educar meninas “desvalidas”. em 1865 o presidente da província dr. josé paes de carvalho decretou a mudança da denominação de colégio nossa senhora do amparo para o de instituto gentil bittencourt, em homenagem ao dr. gentil augusto de morais bittencourt, vice-governador. (o boletim informativo do colégio gentil indica que esta mudança de nome ocorreu em 1865) (25). em 1905, o prédio do colégio passou por uma reforma, promulgada pelo dr. augusto montenegro, governador do estado do pará. no mesmo ano, o governador dirigiu-se a sor ana pierina della valle, provincial do brasil, pedindo as filhas de sant’ana para a direção do instituto, o que foi aceito pela madre geral. através do decreto 1405, o governador entregou a administração interna do instituto a congregação das filhas de sant’ana. a 26 de junho de 1906, inaugurou-se solenemente o edifício do colégio gentil bittencourt. em 1958, as educandas pobres do colégio gentil foram transferidas para o orfanato antonio lemos, no município de santa isabel do pará. a partir de 1972, o colégio gentil passou a ser misto, pois até então a educação ministrada era exclusividade das meninas. atualmente, o colégio gentil possui cerca de dois mil alunos, que são distribuídos entre educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e preparatório para as escolas militares. o prédio é mantido pela renda do próprio colégio (26). à época do círio, o colégio gentil ganha ainda mais relevância, haja vista que é para lá que converge a romaria dos motoqueiros conduzindo a imagem de nossa senhora de nazaré, no sábado que antecede a procissão principal do círio. no início da noite, depois de celebrada uma missa na frente do colégio, a imagem sai em trasladação em direção à catedral da sé. o colégio também abriga uma imagem que saía na procissão principal do círio antes da imagem atual. o fato da imagem peregrina sair da capela do colégio gentil para a procissão da trasladação, assim com o fato de ser novamente conduzida para lá pela procissão do recírio, faz o imaginário popular acreditar que é ali que a santa permanecerá até o círio do próximo ano. entretanto, alguns dias depois do recírio ela será recolhida à basílica. notas: (1) cruz, ernesto. história do pará. belém: governo do estado do pará, 1973. p. 69. (2) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 39. (3) a respeito do período da borracha na amazônia, conferir figueiredo, aldrin moura de. no tempo dos seringais: o cotidiano e a sociedade da borracha. são paulo: atual, 1997. 3. 1. mello junior, donato de. antõnio josé landi arquiteto de belém. belém, governo do estado do pará, 1973, p. 33-45 (4) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 48-49. (5) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 46-48. (6). governo do estado do pará. secretaria executiva de cultura / coordenadoria de comunicação social. (7) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 50. (8) governo do estado do pará. secretaria executiva de cultura / coordenadoria de comunicação social. (9) encontre e compre. lista telefônica e informações comerciais. belém: listel, 2002. p. 13. (10) pereira, joão carlos (org. ). memória da televisão paraense e os 25 anos da tv liberal. belém: secult, organizações rômulo maiorana, 2002. (11) baena, antonio ladislau monteiro. compêndio das eras da província do pará. belém: ufpa, 1969. p. 174. (12) meira filho, augusto. evolução histórica de belém do grão-pará. belém: grafisa, 1976. vol. 2, p. 625. (13) tocantins, leandro. santa maria de belém do grão-pará. : belo horizonte: itatiaia, 1987. p. 244- 246. (14) tocantins, leandro. santa maria de belém do grão-pará. belo horizonte: itatiaia, 1987. p. 247. (15) cruz, ernesto. igrejas de belém. belém: imprensa oficial, 1953. p. 63. (16) unesco/prefeitura de belém. ver belém, plano de revitalização do centro histórico de belém. p. 54. (17) governo do estado do pará. secretaria executiva de cultura / coordenadoria de comunicação social. (18) encontre e compre. lista telefônica e informações comerciais. belém: listel, 2002. p. 10. (19) encontre e compre. lista telefônica e informações comerciais. belém: listel, 2002. p. 10. (20) trindade, elna. palácio de landi crítica da matéria e forma. belém, 2002, mimeo, p. 7 e 8. (21) círio de nazaré, belém do pará. informações úteis e importantes. belém: diretoria da festa de nazaré, 2000. (22) mendonça, isabel in landi em belém, folheto produzido pela 2ªsr/iphan sobre a obra de landi na cidade de belém, belém, 2000 (23) mendonça, isabel in landi em belém, folheto produzido pela 2ªsr/iphan sobre a obra de landi na cidade de belém, belém, 2000 (24). informações fornecidas por sandra monteiro, secretária da diretoria da rba, ao pesquisador márcio couto henrique. (25) cardoso, firmo. evolução da escola primária no pará i, ii, iii. in: annuário de belém. em commemoração do seu tricentenário (1616-1916). belém: 1915. p. 47. para outras informações sobre o colégio gentil conferir as páginas 58 e 70 deste mesmo volume. um pouco sobre a história do colégio pode ser encontrado em cruz, ernesto. história do pará. belém: governo do estado do pará, 1973. p. 366-367. a placa comemorativa está afixada na entrada principal do colégio gentil e se intitula “fatos e datas memoráveis do instituto gentil bittencourt, 1804 – 1906”. o boletim informativo é o do ano de 2002. (26) os dados atuais do colégio gentil foram fornecidos em entrevista pelas senhoras ana clemens melo, relações públicas do colégio gentil e lucidéa picanço da costa silva, supervisora do colégio gentil. belém, doze de setembro de 2002. fonte: inrc/círio de nossa senhora de nazaré

