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Categoria de bem cultural
Descrição
características gerais
com uma area territorial de 467,8 hectares, o bairro do recife antigo,desde os anos 1990, é considerado um lugar de
intensas atividades culturais. o bairro caracteriza-se na contemporaneidade como um espaço de confluência cultural,
que possui fronteiras simbólicas, demarcadas a partir do uso que seus frequentadores fazem das suas ruas, praças e
largos. dessa forma, as intervenções públicas que esse bairro sofreu materializaram fronteiras entre os lugares,
sobretudo durante a noite, onde ocorrem as festas, e as identidades dos grupos emergem. o bairro do recife é um
espaço público, que se mantém com investimentos da prefeitura da cidade do recife e governo do estado. dentre os
espaços ocupados com atividades culturais no bairro do recife, destacamos os que mantém uma maior relação com
os maracatus nação:
a praça do arsenal da marinha. neste espaço a prefeitura monta um polo carnavalesco, onde, desde o ano de 2010, é
realizada a prévia da noite dos tambores silenciosos. participam do evento cerca de 16 nações de maracatu. os
maracatus concentram-se na av. rio branco, em frente ao banco do brasil, por volta das 16h, e seguem em cortejo
por algumas ruas do bairro para a praça do arsenal da marinha, onde está localizado o palco, no qual todas as nações
desfilam uma após a outra. participam da prévia da noite dos tambores silenciosos os grupos que não vão participar
do show de abertura do carnaval. foi um evento negociado pela amanpe com os organizadores do carnaval no
momento em que se decidiu diminuir o número de maracatus que participavam do show de abertura do carnaval, como
compensação financeira e simbólica para os grupos que não mais participariam do show e também para os grupos que
nunca tinham participado. (ver mapa no item 8).
na praça do marco zero é realizada a abertura do carnaval do recife,sempre na sexta-feira. no dia do evento, os
maracatus concentram-se na rua da moeda, seguem pela avenida marquês de olinda até o marco zero trata-se de
uma celebração de abertura oficial do carnaval da cidade do recife, momento em o prefeito passa a chave da cidade
ao rei momo. esse modelo de celebração de abertura teve início no carnaval de 2002, quando a prefeitura da cidade
do recife com auxílio do núcleo afro instauram o modelo de carnaval denominado “carnaval multicultural do recife”.
nessa celebração diversas nações de maracatu se reúnem em frente a um grande palco erguido no marco zero onde
se encontra o renomado percussionista, naná vasconcelos, que com o auxílio dos mestres de batuque rege os
maracatus nação juntos. o número de maracatus tem variado ao longo destes anos, mas o evento congrega os
maiores e mais conhecidos grupos de maracatus, que participam do grupo especial e alguns do primeiro grupo no
desfile das agremiações carnavalescas. ele ainda divide o palco com o grupo vocal voz nagô, artistas locais ou
nacionais e também com algumas personagens das cortes dos maracatus nação (geralmente rainhas, reis, damas do
paço ou pais e mães de santo) além de alguns batuqueiros. no início da celebração, as nações se aproximam do
marco zero e se posicionam uma ao lado da outra, de frente para o palco. com a saída dos maracatus o espetáculo
continua com apresentações de mais artistas locais e nacionais. estes artistas variam de ano a ano, mas a presença
de naná vasconcelos e de diversas nações de maracatu é constante (sendo que a quantidade de maracatus nação
que participam da celebração pode variar). esta celebração tem sido marcada por polêmicas em relação a
homogeneização dos baques das nações de maracatu quando regidas por naná vasconcelos. além da questão da
suposta falta de espaço para que as nações mostrem suas particularidades, existe também insatisfação por parte dos
maracatuzeiros em relação à qualidade do baque, prejudicada não só por conta da adaptação dos batuqueiros às
convenções criadas por naná, como também por conta da quantidade de batuqueiros. (ver mapa no item 8).
na rua mariz e barros é realizado, nas noites de sextas-feiras, o evento traga a vasilha. o evento congrega um
agrupamento de batuqueiros oriundos de diferentes maracatus-nação e grupos percussivos .qualquer pessoa pode
trazer seu instrumento ou mesmo tomar emprestado de alguém e participar da despretensiosa batucada. não se exige
nenhum tipo de qualificação técnica para entrar no batuque, bastando conseguir um instrumento. o evento aglomera
esses batuqueiros e também curiosos que assistem à batucada, dançando e cantando. o início da celebração se deu
no ano 2000, a partir de encontros que alguns batuqueiros do estrela brilhante do recife (alguns residentes do alto
josé do pinho e outros provenientes de bairros de classe média) organizavam para ter a oportunidade de batucar fora
do período oficial dos ensaios da referida nação para o carnaval. o que começou como uma espécie de reunião com
poucos batuqueiros, foi crescendo a ponto de tomar as dimensões que possui hoje. na celebração, esses batuqueiros
se reúnem e tocam baques e toadas de diversos maracatus nação, além de por vezes tocarem também outros ritmos
da cultura popular pernambucana como coco e ciranda. a proposta do evento é principalmente a diversão, além da
troca de conhecimento e experiência sobre os baques e linguagens do maracatu de baque virado. o traga a vasilha
não possui vínculos oficiais com nenhum maracatu-nação, apesar de contar com a presença de batuqueiros de
algumas nações; a regência da batucada, por exemplo, fica por conta principalmente de alguns mestres de maracatu
nação ou mesmo regentes de grupos percussivos que vem prestigiar o batuque. ainda assim, qualquer pessoa que
chegue e peça para cantar uma toada ou puxar um baque é permitida. uma das presenças mais marcantes na
regência é de mestre walter do estrela brilhante do recife que participa da celebração desde seu início em 2000, mas
mestre gilmar do estrela brilhante de igarassu e sua família também são frequentadores recorrentes. os mestres ou
regentes cantam as toadas com o auxílio de um microfone ligado à uma caixa de som. nada mais é preciso para que a
batucada aconteça. os instrumentos utilizados são aqueles associados ao baque dos maracatus nação, ou seja,
alfaias, caixas ou taróis, gonguês, ganzás, abês, mineiros e atabaques. participam do evento uma média de 50
pessoas, em sua maioria jovens na faixa dos 18 aos 30 anos, sendo equilibrada a quantidade de homens e mulheres.
a batucada também atrai um grande público que para ao redor do aglomerado de batuqueiros, dispostos em formação
livre. é muito comum que o público que circunda os batuqueiros fique dançando o ritmo do maracatu ou bebendo. as
bebidas são obtidas nos bares localizados na própria rua ou por meio dos vendedores ambulantes; esses mesmos
vendedores também servem salgados diversos, sanduíches, queijo coalho assado na brasa, tapiocas dentre outros
alimentos comuns em eventos de rua. em 2005 o traga a vasilha alcançou a maior quantidade de participantes, no
entanto em 2012, mesmo com menos gente a celebração se firmou, pois, mesmo que os principais articuladores não
compareçam, o evento alcançou tal autonomia que os próprios batuqueiros que estiverem no espaço darão conta de
realizar a batucada de forma independente. o grupo reunido em torno do traga a vasilha não se apresenta em outros
espaços ou mesmo por contratos, mas na sexta feira que marca a abertura do carnaval, o grupo realiza um arrasto de
maracatu pelas ruas do recife antigo por volta da meia noite. o traga a vasilha é um fenômeno que reflete o interesse
que o ritmo do maracatu desperta em jovens das mais diversas etnias e classes sociais. vale ressaltar que essa
celebração também contribui para a maior visibilidade dos maracatus nação por atrair muitos turistas e também por
possibilitar que outras classes sociais que geralmente não frequentam as comunidades maracatuzeiras conheçam o
ritmo do maracatu.ver mapa no item 8).
na rua da moeda acontecem os ensaios com os grupos de maracatu para abertura do carnaval, evento conduzido
pelo percussionista naná vasconcelos desde 2001, ano em que foi criado o modelo do carnaval multicultural do
recife. esses ensaios costumam acontecer um mês antes do carnaval. nesse período em média três a quatro nações
de maracatu encontram-se com o percussionista para aprimorar o baque do maracatu e as convenções que serão
apresentadas no show de abertura do carnaval. para esta programação é montado um palco neste local, onde após o
ensaio dos maracatus se apresentam outros grupos musicais, normalmente relacionados à cultura negra, como afoxés
e samba reggae. os ensaios de maracatus com naná vasconcelos constitui um grande elemento de representação de
políticas públicas voltadas para as manifestações populares em pernambuco. sua repercussão assume projeção
global para o carnaval a partir dos maracatus-nação que neste evento são unidos de forma peculiar e única, pois cada
maracatu tem particularmente sua personalidade de baque e de performance, dado que revela a significância desse
evento político iniciado em 2002. naná vasconcelos busca reger em simultâneo todos os maracatus, dispostos lado a
lado por seus batuques. na pratica, naná, em lugar de destaque frente aos batuques dos maracatus, orienta a partir de
frases e links temáticos de percussão, por ele criado, que todos os batuqueiros executem o baque seguido de breques
e virações. como ferramenta de regência este músico utiliza dominantemente um tímpano, instrumento de percussão
indireta que é tocado com baquetas e que por sua vez tem seus sons aferíveis e identificáveis entre as notas, timbres e
intensidades musicais, tal como um piano. a esse respeito, observa-se que os batuqueiros não possuem em seus
tambores, caixas, mineiros, abês e gonguês essa característica de afinação identificável peculiar a instrumentos
eruditos, o que marca um processo de superioridade cultural do regente frente os instrumentistas regidos – este sendo
um dos tópicos em critica elencados por alguns batuqueiros. entretanto, um dos pontos de interesse e adesão dos
maracatus aos ensaios com naná é participar de um evento coberto pela mídia globalizada.

