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Projeto relacionado
Outros nomes do bem cultural
Quilombo redenção
Categoria de bem cultural
Descrição
Características gerais
o quilombo de redenção, reconhecido há três anos (2004) como comunidade remanescente de quilombo, encontra-se há cerca 40
km de natividade, no sentido dianópolis, na to-040. o acesso pela to é de 29 km de asfalto, mais 11 km de estrada vicinal, com
bom estado de conservação. tal quilombo se encontra localizado na serra denominada de jacubinha, na região conhecida como
bacabeira, fazendo parte da serra geral. a região é cercada por murros de pedra, que parecem fazer parte dos limites entre este e as
fazendas da região.
a memória deste povo é o que mantém viva sua história, possibilitando a continuação não só destas comunidades, mas a da grande
maioria dos afro-descendentes que compõem a sociedade brasileira. halbawchs1 (1990) dá-nos suporte importante para falarmos de
memória. para ele, a memória, em termos gerais, é constituída pelas lembranças dos sujeitos, elaboradas e registradas sobre os
acontecimentos dos quais participaram na qualidade de membros de uma determinada comunidade. para ele, quando nos
recordamos de acontecimentos ou de alguma situação do passado, estamos não apenas nos dispondo de nossas lembranças-memória,
mas (re)construindo-as, na verdade, ressignificando-as. entretanto, ao reconstruí-las o fazemos a partir de representações
construídas por meio de influências, de pensamentos, de noções e de outras idéias de indivíduos ou de grupos sociais com os quais
nos relacionamos. neste sentido, nossa memória é ao mesmo tempo memória coletiva e individual, ou seja, a memória dos agentes
históricos é constituída por lembranças ou pensamentos dos indivíduos e/ou grupos socioculturais produzidos com a finalidade de se
representar uma realidade vivida em termos reais ou imaginários num determinado momento. portanto, as lembranças dos
quilombolas são de vital importância para que possamos resgatar sua história e a realidade social, por eles vivenciadas, em seus mais
diversos momentos: de dominação, de subordinação, de conflitos, de resistências, de lutas e de vivências únicas, ou seja, apenas por
eles vividas.
para schmitt, turatti & carvalho (2002, p. 3), in: lima (2006), as comunidades quilombolas podem ser consideradas:
(...) os grupos que hoje são considerados remanescentes de comunidades de quilombos se constituíram a partir de
uma grande diversidade de processos, que incluem as fugas com ocupação de terras livres e geralmente isoladas,
mas também as heranças, doações, recebimentos de terras como pagamento de serviços prestados ao estado, a
simples permanência nas terras que ocupavam e cultivavam no interior das grandes propriedades, bem como a
compra de terras, tanto durante a vigência do sistema escravocrata quanto após a sua extinção2.
o programa brasil quilombola aponta que crqs são grupos sociais, cuja identidade étnica os distingue do restante da sociedade. é
importante explicitar que, quando se fala em identidade étnica, trata-se de um processo de auto-identificação bastante dinâmico e
não se reduz a elementos materiais ou a traços biológicos distintivos. a identidade étnica de um grupo é a base para sua forma de
organização, para sua relação com os demais grupos e para sua ação política. a maneira pela qual os grupos sociais definem a sua
própria identidade é resultado de uma confluência de fatores, escolhidos por eles mesmos: de uma ancestralidade comum, formas de
organização política e social, elementos lingüísticos, religiosos e territoriais. afinal o que na verdade dá sentido a um lugar é o
conjunto de significados, os símbolos que a cultura local imprimiu nele e é isso que leva o outro a sentir, partindo de seus valores, o
lugar ao qual se visita. esse conjunto de valores representado pelos significados e símbolos imateriais que se projetam no espaço
geográfico e, ao mesmo tempo em que dele vai apropriando-se, imprime marcas de identidade individuais e coletivas.
a existência de uma comunidade quilombola evidencia a importância dos temas transversais, essa é uma ponte de grande relevância
para se fazer um resgate cultural desses grupos, evidenciando a importância de se preservar seu patrimônio e de se valorizar o
conhecimento local. estudos sobre essas temáticas podem ser uma ferramenta rica no sentido de apontar a necessidade de se integrar
dois tipos de conhecimento: o conhecimento formal e o conhecimento não-formal. não faltam razões para que o estudo de uma
temática como esta seja devidamente conhecido e valorizado, não apenas como matriz longínqua e referência passada, mas como
parte da vida de homens e mulheres do tocantins, e em especial da comunidade nativitana.
no estado do tocantins já foram identificadas 22 (vinte duas) comunidades quilombolas, mas somente 15 (quinze) foram
reconhecidas – entre estas está o quilombo de redenção, do município de natividade.
não foi possível precisar a data do surgimento do quilombo, mas pode-se levantar, por meio das entrevistas, que ele existe há pelo
menos sete gerações. a comunidade de redenção possui cerca de 25 famílias, com uma área aproximada de 15 alqueires. segundo
depoimentos orais, da memória dos quilombolas, esta terra já foi bem maior, mas por razões diversas, que não souberam precisar,
parte dela foi perdida e englobada ao acampamento que fica ao lado, denominado de jacubinha, ou apropriada por fazendeiros
circunvizinhos. o acampamento teria sido formado há cerca de 15 (quinze) anos.
o quilombo não possui escola, o que faz com que as crianças e os jovens do quilombo tenham de se deslocar por meio de ônibus,
cedido pela prefeitura, para a escola jacubinha, que fica no assentamento. a comunidade sobrevive da agricultura de subsistência,
com plantações, principalmente, de arroz, milho, banana, hortaliças (com acompanhamento técnico da ruraltins) e mandioca (que é
a base de sua alimentação). existe uma farinheira que é da associação do assentamento (na qual o presidente dos quilombolas é
parceiro).
1 halbwachs, m. a memória coletiva. são paulo: vértice, 1990.
2 schmitt, turatti e carvalho. in: lima, sandra maria faleiros. cultura e memória de populações quilombolas – estudo sobre as comunidades remanescentes de quilombo lagoa da pedra e kalunga mimoso – arraias. xxx
congresso anpos, 2006.
várias são as atividades que caracterizam as formas ou o modo de viver da comunidade: ainda cozinham em fogão a lenha e sua
culinária é típica. esta tem como características toda uma variedade dos bolos, tais como: o bolo de arroz e a peta, que é feita com
polvilho da mandioca. no que diz respeito à comida diária, essa varia de família para família, mas a base geral da alimentação se
compõe de arroz, feijão, de frango caipira, de carne de gado e de porco. a abóbora, o jiló, e o quiabo apareciam no cardápio
somente na época do plantio das roças, assim como as melancias. a batata-doce é muito utilizada, principalmente nas fogueiras de
são joão. a mandioca também é comum na alimentação como farinha ou então cozida aos pedaços. existem muitos outros tipos de
alimento dos quais os membros da comunidade fazem uso, tais como: pequi, banana, laranja, manga, abacate, lima, cana-de-açúcar,
etc.
as plantas medicinais ainda são muito usadas pelos moradores, como o boldo, a erva cidreira, folhas de laranja, manjericão,
algodão, flor de mamão, carrapicho, guiné, casca de romã, casca de angico, de ipê, paquari, manga, caju e muitas outras. no
trabalho espiritual que é realizado no quilombo também as garrafadas são muito utilizadas. o pouco artesanato que se faz se resume
à confecção de vassouras de palha, candeias, potes e gamelas em geral para uso local.
uma tradição que efetivamente contribuiu para a permanência da comunidade como um grupo fechado e que permanece como uma
de suas características é o casamento entre membros da mesma família (entre primos), com o intuito de preservar suas origens,
crenças e costumes. mas hoje já existem vários casamentos com membros de fora da comunidade.
todos esses elementos apontados fazem parte das tradições culturais da comunidade e é necessário que eles sejam transmitidos aos
mais jovens, pois o que se percebe é que muito dessas tradições já se perdeu pela falta de registro. um aspecto significativo na
comunidade é a religiosidade como um elemento extremamente forte, pois quase todas as suas manifestações culturais são de
características religiosas.

