Informações
Projeto relacionado
Outros nomes do bem cultural
Xilografia, processo xilográfico
Categoria de bem cultural
Descrição
A xilogravura é a denominação da gravura feita sobre madeira. etimologicamente, a palavra xilogravura é composta por xilon e por grafó, do grego, que significam, respectivamente, madeira e gravar ou escrever. portanto, xilogravura é uma gravura feita com uma matriz de madeira. ou seja, o processo de impressão ocorre com o uso de um “carimbo de madeira”. os desenhos e formas são executados por meio de incisões, corrosões e talhos realizados com instrumentos e materiais adaptados e/ou relativos à função. ao contrário do desenho, os procedimentos técnicos empregados na gravura permitem a reprodução da imagem. ao se preparar uma matriz xilográfica é preciso realizar o trabalho de entalhe em um pedaço de madeira, deixando em relevo a imagem que se pretenda reproduzir. as partes altas (em relevo) recebem a tinta e, então, a imagem é transferida para o suporte que, geralmente, é o papel. no passado, até o ano de 2003, quando a feira de são cristóvão ainda ocorria fora do pavilhão, outros xilogravadores freqüentavam o lugar, como: ciro fernandes (que fazia as xilogravuras de graça para os cordelistas da feira , antes, por questão dos custos, os cordéis eram estampados com fotografias1) e marcelo soares. na antiga feira dos nordestinos, em são cristóvão, o centro da literatura de cordel era o lugar chamado canto da poesia. ficava embaixo de uma mangueira, no lado oposto ao colégio pedro ii, próximo ao banheiro público e tinha como marca registrada a antiga faixa pintada pelo seu idealizador, zé praxedis, "o poeta vaqueiro". esse espaço foi frequentado pelo próprio poeta que vinha com seu traje típico de vaqueiro: gibão, chicote, perneira e chapéu, tudo do melhor couro, lustrando, reluzindo ao sol de domingo. zé praxedis, na década de 1980, já não aparecia com tanta frequência, parece-me que devido ao fato de que nessa época ele morava pelas bandas de niterói ou são gonçalo. na ausência de zé praxedis, quem "tomava conta" do lugar, do canto da poesia, organizava a maioria dos eventos, defendia o espaço e estabelecia regras (não tão rígidas assim) era expedito f. silva , que havia sido nomeado "embaixador da poesia" por rodolfo coelho cavalcante. no local, além da banca de expedito silva, tinha as bancas de apolônio alves dos santos, de elias a. de carvalho e mais uma ou duas bancas de folhetos, quando josé joão dos santos "azulão" ou franklin maxado apareciam. além disso, havia uma banca de xilogravura de marcelo soares e, às vezes, ciro fernandes dividia o mesmo espaço.2 muitos outros também frequentavam o local, como bem coloca ciro fernandes, em seus versos: a feira é visitada pelos gravadores j. borges, j. barros, gerônimo, amaro francisco, dila, mestre minelvino, altio. poty de vez em quando come lá buchada e sarapatel, sandra santos vai comer umas tapiocas.3 desde que a feira entrou para o pavilhão até os dias de hoje (2011), erivaldo ferreira da silva é o único artista a trabalhar com xilogravura no local, mais especificamente na praça catolé do rocha – também conhecida como praça dos repentistas: a principal praça da feira, localizada no centro do pavilhão. sua barraca é de estrutura metálica, pequena , o mesmo padrão da barraca do etemilton antônio da silva (que é quem trabalha com a modelagem em barro). alguns trabalhos ficam guardados em um armário, na parte inferior da bodega. além das xilogravuras, o artista vende também camisas, matrizes de xilo e cordéis. os produtos são expostos pendurados (matrizes, xilogravuras sobre papel e cordéis) e em cima da banca da barraca (camisas). a xilogravura, recentemente, recebeu um maior apoio da organização do centro luiz gonzaga de tradições nordestinas: em parceria com a prefeitura do rio de janeiro e com o governo do estado, a feira de são cristóvão realizará oficinas com os dois artistas populares da feira: etemilton antônio da silva e erivaldo ferreira da silva, neste ano (2011), onde eles ministrarão cursos sobre as suas manifestações artísticas, demonstrando e ensinando as técnicas. notas: 1 associação de artistas plásticos da paraíba – associart: dicionário de artes visuais na paraíba. disponível em: http://artesvisuaisparaiba.com.br/artista.php?id=180. acesso em: 30 ago 2011. 2 rovedo, salomão. literatura de cordel. rio de janeiro: [s.n., 1986?]. p. 95. 3 fernandes, ciro. a feira de são cristóvão. in: heye, ana m. xilogravuras de marcelo soares, ciro fernandes, joel borges e erivaldo ferreira. p. 7-8. 1986.


