Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Nico
História de vida
Da agricultura ao trabalho assalariado e depois pequeno comerciante.
Aprendizado do bem
Teve uma vida muito dura, seus pais eram ditadores, no estilo dos velhos errantes. Por conseguinte aprendeu muito cedo a trabalhar duro. Quando tinha quatorze anos, mal tinha terminado o grupo escolar e já acompanhava seu pai no trabalho, de escuro a escuro. Eram tempos muito duros, não havia dinheiro, sobretudo após a revolução de 1930. Achile ficou na roça até a idade de dezoito anos, momento em que começou a olhar para o futuro. Nesse tempo diz que estava tão tolo que não sabia mais assinar o nome. Foi assim que andou oito dias de “expresso canelinha” a procura do futuro e assim começou a trabalhar numa empresa que construía estradas, a base de pá e picareta. Cortou pedra, puxou barro para fazer aterro. Fez de tudo. Quando veio a grande guerra e getúlio se declara contra os países do eixo (alemanha, itália e japão), o brasil envia soldados e armas. “nós tivemos que pagar tudo isso, pagávamos 12%, imagine”, diz achile. “pagamos um preço elevado”. Na guerra ninguém é dono de ninguém. Achile trabalha em construção de rodovias durante quatro anos e depois passa para a construção da ferrovia tereza cristina, de criciúma a siderópolis. Vai trabalhar em porto alegre. Regressa para ver os pais. Era já operário, tinha aprendido a trabalhar duro na roça. Trabalha para empreiteiro bom, porém diz que nem todos eram assim. No geral diz que os empreiteiros querem tirar o sangue, é a lei! “mas não sei se é a lei”. Em março de 1943 vai trabalhar quebrando pedras. O dono da terra onde estava a pedreira era o pai de zelinda dante martignago. “e o que significou trabalhar para este patrão? Significou casamento.” casam-se em 29/04/1950. “faz quarenta anos que eu aturo esta praga!” “zelinda formou-se professora e eu funcionário contratado para a ferrovia. Eu tinha uma motocicleta e junto ganhávamos bem. Eu ganhava um conto e vinte de réis e ela um conto de réis. Aos domingos íamos de táxi visitar nossos pais. O meu pagamento era sempre de 90 a 120 dias, sempre quando tinha dinheiro para a obra. Nesse tempo não havia férias. Então, quem tivesse mais de 1000 horas de trabalho ganhava oito dias de férias. Meu trabalho era cortar pedras, mas depois passei a encarregado”. Perseguições? “a briga dos ramos com os bornhausen era paulera! Assim nomeavam e exoneravam, transferiam, como queriam. Isto atingiu zelinda. Vivia de uma escola para outra (zelinda não quer ser citada). Mais ou menos em 1944-1945 havia perseguição devido ao emprego da língua italiana. Ninguém podia falar italiano na rua. Nem mesmo se podia cumprimentar. Um dia meu primo cumprimenta seu padrinho: -bonggiorno padrinho! -te some daqui! Tudo isso se deu quando urussanga era uma colônia. Em casa só se falava italiano. “la scuela”! A nossa imigração! Que imigração! Nossos antepassados não voltaram para a itália, pois não tinham condições. Eles choravam! Choravam! Só podiam fazer isso! A europa estava super populada. Faltava comida. Depois surgiram as carpideiras e de 100, 90 eram despedidos. E ficaram apenas dez. Propagandas enganosas! Não cumpriram nada. Casa e comida no mato! Perdidos, desiludidos. Por isso os homens morreram todos antes de 60 anos. Os imigrantes tinham que atravessar rios, faziam picadas no mato. Morriam de picada de cobra, de raio que caía em árvores que caiam em cima das pessoas. E tinham os verdadeiros donos da mata. Havia muitos conflitos e mortes inclusive. No início eles foram bem recebidos pelos índios,porém a mata era deles. A caça era deles, dos índios, lembra zelinda que ouvia atentamente a entrevista. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer sc 07 00 10 q60 017
Transmissão de saberes
Ensinou para muitos , mas não lembra os nomes

