Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Agripino Soares De Magalhães
História de vida
Seu agripino é o mestre cururueiro mais conhecido de corumbá, ele produz violas de cocho no fundo de sua casa, em uma oficina improvisada, há mais de cinqüenta anos. Ele também é um excelente tocador de viola de cocho e, juntamente com seus companheiros, promove as chamadas “brincadeiras”: as rodas de cururu e siriri. Seu agripino organiza os outros cururueiros, promovendo rodas de cururu e fornecendo violas. Em corumbá, ele é o único que fabrica violas. “aí que eu fui aprender cantar, tocar viola, hoje eu sou um professor de viola, porque tenho curiosidade de fazer a viola, fazer a corda, fazer o verso, ensinar as pessoas como que faz, como que não faz, eu tenho violas feitas, já fiz umas oitenta e poucas violas, já vendi todas, mais ninguém não tem, só eu. Veio um rapaz aí pra comprar a viola, volta hoje ou amanhã pra levar a viola, cobrei cem reais. ‘mas cem real? ’, eu falei: ‘é’, ‘mas num é caro? ’, aí eu falei: ‘o quê? , é caro? ” o processo de fabricação de uma viola de cocho, feita pelo seu agripino, dura 7 dias inteiros de trabalho, sem contar o tempo do corte do tronco de árvore. Esse é o tempo que seu agripino, já com anos de experiência, necessita.
Localização
Descrição da atuação em rede
Seu agripino é o mestre cururueiro mais conhecido de corumbá, ele produz violas de cocho no fundo de sua casa, em uma oficina improvisada, há mais de cinqüenta anos. Ele também é um excelente tocador de viola de cocho e, juntamente com seus companheiros, promove as chamadas “brincadeiras”: as rodas de cururu e siriri. Seu agripino organiza os outros cururueiros, promovendo rodas de cururu e fornecendo violas. Em corumbá, ele é o único que fabrica violas. “aí que eu fui aprender cantar, tocar viola, hoje eu sou um professor de viola, porque tenho curiosidade de fazer a viola, fazer a corda, fazer o verso, ensinar as pessoas como que faz, como que não faz, eu tenho violas feitas, já fiz umas oitenta e poucas violas, já vendi todas, mais ninguém não tem, só eu. Veio um rapaz aí pra comprar a viola, volta hoje ou amanhã pra levar a viola, cobrei cem reais. ‘mas cem real? ’, eu falei: ‘é’, ‘mas num é caro? ’, aí eu falei: ‘o quê? , é caro? ” o processo de fabricação de uma viola de cocho, feita pelo seu agripino, dura 7 dias inteiros de trabalho, sem contar o tempo do corte do tronco de árvore. Esse é o tempo que seu agripino, já com anos de experiência, necessita.
Aprendizado do bem
O avô paterno de seu agripino, felipe santiago, era cururueiro, mas não sabia fabricar a viola de cocho, apenas cantava e tocava. Seu agripino desde pequeno já sabia como ponteava, como cantava. Posteriormente foi ser foliãozinho e aprendeu como fazia letra. Em 1931, aos 13 anos de idade, ainda em cuiabá / mt, seu agripino gostava de uma menina e era correspondido. Para conseguir namorar a menina, o avô fez uma toada para ele cantar. O jovem agripino aprendeu a cantar com seu avô esse cururu de amor para ela. O avô tocou a viola e seu agripino acompanhou no ganzá e cantou para a moça e sua família. Nessa época, agripino não sabia ainda fazer a viola, ofício este que só aprendeu posteriormente, quando foi morar em corumbá. Depois da fuga de um seminário, seu agripino chega em corumbá, aproximadamente em 1931. Seu agripino foi o único da família que aprendeu a tocar como o avô, quando tinha uns 15, 16 anos. “quando eu voltei daqui de corumbá pra cuiabá, aí eu vi como é que fazia a viola, num fez lá, aí aqui, depois que eu me casei [1944], é que eu fiz a primeira viola, já era casado, já tinha um filhinho. ” é em corumbá que seu agripino casa e passa a ter contato mais próximo com diversos cururueiros, entre eles, seu sogro e começa a fabricar violas, primeiramente para uso pessoal. Seu agripino faz questão de dizer que não aprendeu com ninguém o ofício, aprendeu observando a viola de seu sogro. A partir de seu relato, podemos concluir tratar-se de um aprendizado informal que se deu pelo contato com outros cururueiros, principalmente seu próprio sogro.
Transmissão de saberes
Apesar de realizar o ofício há mais de cinqüenta anos em corumbá, seu agripino quase não teve alunos interessados em fazer violas. Essa problemática ocorre por diversos motivos, entre os quais podemos citar a pouca divulgação, a infra-estrutura precária e o preconceito em relação a esta manifestação folclórica, que é tida como “coisa de velhos” pelos mais jovens. Entretanto, seu agripino já participou de eventuais festivais de arte-cultura em corumbá, ministrando cursos de uma semana de duração. Porém nenhum dos alunos se interessou na continuidade do ofício ou em seguir a carreira de cururueiro. Fábio alexson da silva, professor de música, agente local do projeto e um dos pesquisadores responsáveis por este inventário é apontado por alguns como o sucessor de seu agripino. Fábio está preocupado com o repasse de saber desse ofício e promove oficinas de produção de viola de cocho, mantendo um contato muito próximo com os cururueiros da região, especialmente seu agripino. “eu vou dar aula agora no fim do mês, vou dar aula, não sei ainda se vai sair ou não, vou dar aula, vou ensinar, quem quiser aprender, aprende. ” diz que a maioria das pessoas acha bonito os outros fazerem, mas não quer fazer. ”o povo hoje, você vê esse povo aqui, a maioria tudo é crente agora. ”

