Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Anália Emilia Rodriguez Oliveira José Leão Fraga
Data de nascimento
1 de agosto de 1920
História de vida
Os avós já promoviam o Jarê e foi ainda quando criança que ela começou a acompanhar realização da festa. Com o falecimento da mãe, Dona Anália, que tinha na ocasião 21 anos de idade, passou a assumir a organização da reza e da festa. Ela participa de todas as etapas que envolvem a celebração.
Localização
Descrição da atuação em rede
Dona Anália morava com os pais na Rua da Várzea (rua em que se concentravam as pessoas mais humildes da localidade e onde havia muita “lambança”, ou seja, violência). O pai de Dona Anália se chamava Adelvan José Costa Fraga e sua mãe Maria Emília José Leão Fraga, mas todos a conheciam por Maria Donata. Por ser filha de negros, Dona Anália se identifica como “africana legítima”. Ela se auto-identifica como “nagô” (outras pessoas da localidade também fazem referência a ela como de origem “nagô”). Quando jovem, ela trabalhou na casa do coronel Antonito Medrado. Era ela quem lavava as roupas e também participava da preparação das refeições. Dona Anália também trabalhou como garimpeira e coletora de Sempre-viva. Ela lembra com saudosismo do tempo em que ia para o “garimpo” e que, sozinha, quebrava grandes pedras com “marrão” em busca de diamante. Às margens do Rio Paraguaçu, no lugar próximo à usina e à Capela Santa Rita, Dona Anália costumava ir com suas “companheiras” lavar roupa. Ela diz que as mulheres preferiam lavar roupa neste local, pois, como não havia muito o que fazer na cidade, a caminhada representava uma distração, uma espécie de passeio. Ao longo da vida Dona Anália lavou e engomou roupas para muitas pessoas de Mucugê. Ela também se dedicava a produção da renda de bilro. Outro ofício que Dona Anália desempenhava era o de parteira. Ela mesma se identifica como parteira e foi com a sua avó que ela que aprendeu este ofício. Dona Anália diz que já “pegou muita criança” (fez muitos partos) e que tem muitos “filhos de pegação” espalhados em vários lugares como, por exemplo, Livramento e Rio de Contas. Na localidade havia vários grupos de Ternos das Almas e Dona Anália era a “cabeça” de um dos grupos, que era conhecido como Terno de Anália. Ela diz que o seu terno era um dos maiores e mais conhecidas da localidade. Ela conta com orgulho que seu grupo percorria longas distâncias, indo até a Capela Santa Rita e o Cruzeirão, entre outros lugares. Dona Anália também é integrante da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus e sempre esteve envolvida nas celebrações da igreja. Idosa e adoentada, hoje, Dona Anália vive da aposentadoria que recebe. Ela costuma passar grande parte do seu dia sentada nas calçadas da Praça 15 de Novembro e do Beco dos Nagôs, é nesta última que Dona Anália mora. Ela conhece o Beco dos Nagôs pelo nome Rua dos Negros Santa Bárbara, também chamado por ela de Rua dos Negros ou Rua dos Africanos. Ela diz que nesta rua “só morava os negro, os africano” e as casas eram construídas, em sua maioria, com adobe e cobertura de palha. José Canela, conhecido como Zé Canela, e Maneu Canela eram dois irmãos, ambos há anos falecidos, que moravam nesta rua e, segundo Dona Anália, eles eram “africanos” e trabalhavam no garimpo (ela diz que chegou a conhecer ambos os irmãos). Os irmãos Canela estão bastantes presentes na memória dos moradores mais idosos da localidade. Dona Anália já não se dedica aos ofícios acima citados, não organiza o Terno das Almas e não tem participado das celebrações da igreja. No entanto, o que ela mais “sente” é não reunir condições para promover o Jarê e a Reza de Cosme e Damião.

