Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Antônio Carlos Dos Santos
História de vida
Seu carlinhos exerce a função de espia na pesca da tainha. É o responsável por observar o mar e identificar a aproximação dos cardumes em direção à praia. Ele quem dá o sinal para os pescadores que estão a espera do lanço do posicionamento dos cardumes. A capacidade de concentração e a atenção de um olhar voltado aos movimentos e quietudes do mar são apontados, por seu carlinhos, como requisitos daqueles que se dedicam a esse ofício: é, você, na verdade, a gente que trabalha como espia, você tem que ficar muito atento, né? A tudo, né? Qualquer movimento, você tem que estar atento. Porque a tainha, ela é assim: tem hora que ela bóia e fica em cima da água, tem hora que ela afunda, vai embaixo, lá, e daí pra você avistar ela fica um pouco mais difícil, né? Mas você tem que estar atento a tudo. Qualquer movimento na água, ali, estranho, você tem que ficar atento pra ver se realmente é a tainha, se não é, se é um outro peixe, ou alguma coisa, sabe. . . Um outro pescado que está ali, sabe? Então você tem que ficar atento a tudo, você não pode se descuidar nem um minuto dali da onde você está trabalhando, porque se não acaba, às vezes, ela passando e você não vê. Continua afirmando que, “desde que nasci permaneci aqui, saí durantes 3 anos para trabalhar depois voltei a maioria aqui somos todos parente, somos uma família só. Aqui precisa gostar, você tem que ter paciência, chegar aqui esquecer de tudo e dar atenção só pra aquilo ali, é uma terapia”.
Localização
Descrição da atuação em rede
Seu carlinhos exerce a função de espia na pesca da tainha. É o responsável por observar o mar e identificar a aproximação dos cardumes em direção à praia. Ele quem dá o sinal para os pescadores que estão a espera do lanço do posicionamento dos cardumes. A capacidade de concentração e a atenção de um olhar voltado aos movimentos e quietudes do mar são apontados, por seu carlinhos, como requisitos daqueles que se dedicam a esse ofício: é, você, na verdade, a gente que trabalha como espia, você tem que ficar muito atento, né? A tudo, né? Qualquer movimento, você tem que estar atento. Porque a tainha, ela é assim: tem hora que ela bóia e fica em cima da água, tem hora que ela afunda, vai embaixo, lá, e daí pra você avistar ela fica um pouco mais difícil, né? Mas você tem que estar atento a tudo. Qualquer movimento na água, ali, estranho, você tem que ficar atento pra ver se realmente é a tainha, se não é, se é um outro peixe, ou alguma coisa, sabe. . . Um outro pescado que está ali, sabe? Então você tem que ficar atento a tudo, você não pode se descuidar nem um minuto dali da onde você está trabalhando, porque se não acaba, às vezes, ela passando e você não vê. Continua afirmando que, “desde que nasci permaneci aqui, saí durantes 3 anos para trabalhar depois voltei a maioria aqui somos todos parente, somos uma família só. Aqui precisa gostar, você tem que ter paciência, chegar aqui esquecer de tudo e dar atenção só pra aquilo ali, é uma terapia”.
Aprendizado do bem
No alto do morro do sabão, onde o sol e o vento são impiedosos, o diálogo com o mar é incessante: é necessário observá-lo em seus movimentos e entender seus sinais e também os de seus habitantes, mesmo os temporários, como a tainha. “você tem que perguntar, tem que ter interesse, pra saber diferenciar”. Assim, antônio carlos dos santos, conhecido como carlinhos, nos fala sobre os processos de aprendizado no ofício do espia. “sabe por que ela tá fazendo isso aí? Ela tá sentindo que o tempo vai se arruinar. Daí ela vai se juntando com as outras, começando a se juntar pra se movimentar”, comenta seu carlinhos, com os olhos grudados no mar. “na verdade, a pesca da tainha, cada dia que passa, cada ano que passa, você vai aprendendo até sozinho mesmo. Você fica pensando: ‘como é que esse peixe fez isso? ’”. Conforme a narrativa de seu carlinhos, e com o pouco que se consegue compreender vendo a imensidão de água que se abre diante dos olhos, a impressão é mesmo de que os peixes também nos observam: parece que ele tá vendo a gente. Nesse lanço de trezentos e poucos, os peixes que a gente pegou quase que enganou a gente. Então, o que esse peixe fez? Ele aproveitou a maré e saiu pra fora. Daí o gabardo desceu no outro morro pra ver se o peixe tinha ido pra lá, porque como é que o peixe ia sumir? Ele deu a volta na correnteza e voltou bater aqui. A experiência, assim, é essencial ao aprendizado: permanecer no morro, observar, mas também perguntar, demonstrar interesse, são atitudes necessárias àqueles que querem assumir a tarefa de espia. “é, isso vem muito da experiência, né? Por que se a pessoa. . . Não adianta a pessoa ter uma boa visibilidade, né? Enxergar bem, e não ter experiência, né? ”. A tainha, não só na perspectiva do espia, mas de todos os outros pescadores, é um “peixe complicado” de ser avistado. Portanto, se não tiver experiência em sua observação, a diferenciação de outros peixes não é possível. “quando a tainha pula, é sinal de cardume. Dois, três, pulando junto, indica cardume de duzentos, trezentos peixes”, afirma seu carlinhos. De acordo com ele, o aprendizado é feito ao longo do tempo: “você vai aperfeiçoar nos anos, você vai conseguindo visualizar, né? Ver mesmo se é tainha, se não é, porque tem a tainha e o parati, que são parecidos, só que o parati é um pouco menor”. Sobre o aprendizado no ofício de espia, seu carlinhos conta que, apesar de ter tido os primeiros conhecimentos ao lado do avô, foi com seu valdemar valentim que a função passou a ser levada mais a sério. Isso eu comecei com meus parentes mesmo, sabe? Eu acompanhava muito o meu avô, que meu avô trabalhava nessa área de espia. É. . . O meu avô, ele era morador lá do farol, da outra praia aqui do lado, e sempre que ele estava lá fazendo o trabalho dele de espia eu tava lá junto com ele, daí fui aprendendo com ele. Aí, depois ele acabou falecendo, aí eu dei continuidade nesse trabalho de acompanhamento dos espias com o seu valdemar, aqui no morro, que era o espia que fazia a pesca da tainha aqui no miguel. Dar continuidade ao ofício mantido pelos antigos, dessa maneira, aciona todo um conhecimento adquirido na observação de pais e avós, que só é totalmente aplicado e reconhecido pelos demais no momento em que o pescador se assume como espia da localidade. Isso pode explicar a existência de vários jovens ou homens mais experientes que “enxergam bem” e “sabem espiar”, mas não são reconhecidos como especialistas no ofício.
Transmissão de saberes
“fico aqui no morro com gabarde, nos dividimos, mas ainda não chegou ninguém mais jovem pra aprender, tem que ter paciência né, é difícil um querer aprender. Agora é preocupante viu, porque a gente vê que a juventude de hoje não se interessa mais por isso, quando a gente sair daqui quem vai assumir esse troço aqui, porque a gente não vê ninguém assim interessado. No nosso tempo desde guri a gente acompanhava os mais velhos ia e aprendia, mas agora não, a juventude não quer mais fazer isso. É uma pena porque é uma coisa que é tradicional da ilha e acabar assim. Tinha que pegar alguém incentivar, fazer alguma coisa pra dar continuidade a esse trabalho. Vai chegar uma época que a gente vai parar, não vai ficar aqui o tempo todo”

