Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Francisco Claudio Da Costa
História de vida
Francisco claúdio é pescador artesanal dos peixes carapeba, tainha, salema com rede de espera.
Localização
Descrição da atuação em rede
Francisco claúdio é pescador artesanal dos peixes carapeba, tainha, salema com rede de espera.
Aprendizado do bem
Francisco claudio, como boa parte dos pescadores entrevistados, aprendeu a pescar criança com seis anos de idade. Aprendeu a pescar com o tio no rio de piranhas-açu em macau, cidade onde nasceu e se criou. Sobre sua relação familiar com a pesca e o seu processo de aprendizagem e atividade, relata: “olha, eu sou neto de pescador. Meu pai era pescador e mergulhador. Não poderia dar outra coisa, não é? E aí, desde os seis anos eu já pescava no rio. No rio de macau, rio piranhas-açu com a varinha, pegava os peixezinhos lá. E de lá para cá, nunca deixei de pescar. Eu aprendi a pescar com o meu tio, meu pai e só. Hoje, ainda pesco, só. Meu pai chamava-se wilson francisco da costa, vulgo (pururuca) e faz três anos que ele morreu. Meu tio, chico perdido, também morreu. É uma coisa nata já. Eu nasci e, praticamente, no berço. . . Desde criança que eu gosto de pescar. É tanto que eu podia estar em outra profissão. Mas, a pesca, para mim, é tudo. É uma terapia, é tudo para mim. Eu chego, vou pescar, esqueço o mundo e só foco na pesca. No passado, criança ainda, eu pegava o camarão com as mãos. É a pindaúba, para o peixe. Tudo é com as mãos, o manuseio, não é? Manusear a linha, amarrar os anzóis. . . Mas, o interessante disso, é que eu aprendi a pegar o camarão dentro d’água, com as mãos. Se tinha um camarão aqui, ele na lama. Isso, eu fiz muito quando criança. Foi por aí que eu comecei a gostar mesmo da pesca. Sentir a pesca. Depois, eu pesquei com linha. Depois, foi que eu comecei a pescar de rede com outro companheiro. A pesca da rede precisa de dois. Os mais experientes que tem uma melhor visão, como eu, pescam sozinhos. Sem estar precisando de outros para estar arriando a rede”. Atualmente, francisco claudio, além de pescador, é estudante do curso técnico de recursos pesqueiros no instituto federal do rio grande do norte-ifrn. É, também, ativista político dos direitos humanos e ambientais e participou de todas as conferências nacionais da pesca. Sobre a i conferência de pesca, francisco claudio relata uma importante e ousada ação política para denunciar a situação em que pescadores eram impedidos por empresas salineiras de pescar nas lagoas de sal: “foi em luziânia. Na conferência, tinha essa luta aqui. Aí o jeito que tem, eu pensei, é colocar um documento na mão de lula mostrando as agruras que os pescadores passavam. Aí, na hora que ele estava falando. . . Eu e um colega meu, lá de alagoas, toinho - seu toinho que é poeta, grande poeta lá de alagoas e, também, milita na área de meio ambiente. . . E ele, doidinho para falar com lula, também. Aí eu disse ‘você não vai não? ’. Aí ele, ‘não, eu vou demorar mais um pedacinho’. Ai, eu fui e levantei o braço e fiquei em pé. O pessoal todo sentado. Aí, vieram os seguranças, e começaram ‘senta, senta’. A, só quando. Aí ele deu o sinal para lá, não é? Dizendo que depois falava comigo. E aí eu esperei e, no final, ele me chamou e eu fui. . . Me levaram até lá para subir no palanque lá, não queriam deixar. Aí ele veio de lá, mandou e autorizou a minha entrada, e eu conversei com ele sobre a questão dos pescadores. Eu tenho uma foto ainda”. E continua o relato sobre sua atuação política: “eu participei de três conferências nacionais de pesca, não é? Aí, eu participei de uma de saúde, participei de uma de educação, no ano passado. A primeira também, não é? De educação. Fui dar minha contribuição também. . . Com a vinda do cefet, do irfn, conseguimos alfabetizar pescador com o “pescando cidadania”. Criado também no instituto federal, dentro de macau que vai se expandir pelo brasil. É um projeto piloto que os iefs estão comprando para alfabetizar pescadores. Já foram alfabetizados cem pescadores aqui. Sem desistência de pescadores”. É membro fundador da associação de pescadores e pescadoras de macau. Sobre a possibilidade de parar de pescar, francisco claudio relata: “eu não vou parar de pescar porque eu gosto. É uma coisa que me atrai. É uma terapia para mim. Eu esqueço o mundo. Eu estou pescando, eu esqueço o mundo”.
Transmissão de saberes
Sobre o ensino da atividade, francisco claudio não considera que ensinou ninguém a pescar: “eu não posso dizer que ensino. Mas, já levei gente que não sabia pescar e que aprenderam. Com o tempo, vai aprendendo porque a pesca é aquela coisa: você vai aprendendo com o tempo. Com o tempo, você vai fazendo, vai vendo os outros fazendo e vai aprendendo. Não é aquela coisa de você ficar em cima. . . Vai com a visão, e vai aprendendo com ela”.

