Informações
Projeto relacionado
Nome completo
José Carlos Dos Santos
Data de nascimento
9 de dezembro de 1957
História de vida
Dentro do artesanato pesqueiro, eu fabrico alguns tipos de rede. A caçeia e entralho qualquer tipo de rede. Quem faz isso, faz sozinho. Todo pescador de laranjeiras, além dele ser pescador, ele também, ele é artesão. Porque ele compra a rede e prepara a rede pra pescar. Ninguém compra rede pra pescar, já pra pescar. Porque cada pescador tem sua mania. A rede de camboa, você entralha ela prá ficar assim reta, já a caçeia é sob medida. Você pega na hora de entralhar a rede, você tem que fazer uma medida. Pronto, cada malha que você vai entralhar, você bota isso daqui, dá o nó, aqui, dá o nó. Você termina essa, você bota outra corda e você segue os moldes que já tá pronto. Só compro o material. O entralhamento da rede é por conta de cada pescador. Quem não sabe entralhar? Aí infelizmente vai ter que pagar 25 reais pra fazer um entralhamento desse. O pescador que não conserta a rede, a gente tem dito que ele não é pescador, ele é um destruidor. Que apesar que a rede tá barata, mas pra pescador arrecadar dinheiro pra sustentar a família e sustentar uma rede é meio difícil.
Localização
Descrição da atuação em rede
Dentro do artesanato pesqueiro, eu fabrico alguns tipos de rede. A caçeia e entralho qualquer tipo de rede. Quem faz isso, faz sozinho. Todo pescador de laranjeiras, além dele ser pescador, ele também, ele é artesão. Porque ele compra a rede e prepara a rede pra pescar. Ninguém compra rede pra pescar, já pra pescar. Porque cada pescador tem sua mania. A rede de camboa, você entralha ela prá ficar assim reta, já a caçeia é sob medida. Você pega na hora de entralhar a rede, você tem que fazer uma medida. Pronto, cada malha que você vai entralhar, você bota isso daqui, dá o nó, aqui, dá o nó. Você termina essa, você bota outra corda e você segue os moldes que já tá pronto. Só compro o material. O entralhamento da rede é por conta de cada pescador. Quem não sabe entralhar? Aí infelizmente vai ter que pagar 25 reais pra fazer um entralhamento desse. O pescador que não conserta a rede, a gente tem dito que ele não é pescador, ele é um destruidor. Que apesar que a rede tá barata, mas pra pescador arrecadar dinheiro pra sustentar a família e sustentar uma rede é meio difícil.
Aprendizado do bem
Eu fui através do meu pai. Eu comecei a fazer a minha primeira rede era em torno de 97, 98, lá em pedra branca. Porque ninguém começa fazendo rede, começa ratando o conserto. Porque tem pescador que tem vergonha de pedir ao outro pra ensinar. Aí tem um buraco, e no buraco não é fazer, é começar. Porque você, num buraco, você desmancha a malha que não tá cortada, mas tem que cortar prá completar o buraco. E todo buraco começa em cima e termina em baixo. Aí você tem a pegada aqui e tem que ter o terminal aqui. E quem nunca consertou e nunca coisou, aí com vergonha e vai fazer escondido, começa cortando e aí a rede fica toda pefiada, mas um dia ele vai conseguir. Quando ele consegue começar e terminar, ele já tem condições de começar uma rede dele mesmo. Quando ele começa a fazer uma rede, aumenta a mão-de-obra do pescador. Quando ela não ta pescando, ele tá fazendo rede. Aí complica mais a vida dele.
Transmissão de saberes
Eu tenho feito muita gente lá em pedra branca aprender a fazer rede. Inclusive, dentro do projeto que a gente ganhou com a petrobrás. . . Que a gente tá em questão com a petrobrás pelos danos causados. Então a gente pedimo, a petrobrás, uma recuperação dos danos causados. E esses danos causados que a gente pediu foi, entre eles, a parte de infra-estrutura e dentro dessa infra-estrutura tá o aprendizado de fazer rede, já bancado pelo próprio financiamento da petrobrás. E quem vai fazer isso? Quem vai fazer é um pescador mais velho. Aproveitar aí pra alfabetizar os pescadores, trazer de volta aquela comunidade que tinha tradição e hoje não tem mais.

