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Nome completo
Seu juca
História de vida
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 008 não foram observadas as origens da atividade de uma maneira em geral. Sobre a origem da atividade na localidade, (cubas, santa bárbara/mg), ver o item 9.1.
Localização
Aprendizado do bem
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 008 aprendeu a atividade na infância. O pai de jvl era dono de uma grande extensão de terras e possuía uma olaria nesse terreno. A olaria situava-se próximo à residência onde o pai de jvl morava com sua esposa e filhos. Enquanto o pai de jvl permanecia na olaria, a mãe do entrevistado pedia a ele que levasse café ao seu pai. Quando entregava o café ao seu pai, jvl podia observar as atividades realizadas na olaria. Ao observar essas atividades, aos poucos foi introduzido pelos funcionários nas técnicas relativas ao ofício de oleiro. Nas palavras do entrevistado: “eu não vou dizer que aprendi com o meu pai. Meu pai sempre teve olaria, mas ele mesmo não mexia lá. Eu passei a trabalhar na olaria do meu pai e então aprendi a mexer.” sobre o aprendizado das técnicas, suas dificuldades e exigências, jvl apresenta uma diferença fundamental entre o fazer do tijolo e o fazer da telha: o mais difícil disso aqui, é fazer aquelas telhas. Primeiramente, é feito uma chapa [comentário do entrevistador: referência a uma camada fina de barro moldada a partir de uma forma de ferro que possui o formato de um trapézio – vide glossário e catálogo de fotos] e depois que põe nessa forma [comentário do entrevistador: referência a uma fôrma de madeira que molda uma chapa de barro no formato de uma telha quando esta mesma chapa de barro é colocada por sobre essa forma. Para que a chapa não saia deformada, é preciso tirá-la no tempo certo e com muita precisão]. Põe lá no terreiro e puxa a forma, se a pessoa não tiver prática... Já isso aqui [comentário do entrevistador: referência aos tijolos], é mais fácil de fazer é só encher a forma e acertar direitinho, esse é mais fácil de aprender. A telha, a gente faz uma chapa e depois puxa numa forma de madeira e põe no chão e depois puxa a forma. Já a forma do tijolo não. Você enche a forma de barro e depois puxa a forma. Mas ela não tem como desmanchar, até porque o barro é mais firme. Outra coisa, você enche a forma, tira a forma e isso fica lá, né? Ele não tem aonde ‘arriar’, entortar, nem nada. E a telha não, a telha é fininha, ela entorta. Quando tira a forma, ela entorta. O aprendizado no ofício era conciliado com os estudos. Segundo o entrevistado: “antigamente menino trabalhava desde novo. Eu, por exemplo, vinha caminhando 6 km da escola [localizada em brumal, distrito de santa bárbara] até a minha casa. Eu descansava um pouquinho e ia para o serviço”.
Transmissão de saberes
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 008 sim, para confeccionar os tijolos e telhas jvl necessita de ajudantes. Como praticamente não existem pessoas capacitadas para exercerem essa função, sempre que recebe uma nova encomenda, necessita ensinar aos novos ajudantes as técnicas necessárias para a confecção desses materiais (tijolos e telhas). Ao perguntarmos a jvl se ele se considera um mestre, oficial ou aprendiz, logo no início da sua resposta afirma não se considerar um mestre , no entanto, o fato de praticamente não existirem pessoas que tenham os seus conhecimentos permite suspeitar ser ele, sim, um mestre. Diante dessa suspeita, o entrevistado comenta como se dá o processo de ensinamento do ofício e suas técnicas a outras pessoas: bom, mestre, mestre não [o entrevistado responde ao perguntarmos se ele se considera um aprendiz, oficial ou mestre]. Mas assim. Hoje em dia não tem ninguém mais que... Eu mesmo para fazer isso aqui. Eu costumo trazer trabalhador e eu tenho que ensiná-lo durante quase uma semana. Para eles conseguirem produzir ao menos um desse tipo, né, cara? Esse aqui [mostra um tijolo] foi um trabalhador que fez. Mas não foi bem feito, não. Pra você ver como temos dificuldade com relação a isso, né? Eu quase não aguento trabalhar com isso, para eu fazer isso é difícil pra mim. Então eu mando fazer, mas os caras custam a aprender. é difícil até ensinar. Para ele amassar isso lá [referência à pipa – vide glossário]. é raro você encontrar uma pessoa que consegue ‘temperar’ [vocabulário específico] o barro e colocar ele lá ó. Porque se você coloca o barro seco ele quebra a pipa, pois o cavalo não agüenta puxar. Ou então, se põe mole demais sai lama, você entendeu? é difícil a pessoa treinar para fazer argila. Para fazer certinho. Outra dificuldade está relacionada principalmente às telhas porque elas são feitas na forma. Faz em cima de uma banca e depois puxa. Além disso, o barro é molinho. Tem que ser mole, porque se ele for duro ele quebra, né? Há o tempo certo para puxar a forma. A forma sai e a telha já sai no seu formato. A forma não pode ficar lá. Quando tira a forma tem arreio [vocabulário específico do ofício] e eles [referência aos ajudantes-aprendizes] não sabem fazer, é difícil de achar gente que sabe fazer isso. [jvl continua a sua narrativa e faz uma reflexão sobre a sua condição de mestre] então, as últimas pessoas que trabalham com isso, eu as considero como mestres, por isso. Porque se eu estiver em qualquer lugar que tiver argila e for montar esses trem tudo, aquela pipa, o forno, as formas, a gente consegue, mas não é... [interrompe a narrativa para refletir] antigamente tinham mais pessoas que tinham mais perfeição para fazer... Segundo o entrevistado, além dos ajudantes que aprenderam as técnicas e o ofício com ele, seus filhos possuem o nível de conhecimento que jvl considera essencial para se trabalhar na olaria. Todos aprenderam o ofício com o pai ainda na infância. Apesar do conhecimento, eles trabalham na olaria de jvl apenas quando passam por períodos em que não encontram emprego ou quando estão de férias. Jvl comenta que, mesmo quando consegue um ajudante capaz de executar as atividades da olaria com habilidade e precisão, ele tem dificuldades em mantê-lo como funcionário por um longo período. A razão para essa evasão dos funcionários está relacionada a pouca demanda dos produtos. Essa pouca demanda o impossibilita de pagar bem os seus funcionários e assinar suas carteiras de trabalho. Diante dessa situação, os ajudantes quando recebem uma proposta melhor, deixam o serviço e partem para as cidades vizinhas, a fim de obterem melhores condições de emprego.

