Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Luiz
História de vida
Nada foi comentado acerca das origens da atividade.
Localização
Aprendizado do bem
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 009 começou a aprender o ofício aos sete anos de idade, ajudando o pai. Segundo luiz alixandre (la), seus “primeiros passos’” no ofício foram dados com o pai. Segundo la, a didática do pai era pedir-lhe que iniciasse alguma atividade em madeira e que ele, luiz alixandre, continuasse solitário a realização da atividade. Acrescenta que o aprendizado ocorreu dessa maneira, pois seu pai não podia dar-lhe muita atenção, já que tinha de retornar para as suas atividades. O pai de luiz alixandre ensinou-o atividades básicas, mas de fundamental importância para o ofício, tais como cortar madeira e furar. La classifica a forma como se deu o seu aprendizado nesse período como uma espécie de “brincadeira”, pois não tinha um caráter de obrigação. Nesse espírito de brincadeira, aprendeu a confeccionar os seus próprios carrinhos de madeira e os carrinhos de rolimã: o primeiro que fiz foi no “arco de pua” – ferramenta manual utilizada para fazer furos em madeira, antecessora das atuais furadeiras elétricas – furando, fazendo as rodas, não tinha essas rodas e rolamentos, eu fazia de madeira mesmo as rodas. Ainda no campo das relações familiares, la menciona o seu irmão mais velho como um importante orientador. Este se chama gercino e exerce a profissão de pedreiro. Após esse primeiro aprendizado com seu pai, la cita um senhor de barão de cocais como um importante orientador. La trabalhou com este senhor, conhecido como “zé da bina”, quando conseguiu o seu primeiro emprego como marceneiro em uma oficina de barão de cocais. Sobre o aprendizado com zé da bina, la declara: comecei trabalhando em barão numa oficina. Aí tinha um mestre lá que já estava velhinho já, mas ele queria que eu pegasse já trabalhando, mas ele não tinha paciência de ensinar não... Ele ia trabalhando e gostava que a gente desse o ritmo dele na sequência, entendeu? Ele não tinha muita paciência pra ensinar não. Tinha um tampo de mesa para cortar. Primeiro você tem que cortar, você não pode errar mesmo! Você pegou e tem que dar sequência. Além desses orientadores, teve a oportunidade de conhecer, no período em que trabalhou para o iepha, o mestre de obras paulo josé narciso, mestre artífice que revelou ser um profundo conhecedor das diversas técnicas construtivas tradicionais (vide questionário e relatório sobre paulo josé narciso). La disse considerá-lo também como um “pai” (vide também a relação entre pai e filho explorada no questionário e relatório etnográfico de rogério narciso, filho de paulo josé narciso). Se levarmos em consideração que o pai de la foi de extrema importância para a sua formação, é possível supor que, quando o entrevistado refere-se a paulo josé narciso como um pai, também o tenha como uma pessoa importante para a sua formação. A comparação dos dados de luiz alixandre ferreira com os dados de seu irmão, vicente de paulo ferreira, também entrevistado por nós, permite-nos perceber que o pai de ambos possuía um amplo conhecimento das técnicas construtivas utilizadas na época de sua atividade e que, além disso, ele foi de extrema importância para a formação de seus filhos em seus respectivos ofícios. Pode-se deduzir que este tinha amplo conhecimento pelo fato de que ambos os filhos aprenderam seus ofícios e técnicas com o pai, cada um exercendo uma função diferente: luiz alixandre ferreira na marcenaria e fabricação de adobe e vicente de paulo ferreira na fabricação de esteiras. (diga-se de passagem que o filho mais velho, gercino, pedreiro, infelizmente não foi entrevistado por nós.) la e vicente de paulo ferreira se consideram especialistas, cada um em seu respectivo ofício. Diferentemente do pai, que ensinou a eles diferentes técnicas, com as suas diversas especificidades e necessidades (ver, por exemplo, o tratamento e a forma de se retirar taquara para se fazer forro de esteira no questionário de vicente de paulo ferreira), o conhecimento mais especializado e direcionado dos entrevistados permitiu a eles atualizar e aperfeiçoar as técnicas aprendidas com o pai. Como disse la a respeito do aprendizado da profissão, foi o pai quem lhe ensinou os “primeiros passos”.
Transmissão de saberes
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 009 sim. La ensina principalmente às pessoas que trabalham com ele. Uma dessas pessoas, cujo nome é joaquim, é é considerada pelo entrevistado como um excelente marceneiro e obteve a sua formação durante os oito anos em quee trabalhou com o entrevistado. La considera joaquim um profissional que o superou nas suas habilidades. Comenta ainda, que ensinou a outras pessoas além de joaquim. Muitos deles pararam de trabalhar com ele: “uns já saem, eu não posso garantir... Mas pelo o menos alguma coisa eles pegam, né?”. Sobre o modo como ensina os seus ajudantes la diz: eu assim, pra estar ensinando mesmo, às vezes assim... Eu vou trabalhando e gosto que a pessoa vai pegando devido ao tempo. Se eu tenho uma peça pra entregar, aí, se eu vou estar parando para ensinar e ao mesmo tempo se for só para ensinar mesmo é uma coisa. Mas se você tem que entregar uma peça ali, aí você tem um tempo determinado, aí às vezes eu acho que esse lado meu fica meio perdido entendeu? Eu gosto que a pessoa pega ali eu trabalhando e já vai... Mesmo quando eu comecei a trabalhar foi assim. Quando eu comecei a trabalhar em barão [de cocais](...)

