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Nome completo
René Vieira Azevedo
História de vida
O entrevistado lembra-se da participação de sua família na Festa de Nossa Senhora da Conceição, ressaltando que todas as famílias da comunidade do Morro participavam: “então eu me lembro de muitas pessoas, muitas, cada chefe de família aí pelo menos eu acho que participou. Há uma importância, eu acho... (tosse) Perdão mais uma vez... da minha família. Minha família sempre foi muito ligada à igreja, né? Com doações, inclusive uma das doações importantes que eu me lembro, da minha avó que falava pra mim, que nós demos um órgão pra lá, que a minha mãe tocava órgão e piano e a minha tia também, né? Então elas tocavam esses órgãos, mas eu não quero nem falar da minha família, eu quero falar que eram todos assim.” Atualmente, René se lamenta por não poder ajudar tanto na organização da igreja e da festa, louvando os amigos Glória e Luiz, responsáveis pela igreja: “Mas, quer dizer, então eu fico naquela de: pô, eu gostaria, mas não vou participar da maneira que eu gostaria de participar, que é me doando por completo. Entende? Acompanhando cada passo. E eu não vou conseguir fazer isso, porque eu tenho outras coisas a fazer. Então, por isso, pra mim já é uma trava. Será que é isso mesmo? A gente fica até com dúvida sobre isso, sabe? Enfim, mas eu acho que ainda está em tempo de mudanças, e enfim, de organizar essa coisa aí. Eu acho que a gente tem aqui ainda hoje é que louvar, mais uma vez digo e repito, atitudes como a da Glória e do Luiz. Vem da mãe dela, do pai dela. O pai dela, como eu já disse aqui anteriormente, foi provedor aí na capela. A mãe dela foi tudo aí, zeladora, lavava, arrumava, e enfim, fazia de tudo aí a mãe da... a dona Aurora, a mãe da Glória, né? A Glória é colega minha de infância, estudamos juntos, brigamos juntos e brincamos juntos, né?”
Localização
Descrição da atuação em rede
René nasceu no Morro da Conceição, com ajuda de parteira, e sempre teve sua vida ligada ao local, estudando em colégios das redondezas. O entrevistado se recorda como era a vida no Morro durante a sua infância e juventude: “A vida aqui era muito boa, muito diferente da vida de hoje. Principalmente a rua, nós podíamos brincar mais na rua, se bem que as crianças hoje ainda continuam brincando na rua, mas com mais perigos, principalmente por causa dos carros. Quando, na minha época, havia muito poucos carros. Dois, três, no máximo, nessa rua. Então sobrava espaço pra jogar uma pelada aí e tal. Esse terreno aqui onde nós estamos, por exemplo, não havia praça, a praça tem cerca de, se eu não me engano foi inaugurada em 31 de março de 2005, e aqui era um terreno baldio, onde nós podíamos... era abaixo do nível da rua inclusive, coisa de três metros. Descíamos e brincávamos aqui no terreno mesmo. Aqui soltávamos pipa também, bola de gude, enfim, era a diversão de criança mesmo, né? De criança de... hoje, de subúrbio praticamente, porque aqui é realmente um oásis, no Centro da cidade, ter uma área onde possa se praticar esse tipo de lazer, né? E uma infância muito feliz, ‘haviam’, na minha época, profissões que hoje estão em extinção, tipo amolador de faca, geleiro! O cara vinha de manhã com um quilo de gelo embrulhado e deixava nas portas. Geladeira lá de casa por exemplo era assim, era movida a pedra de gelo, o cara botava, né? De repente você esquecia a pedra de gelo na porta, o sol batia, só pegava a armação do papel lá, do jornal, que o gelo já tinha derretido. Quê que eu posso lembrar mais daquela época, as calçadas eram usadas para coarar roupa, né? Nós jogávamos botão também, aqui nas calçadas, principalmente ali no 115, era um pouquinho mais alto ali também, facilitava. Tinha umas brincadeiras de, até à noite mesmo, de pique, enfim, descíamos o morro e subíamos o morro várias vezes, né? Enfim, era uma vida muito, muito feliz, aqui só tinha o armazém que ainda tem hoje, e tinha uma padaria onde hoje é o anexo da igreja, era um depósito de pão. Ali, o padeiro comprava alguns pães numa padaria lá embaixo, e distribuía, ia servindo de porta em porta. E nós éramos visitados aqui diariamente por verdureiros, fruteiros, peixeiros, enfim, eu não sei se eu posso acrescentar mais alguma coisa, mas o que vem na minha mente, na minha época de garoto, era mais ou menos isso.”

