Mapeamento do Forró no Rio de Janeiro

“Vim do Norte, o quengo em brasa
Fogo e sonho do sertão
E entrei na Guanabara
Com tremor e emoção
Era um mundo todo novo
Diferente, meu irmão
Mas o Rio abriu meu fole
E me apertou em suas mãos
Êh, Rio de Janeiro
Do meu São Sebastião
Pare o samba três minutos
Pra eu cantar o meu baião”
Trecho da canção “Baião de São Sebastião”,
composta por Humberto Teixeira em 1973
e gravada por Luiz Gonzaga.
Apresentação
As Matrizes Tradicionais do Forró se enraizaram no estado do Rio de Janeiro a partir dos caminhos abertos pelas migrações nordestinas ao longo do século XX. Em viagens muitas vezes tortuosas, realizadas em busca de trabalho e melhores condições de vida, desenharam-se novas formas de sociabilidade nas periferias urbanas, especialmente entre migrantes oriundos de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, que criaram redes de apoio, convivência e pertencimento cultural. Apesar dos caminhos abertos pelo Rei do Baião, a chegada de grande parte dos músicos nordestinos ao Rio de Janeiro foi marcada por inúmeros desafios e pela necessidade de atuar em diferentes atividades profissionais, sobretudo na construção civil e em serviços gerais, como forma de garantir o sustento e enviar recursos para os familiares que permaneceram em suas terras de origem.
No Rio de Janeiro, a Feira de São Cristóvão, organizada de forma espontânea a partir da década de 1940, consolidou-se como um importante ponto de encontro e referência para os migrantes nordestinos. Na capital e na região metropolitana, formaram-se núcleos de moradia em territórios como Rocinha, Parque União, Complexo da Maré, Rio das Pedras, Duque de Caxias, Nilópolis e São João de Meriti. A construção da Rodovia Rio-Santos, a partir da década de 1960, e a instalação das usinas nucleares de Angra dos Reis, a partir da década de 1970, também contribuíram para a intensificação dos fluxos migratórios em direção à região da Costa Verde.
Até a década de 1980, apesar do sucesso nacional de artistas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Anastácia, Jackson do Pandeiro e Elba Ramalho, o Forró no estado do Rio de Janeiro permaneceu mais associado aos espaços de convivência dos migrantes nordestinos, em contextos frequentemente periféricos e socialmente marginalizados.
Contudo, a partir da década de 1990, o gênero passou a alcançar novos circuitos culturais com o interesse de uma geração mais jovem de músicos, dançarinos e frequentadores do Sudeste. Bandas como Forróçacana e Raiz do Sana contribuíram para ampliar a presença do Forró em regiões centrais das cidades, ocupando casas de show, bares, festas e festivais, em um contexto no qual o chamado “forró universitário” passou a conviver com o “forró pé de serra”, vinculado às matrizes tradicionais nordestinas.
Os festivais de Forró tornaram-se cada vez mais presentes na cena cultural fluminense, com destaque para o festival de Aldeia Velha, no município de Silva Jardim, localizado entre as Baixadas Litorâneas e a Região Serrana, que se consolidou como um dos maiores do país. O movimento das quadrilhas juninas também se difundiu amplamente pelo estado, formando circuitos próprios de apresentações, concursos e festivais. Paralelamente, o Forró conquistou novos espaços por meio das práticas de dança, estruturando uma ampla rede de professores, escolas e grupos que promovem aulas, bailes e atividades culturais em academias, centros culturais e salões de dança.
Ao longo das décadas, o Rio de Janeiro consolidou uma ampla e diversa rede forrozeira, formada por músicos, compositores, quadrilheiros, produtores culturais, pesquisadores, mestres e frequentadores que mantêm viva a circulação do Forró em múltiplos territórios, ainda atravessados por diferentes contradições sociais e culturais.
conheça a seguir os 135 mestres que participaram do projeto:
Equipe Técnica
Acompanhamento e avaliação
Departamento de Patrimônio Imaterial - DPI/IPHAN
Pedro Clerot - Coordenador de Identificação (Coide/CGIR/DPI/Iphan)
Ali Neris - design
Superintendência do IPHAN no Rio de Janeiro
Edivaldo Rocha de Sousa Menezes
CNFCP/IPHAN
Ana Carolina Nascimento - Coordenadora de Pesquisa e Projetos Especiais
Raquel Dias Teixeira - Coordenadora Técnica
Coordenação geral
Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec)
Presidente da Acamufec: Célia Corsino
Coordenadora Técnica da Acamufec: Bete Vicari
Administrativo: Renata Alves
Equipe do Projeto
Assessoria Patrimônio Imaterial: Maria Elisabeth Costa
Coordenadora Técnica do projeto: Joana Corrêa
Coordenadores de Pesquisa: Edilberto Fonseca, Julia Andrade e Joana Corrêa
Assessoria de Geografia e Georreferenciamento: Julia Andrade e Gabriela Calafate
Pesquisadores Detentores: Josephane e João Antunes (Baixadas Litorâneas), Roberta Oliveira (Costa Verde), Marcus Lucena (em memória) e Leo Rugero (Serrana), Cassiano Beija-Flor e Neidinha Rocha (Metropolitana).
Pesquisadora convidada de inventariamento: Gabriela Calafate
Pesquisador convidado de geoprocessamento: Danylo Magalhães
Pesquisadores Assistentes: Ana Clara Cunha Oliveira Dias, Eduarda Manhães Santos, Ilana Musacchio, José Augusto Camargo de Almeida, Julia Barros Silvera dos Santos, Luiz Carlos Passos Soares da Silva Neto, Milena Barbosa, Milena Martiniano da Silva, Raiane Alabaces, Alice Saint Martin da Cunha, Claudiane Dias de Carvalho e Luan de Souza
Créditos Iphan
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministra da Cultura
Margareth Menezes
Presidente do IPHAN
Deyvesson Israel Alves Gusmão
Diretoria do IPHAN
Diretora do Departamento de Planejamento e Administração
Maria Silvia Rossi
Diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial
Marina Lacerda
Diretora do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização
Elisa Machado Taveira
Diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação
Cejane Pacini Leal Muniz
Diretor do Departamento de Assuntos Estratégicos e Intersetoriais
Daniel Borges Sombra
Departamento de Patrimônio Imaterial
Coordenação Geral de Identificação e Registro
Diana Dianovsky
Coordenação Geral de Promoção e Sustentabilidade
Aline Beatriz Miranda da Silva
Superintendência do IPHAN no Rio de Janeiro
Superintendente
Patrícia Regina Correa Wanzeller
Núcleo de Patrimônio Imaterial
Edivaldo Rocha de Sousa Menezes

Justificativa
A abrangência do forró no território brasileiro impõe dificuldades para a realização do inventário de uma expressão cultural praticada nas cinco regiões do país. Um mapeamento mais detalhado dessa prática e seus detentores no estado do Rio de Janeiro, que ficou em fase preliminar durante a instrução técnica para o Registro, constitui uma ação prioritária, de modo a construir um plano de salvaguarda com participação efetiva da comunidade de detentores e engajamento de instituições parceiras.
A ação visa, portanto, obter informações sobre a distribuição do Bem Cultural no estado, principais referências e características, constituindo também um diagnóstico do cenário vivenciado atualmente pelos detentores.
Metodologia
O Mapeamento das Matrizes Tradicionais do Forró no estado do Rio de Janeiro deverá contemplar um conjunto de 48 (quarenta e oito) municípios.:
◪ Região da Costa Verde - 3 municípios:
Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba.
◪ Região das Baixadas Litorâneas - 10 municípios:
Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba Grande, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Saquarema e Silva Jardim.
◪ Região Serrana - 13 municípios:
Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Macuco, Nova Friburgo, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Santa Maria Madalena, Sumidouro, Teresópolis e Trajano de Moraes.
◪ Região Metropolitana - 22 municípios:
Rio de Janeiro, Niterói, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Magé, Itaboraí, Mesquita, Nilópolis, Maricá, Queimados, Itaguaí, Japeri, Seropédica, Guapimirim, Petrópolis, Paracambi e Tanguá.
O Dossiê de Registro das Matrizes Tradicionais do Forró se baseou principalmente em pesquisas de campo realizadas nos estados da região Nordeste do Brasil
As atividades de pesquisa envolveram as seguintes etapas:
❶ Etapa
Mobilização das comunidades detentoras das Matrizes Tradicionais do Forró por meio virtual, a partir da realização de encontros reunindo detentores das quatro regiões do estado.
❷ Etapa
Realização de Pesquisa de campo nas quatro regiões, envolvendo: entrevistas, coleta de depoimentos, levantamento de polos de transmissão do saber, grupos, coletivos, quadrilhas, associações, redes e espaços de performance, identificação de lugares de referência, bens culturais associados.
➌ Etapa
Realização encontros regionais e estaduais
➍ Etapa
Sistematização da Documentação para inserção dos dados na plataforma do INRC
O projeto foi criado por demanda do Coletivo de Salvaguarda das Matrizes do Forró no Estado do Rio de Janeiro.






