
Apresentação
O projeto “Memórias da Capoeira em Minas Gerais: A voz dos mestres e das mestras” foi iniciado no ano de 2023, momento do início da tramitação do projeto na UFMG, com conclusão no primeiro semestre de 2026, a partir de uma parceria estabelecida entre o Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG, o IPHAN-MG e o Coletivo da Salvaguarda da Capoeira de Minas Gerais.
O projeto consistiu na realização de um conjunto de 25 retratos audiovisuais com mestras e mestres de capoeira, representando todas as 13 mesorregiões do Estado de Minas Gerais, valorizando, portanto, a transmissão oral dos saberes, bem como, a igualdade de importância entre a voz falada, a história de vida dos mestres, o canto e a expressão musical com os instrumentos, especialmente o berimbau. Os mestres foram indicados pelo Coletivo da Salvaguarda da Capoeira de Minas Gerais.
O projeto foi firmado por meio de um TED (Termo de Execução Descentralizada) entre o Iphan e a UFMG, executado através de um projeto de extensão com o mesmo nome, coordenado pelo prof. Pedro Aspahan, da Escola de Belas Artes, que também dirigiu a série audiovisual, juntamente com o prof. César Guimarães, do curso de Comunicação Social, Fafich, UFMG.
Além dos 20 retratos acordados inicialmente, o laboratório realizou mais 4 retratos com mestres que já tiveram participação nas aulas da Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG, além de um 25º retrato realizado a partir da edição de material captado e disponibilizado pelo Iphan com o mestre Toninho Cavalieri, em memória.
Por fim, realizamos ainda um filme de longametragem que ganhou o título de “Tudo que Capoeira Toca” (2026, 80′, César Guimarães e Pedro Aspahan), que está em processo de finalização e de distribuição para os festivais de cinema.
Veja a seguir o retrato audiovisual de cada um dos 25 mestres que participaram do projeto:
Equipe Técnica
Direção
Pedro Aspahan
César Guimarães
Entrevistas
César Guimarães
Produção
Ana Carolina Antunes
Som direto e finalização de som
Leonardo Rosse
Câmera e montagem
Pedro Aspahan
Assistência | bolsistas
Camila Besamat
Giovanna Villefort
Laryssa Gabrielly
Mariana Amador
Gabrieu Augusto
Helena Duarte do Pateo
Mobilização
Mestre Costela
Contramestre Tuchê
Apoio
Estação Ecológica da UFMG
NAV – Núcleo de Antropologia Visual UFMG
Comissão coordenadora da formação
transversal em saberes tradicionais
Luciana de Oliveira | DCS | FAFICH | Presidente
Janaina Barros Silva Viana | EBA
Maria Aparecida Moura | ECI
Maria Auxiliadora Drumond | ICB
Renata Moreira Marquez | EA
Coordenação editorial
André Brasil
Coordenação audiovisual
Pedro Aspahan
Gestão financeira
Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade
Realização
Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG
www.play.saberestradicionais.org
Escola de Belas Artes UFMG
FAFICH UFMG
PROGRAD | PROEX | UFMG
Coletivo da Salvaguarda da Capoeira em Minas Gerais
IPHAN-MG
Créditos Iphan
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministra da Cultura
Margareth Menezes
Presidente do IPHAN
Leandro Antônio Grass Peixoto
Diretoria do IPHAN
Diretora do Departamento de Planejamento e Administração
Maria Silvia Rossi
Diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial
Deyvesson Israel Alves Gusmão
Diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização
Andrey Rosenthal Schlee
Diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação
Desiree Ramos Tozi
Diretor do Departamento de Assuntos Estratégicos e Intersetoriais
Daniel Borges Sombra
Departamento de Patrimônio Imaterial
Coordenação Geral de Identificação e Registro
Diana Dianovsky
Coordenação Geral de Promoção e Sustentabilidade
Alessandra Rodrigues Lima
Superintendência do IPHAN em Minas Gerais
Superintendente
Daniela Lorena Fagundes de Castro
Coordenador Técnico
Rômulo Augusto Drummond
Coordenador Administrativo
Paulo José de Souza
Superintendência do IPHAN em Minas GeraisEquipe de Patrimônio Imaterial
Tainah Víctor Silva Leite
Vanilza Jacundino Rodrigues
Letícia Rosa | Estagiária

Justificativa
Em 2008 o Iphan registrou a Roda de Capoeira e o Ofício de Mestre de Capoeira como Patrimônios Culturais Brasileiros, inscritos respectivamente nos Livros de Registro das Formas de Expressão e dos Saberes. De acordo com as diretrizes determinadas para a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial em âmbito nacional, o requisito para o início de ações sistemáticas de apoio e fomento a uma prática cultural é a sua inscrição em um dos Livros de Registro do Iphan. A partir daí, Iphan, detentores e detentoras do bem cultural registrado, segmentos sociais e instituições envolvidas precisam estar mobilizados e articulados no sentido de planejar e executar ações que viabilizem a continuidade da prática objeto de Registro, em uma interlocução continuada entre Estado e sociedade.
A partir do Registro da Roda de Capoeira e do Ofício de Mestre de Capoeira, o Iphan realizou, em Minas Gerais, várias ações no sentido de sua divulgação, apoio e fomento, orientadas por um Plano de Salvaguarda com vistas à sustentabilidade dessas práticas culturais, constituindo-se um coletivo composto por mestres/as, praticantes, professores/as, alunos/as, pesquisadores/as e representantes de órgãos públicos que, reunindo-se periodicamente, é responsável pela definição dos rumos das ações que visam o apoio e fomento da prática no estado.
A partir desse esforço de constituição de uma memória da capoeira em Minas Gerais, o Iphan nos procurou, reconhecendo a qualidade do nosso trabalho e identificando uma estreita afinidade entre o trabalho audiovisual que vimos desenvolvendo junto ao Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG e os objetivos de documentação e divulgação dos saberes da Capoeira junto ao patrimônio imaterial brasileiro. Nesse sentido, o Iphan nos propôs a constituição de um TED (Termo de Execução Descentralizada), a ser firmado em parceria com a PROEX, com aporte de recursos geridos pela FUNDEP, para a execução de um conjunto de 20 retratos audiovisuais de mestres de capoeira de todo o estado de Minas Gerais. Além da edição de um retrato já filmado por eles e de um vídeo-síntese, reunindo todo o material captado. Os mestres serão indicados pelo coletivo, que deve acompanhar de perto nosso trabalho, indicando questões a serem feitas aos mestres, além de contribuir na formulação do roteiro e da edição final do video-síntese.
Em termos de metodologia, acreditamos que a parceria entre o IPHAN MG e a UFMG será extremamente profícua em função da afinidade entre os objetivos de defesa da memória imaterial de mestras e mestres de saberes tradicionais e os métodos e práticas desenvolvidos pelo Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG desde 2014, especialmente, no que diz respeito aos processos audiovisuais com os quais o Programa vem trabalhando na realização de retratos audiovisuais de mestras e mestres.
Um conjunto de retratos pode ser acessado no link a seguir, como referência ao formato audiovisual que propomos: https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos/
Também desenvolvemos uma elaboração conceitual sobre o processo de trabalho audiovisual com mestras e mestres dos saberes tradicionais no programa no texto:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
Metodologia
A metodologia audiovisual desenvolvida pelos Saberes Tradicionais para a realização dos chamados Retratos Audiovisuais foi conceituado no artigo:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
“A rigor, o que fazemos quando construímos os chamados retratos das mestras e mestres não é bem uma entrevista, pois não se trata de simplesmente conduzir um jogo regulado de perguntas e respostas. Se permanecemos no fora-de-campo e elidimos nossas intervenções na montagem é porque elas se querem simplesmente indutoras de uma fala que permita aos mestres discorrer sobre sua formação e o processo de aquisição dos saberes do quais são portadores, o adensamento de suas experiências ao longo da vida, bem como as vinculações de sua história pessoal com a história mais longa das comunidades a que pertencem. Procuramos um desvio do regime da informação, sustentando uma mediação discreta (na qual predominam mais os comentários do que as perguntas) capaz de reforçar o valor de presença (contigencial, singular, não controlada) daquele que toma a palavra para si. Necessidade, portanto, de afirmação da auto-mise-en- scène na construção conjunta do retrato. Nesse sentido, convidamos o espectador a uma experiência de escuta paciente no encontro com a duração fabuladora e de rememoração da fala das mestras e dos mestres. Ao escutá-los, participamos, por um instante, de outra temporalidade, compartilhada conosco por meio do regime oral de transmissão dos saberes.
A composição do retrato audiovisual é aparentemente simples, mas o resultado para a experiência do espectador é bastante significativo. O que chamamos de retrato é a apresentação de uma conversa com as mestras e mestres, na qual escutamos um pouco de suas histórias de vida; abordamos sua relação com os ancestrais dos quais herdaram os saberes, atitudes e valores que definem sua mestria (bem como as condições atuais para a sua transmissão para os mais novos); pedimos que apresentem ao espectador a cosmovisão que orienta seu saber e os outros elementos a ele associados (as narrativas míticas, os cantos, as rezas, as práticas rituais, os jogos e as danças). Falamos também do que acharam da experiência pela qual passaram na universidade, na sua relação com os alunos, e das condições (com dificuldades e possibilidades) para a sustentação e a disseminação dos saberes tradicionais na sociedade brasileira atual.” (ASPAHAN, GUIMARÃES, 2020, p. 251-252).
Quase não editamos as falas, em busca de preservar a integridade do discurso dos mestres, utilizando apenas subtítulos para separar as sessões.
Veja alguns retratos em https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos
Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG
O Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais foi criado na UFMG em caráter experimental em 2014. Este programa encontra-se em diálogo e se inspira na proposta do Encontro de Saberes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCTI) de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB). Ao conceder hospitalidade aos saberes das culturas afrodescendentes, indígenas e populares, o projeto procura abrir a universidade a experiências de ensino e pesquisa pluriepistêmicas. Os cursos são oferecidos às alunas e alunos de todas as graduações e pós-graduações da UFMG. O Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais vem atuando na realização de filmes documentários, retratos audiovisuais e videoaulas com mestras e mestres dos saberes tradicionais desde 2014.
Conheça mais produções em: www,play.saberestradicionais.org
Retratos Audiovisuais





