Informações
Projeto relacionado
Outros nomes do bem cultural
Não há.
Categoria de bem cultural
Descrição
características gerais:
coroa vermelha, faixa litorânea ao sul do município de santa cruz cabrália, correspondente à terra indígena de coroa vermelha (gleba a). a área de aproximadamente 70 ha está limitada ao norte pelo braço direito do rio mutari, a oeste pela br-367 e ao sul pela ponta do mutá. como representado pela cruz monumental ali erigida, trata-se de lugar relevante à formação da nacionalidade brasileira por ter sido o local da primeira missa, uma “paisagem monumento” que evoca os fatos ocorridos no istmo e no ilhéu em 26 de abril, domingo de páscoa, do ano de 1500. coroa vermelha está inserida no processo de urbanização de santa cruz cabrália, voltada ao turismo, como bem revela o projeto orla. sua configuração contemporânea corresponde ao complexo sistema de relações inter-étnicas, marcadas por conflitos mal resolvidos entre índios, não-índios e agências governamentais. alvo de múltiplos interesses, inserida em área de grande especulação imobiliária, faz parte de parque temático, definido pelo prodetur como área de proteção ambiental e de terra indígena. para os pataxós, sua presença em coroa vermelha (local bastante procurado pelos turistas) é poderoso elemento de legitimação de seus direitos, de sua identidade e de sua subsistência, sobretudo no que se refere à produção e à comercialização de seu artesanato. a aldeia de coroa vermelha se define por três características básicas indissociáveis: 1) no plano econômico, pela absoluta prevalência da produção e do comércio de artesanato voltado para o público turista, ao qual se agregam outras modalidades de comércio e serviços, como comidas e bebidas , 2) no plano espacial, caracteriza-se por dispor de duas áreas de ocupação distintas, uma delas urbanizada , 3) no plano das representações simbólicas, trata-se do lugar histórico do encontro inaugural entre portugueses e indígenas, e, em especial, o lugar onde esse encontro viveu seu contexto maior de realização ritual1. andrade e arantes ltda – consultoria e projetos culturaispágina page 1 de numpages 6 notas: 1 eia/rima do memorial do encontro p. 235-236 (ver ba-01-00-00-f10-a1-nº 122).
marcos naturais e/ou edificados:
a planície costeira de coroa vermelha tem segmentos quaternários deixados pela última transgressão marinha e regressão subseqüente (holoceno), formando terraços arenosos, com restingas úmidas, brejos e mangues. a planície avança no mar formando um istmo junto ao banco de corais paralelo à costa. dos ecossistemas naturais, permanece apenas pequena mancha de restinga arbustiva com mangue e brejo entre os rios jardim e mutari, ao norte da gleba oa da terra indígena. local vem passando por grandes transformações (retirada de comerciantes e moradores não-indígenas, implantação de infra-estruturas, deslocamento de moradias, construção de museu) em razão das comemorações do v centenário do descobrimento, o que impossibilita uma descrição precisa das edificações. até 1999, as casas e os pontos comerciais concentravam-se no eixo da estrada que liga a br-367 a cruzeiro. os quintais das casas ali situadas serviam para coleta de matérias-primas, criadouro de animais e acesso ao rio jardim e à praia. perto da cruz ficavam as barracas de comércio indígena. na porção sul da praia concentravam-se os maiores restaurantes (de não-índios). todas as construções encontradas foram edificadas a partir da década de 1970. segundo a tradição oral, havia uma antiga capela nas proximidades da praia, cujas telhas teriam sido decoradas com a cruz de malta. levantamento arqueológico na região não identificou nenhum artefato ou outros indícios de construções1. notas: 1 ver eia/rima do memorial do encontro (ba-01-00-00-f10-a1-nº 122).
agenciamento do espaço:
para usos diferenciados toda a região de coroa vermelha pode ser considerada, por seu elevado valor simbólico, como o sítio histórico do encontro dos portugueses com os índios e também da primeira missa em solo brasileiro – ainda que não se tenha encontrado ali evidências materiais desses acontecimentos. a evocação da paisagem natural (sobretudo a praia e o istmo) como sendo idêntica àquela de 500 anos atrás é reforçada pela presença dos pataxós, vistos pelos turistas como os índios encontrados por cabral. as cabanas “tipicamente indígenas” colocadas próximas à cruz, erigida cerca da praia, dão a impressão de materializar o encontro e a missa, o contato inter-étnico, a colonização. mais que isso, a composição dos elementos e seu uso pelos pataxós é vital para a sobrevivência e a identidade desse grupo, conforme fica evidente em encenações indígenas como a da “primeira missa”, que ocorre em 26 de abril, e diariamente no contato com os não-índios.

