Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Divino balaieiro
História de vida
A atividade iniciou para forrar o telhado das casas. “faltava alguma coisa para forrar a casa , por exemplo, vinha uma ventania fazia muito frio, aquilo não era bom. As telhas pingavam, serenavam. Então inventaram o forro para forrar a casa”. Em cocais, os primeiros foram: pedro martins, djalma, joaquim brasileiro, enéas e lilino. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 001
Localização
Aprendizado do bem
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 001 segundo divino ferreira (o entrevistado) a região de cocais sempre foi muito rica em taquarais e bambuzais (se não me engano ele fala isso logo no início , apenas disse com as minhas palavras). Essa riqueza permitiu àqueles que se interessaram pelo ofício aprendê-lo e realizá-lo. Assim, a primeira vez que viu uma pessoa tecendo um forro de taquara, tinha apenas cinco anos de idade. No entanto, com essa idade não teve oportunidade de aprender. A primeira pessoa que ele viu tecendo um forro foi o falecido senhor djalma. Na opinião do entrevistado, senhor djalma não permitia às pessoas aprenderem a técnica de trançar o forro, pois senhor djalma trançava o forro de maneira muito apressada. Divino ferreira comenta que senhor djalma percebia o interesse das pessoas à sua volta, porém não tinha a generosidade em ensinar-lhes de forma didática e paciente. Segundo a leitura do entrevistado senhor djalma tinha medo das outras pessoas tomarem o serviço dele. O entrevistado menciona que o elemento principal para se habilitar no ofício é o interesse e a vontade de aprender. Divino ferreira comenta que havia várias pessoas em cocais que realizavam o ofício, mas que não tinham paciência em ensinar. Independentemente desse quadro pouco favorável para um aprendiz, ele sempre teve curiosidade em aprender a trançar forro. Para aprender observava atentamente como os trançadores de forro trançavam a esteira, porém, todo o seu esforço era em vão, pois não conseguia aprender. O método que o entrevistado inventou para começar a aprender a trançar esteiras era desfazendo um forro velho e tentando refazê-lo. “eu desmanchava forro velho e fazia novo, mas nunca que saía igual... Trançou a primeira esteira aos dez anos de idade. O entrevistado não a considerou como um forro para o teto, pois ela servia apenas para forrar carro de boi. Ao perguntar a divino ferreira se nesse período ele realizava outros tipos de trabalho com taquaras e bambus, ele responde que produzia cercados de bambu utilizados na beira de hortas, em carros de boi, divisas de terreno. Com essa produção conseguia algum vintém. Essa situação começou a mudar quando, com 14 anos - período em que trabalhava como tocador de vaca - apareceu uma senhora em cocais, conhecida como “natividade” oriunda de bom jesus. Foi observando essa senhora que conseguiu entender qual era o mecanismo utilizado para trançar o forro de esteira. Ela o ensinou a realizar o trançado intitulado: “forro bordado”. Foi com 14 anos que divino ferreira trançou a primeira esteira que considerou como pronta para ser vendida. Com essa idade o entrevistado era capaz de realizar os trançados assim denominados por divino ferreira: quadro bordado, caracol, escama de peixe, cruzeiro do sul e cruzeiro do norte. à medida que os anos passaram, desenvolveu suas habilidades. Atualmente é capaz de trançar 50 tipos distintos de figuras nas esteiras. Aprendeu esses desenhos devido à exigência dos seus clientes. Os clientes reclamavam da repetição dos desenhos por parte das pessoas que faziam esteiras, propunham novos desenhos ao entrevistado e este topava o desafio proposto pelos clientes. Dessa forma, forçou-se a criar novos desenhos. Disse-nos que há um novo desenho que está prestes a sair. Provocou-nos dizendo que provavelmente quando realizarmos uma nova visita esse desenho já estará pronto.
Transmissão de saberes
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 03 10 q60 001 sim. Gosta de frisar que diferentemente dos mestres antecessores - que não gostavam de passar o conhecimento para outras pessoas - sebastião ferreira diz que enquanto aprendiz sempre gostou de aprender e ao mesmo tempo de repassar o seu conhecimento para outras pessoas. Cita como exemplo de alunos: joão augustinho (cocais), adão (brumal) e um terceiro localizado na cidade antônio dos santos (nome do aluno não mencionado). Ensinou ainda para a sua filha cristiane – a única dos seus seis filhos que aprendeu a trançar forro de taquara. Sua filha aprendeu o ofício mais nova que o pai. Com apenas cinco anos de idade já sabia trançar forros e com seis anos fazia forro para vender. Ela aprendeu ficando próxima do pai enquanto este trançava esteira. Observava atentamente. Aprendeu a trançar por tentativas – errando e acertando – juntamente com a orientação do pai, sempre ao seu lado. Cristiane é considerada pelo pai como uma exímia tecedora de forros. é preciso mencionar que ela ajudou o pai no período em que ele tinha muitas encomendas. Cristiane comenta que em vários desses momentos tirava notas baixas na escola, pois ficava até meia noite tecendo esteiras juntamente com seu pai. Além desses aprendizes, divino enfatiza a sua vontade em continuar a ensinar outras pessoas a trançar forro de taquara. Porém, queixa-se que não há interesse das pessoas em aprender o ofício devido à sua desvalorização atual. Diante dessa situação, crê no término dessa atividade.

