Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Godinho
História de vida
● o entrevistado nos respondeu a essa questão da seguinte maneira: “antes de 1990 eu não conhecia ninguém que fazia esse tipo de trabalho. Só a igreja [atualmente conhecida como capela do rosário] mesmo que eu sei. Alguém aqui trabalhou com certeza, aqui nas cidades, alguém deve ter trabalhado naquela igrejinha também [igreja não identificada] como várias das igrejas aqui da região, né? Mas, foi mesmo de 1990 para cá que deu essa efervescência”.
Localização
Aprendizado do bem
3 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 003 ● em 1991 um amigo de infância de josé de fátima (jf) que atende pelo nome de davi – considerado um importante escultor em pedra da cidade de coronel xavier chaves – convida jf para trabalhar na sua oficina de “artesanato em pedra” – expressão local. ● jf aceita o convite do amigo e começa produzir as suas primeiras peças. Combinou com o amigo que podia trabalhar apenas seis horas por dia, pois estudava à noite – cursava engenharia elétrica na funrei. Seu expediente nesse período era de 8h00min até 15h00min. ● inicialmente, davi propôs ao entrevistado que pagaria a ele um salário por mês. Jf aceitou a proposta. ● a primeira peça proposta por davi para que jf executasse foi uma pia batismal. Segundo o entrevistado, foram necessários três meses para aprender e executar a peça. Jf relatou que davi riscava os locais de corte na pedra para o amigo cortá-la. Assim, o entrevistado foi aprendendo e aperfeiçoando a técnica. Sobre esse período inicial comenta: “foram com três meses que eu fiz uma pia batismal. Eu disse para o davi: - ‘ó davi esse trabalho não vai dar para pagar aquilo que você está investindo em mim’. Eu já tinha quase três meses e ele me pagava um salário, eu falava: - ‘essa pia não vai valer os três salários’. A pia rendeu então nove salários. Ele ficou rindo à toa. E eu mais ainda, pois o serviço saiu de boa qualidade. Deu certo, não deu prejuízo para ele. O investimento valeu a pena para ele e eu pensei: - ‘sendo assim, ele vai me dar mais serviço’. Foi aí, depois dessa primeira peça aí que apareceram outras encomendas. Passei a fazer pias, bancos para jardins, coluna e soleiras” ● jf nos relata que durante os dois primeiros anos trabalhando com davi, de 1991 – 1993 todas as peças eram executadas manualmente, apenas com o uso de marretas, marteletes, ponteiro e entalhadeira. Sobre esse período da sua vida profissional e de aprendizado nos fez o seguinte relato: “nos dois primeiros anos o trabalho era só manual, com a marreta, o ponteiro e a entalhadeira. No início foi bem difícil. Tinha dia que dava vontade de ir embora e não voltar mais não. Porque a pedra é muito dura, então rende muito pouco o trabalho, a gente fica batendo o dia inteiro ali. E no final do dia a gente vê que tínhamos pouco serviço. Daí você vê que a produção era pequena. Eu me lembro. A pedra era muito dura. A experiência que eu tinha não era nenhuma ainda. Eu machucava muito a mão. às vezes a marreta batia, o ponteiro escapulia e pegava na mão. Eu ficava todo machucado. Porém, o pouco que a gente conseguia produzir, nós conseguíamos um bom preço”. ● segundo o entrevistado, paciência e força de vontade são qualidades essenciais para se conseguir aprender e progredir no ofício. ● em1993, davi comprou um compressor e marteletes pneumáticos para acelerar a produção da oficina. Foi nesse período que josé de fátima, pode aprender a lapidar a pedra com esse maquinário, aspecto até então novo para jf. ● segundo jf a diferença da produção manual para a produção feita a partir do uso desse maquinário pode ser entendida da seguinte forma. Sob a ótica do entrevistado: “por exemplo, uma peça que gastávamos um mês para fazer manualmente, em uma semana essa mesma peça era feita com o martelete pneumático”. ● em1995, jf sai da oficina de davi e passa a trabalhar na oficina de josé maria mendonça chamada “zé maria mendonça antiguidades”, sobre a experiência nessa oficina e o aprendizado que teve durante os anos que ali trabalhou nos foi descrito da seguinte maneira por jf: “com o davi eu dei os meus primeiros passos. Com josé maria mendonça eu já consegui uma técnica boa. A melhor escola que eu tive foi lá. Porque lá a gente era obrigado a trabalhar com medidas exatas, entendeu? Nós trabalhávamos sob encomenda. Então eu já comecei a trabalhar encima dos projetos. Então éramos obrigados a trabalhar com medidas exatas. As medidas tinham que ser encima do que estavam nos pedidos dos projetos. Aí eu fui obrigado a aprender, a adquirir rápido essas técnicas. E lá era alta produção. Lá eu não estava para aprender mais, eu estava para produzir mesmo. Já era fábrica mesmo, a gente não podia errar. Porque se errarmos a gente perde a pedra. Aí o patrão já vem e puxa a orelha, já ‘alopra’ né? Lá tinha o encarregado, que qualquer dúvida ele ajudava, ele dava algumas dicas e nós tínhamos que descobrir as coisas sozinho. Se era peça com esquadro tinha de ser com o esquadro, se fosse coluna, chafariz. Lapidar a pedra, a face dela devia ser tudo super certinho, não podia ter um empeno não podia ter nada, fazíamos isso numa régua. Igual um pedreiro mesmo para fazer uma parede mesmo, tinha que ser impecável mesmo. Essa foi a minha principal escola”. 4 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 003
Transmissão de saberes
● sim ● segundo o entrevistado, teve a oportunidade de trabalhar com 10 profissionais. 5 destes profissionais ainda continuam a trabalhar na sua oficina e 5 deixaram a oficina. Menciona que das cinco pessoas que passaram pela sua oficina 4 delas atualmente continuam a exercer a profissão. Citou os seguintes nomes: claudiano mendonça, luciano assunção, agnaldo e joão bosco. ● o entrevistado comenta que nenhuma dessas pessoas possui relação de parentesco com ele.

