Informações
Projeto relacionado
Nome completo
O entrevistado comentou que participa de um grupo de motociclistas que se chama “os vampiros” cada membro desse grupo possui um apelido que faz referência ao ofício. Como trabalha com fundição, o entrevistado passou a ser chamado de “vamp fundi”.
História de vida
● “aqui em são joão del rey a origem da fundição é antiga. Quando os italianos vieram para cá, eles montaram as fábricas de tecido por volta de 1881. Como o maquinário era todo inglês, francês e alemão. Eles começaram a fazer pequenas fundições para fazer as peças para a manutenção dos teares. Inclusive o pai do técnico de futebol telê santana, foi fundidor aqui em são joão del rey. Ele tinha uma pequena fundição e fazia peças para as fábricas de tecido. Depois tivemos o ciclo da casteria, em que você obtém o estanho. A casterita é um minério do estanho, então veio aquela corrida, do pós-guerra, aqui na região, por que aqui na região saiu muito ouro e muita casterita. A fundição de casterita em minas gerais é só aqui. Vinha casterita de rondônia, do peru, do pará para fundir”. ● observação do entrevistado sobre os sinos que se encontram em são joão del rey e no brasil de uma maneira em geral: “todos os sinos de são joão del rey vieram de fora. O brasil foi fundir sino na década de 1940, as coisas aqui demoraram a alavancar. O brasil começou a produzir as coisas mesmo depois da segunda guerra. Tudo era importado, gasolina era importada. Os sinos que chegaram a produzir aqui não eram sinos sonoros. Isso leva anos para você fazer um sino tocar. Você pode ver que os sinos das igrejas de s joão del rey são todos antigos. Eles possuem 100 anos, oitenta anos, feitos na europa, das escolas de sino. Esses sinos não foram curiosos que fizeram. Aquele que nós acabamos de derreter você viu a data dele, 1865. Um sino feito lá em portugal. Vocês deviam ter visto, tinha o nome da rua, da fundição. Para você ver que aquilo não tem nada a ver com o brasil. O brasil não fabricava isso. Isso era segredo. A origem dos sinos começou com os monges com a necessidade de se fazer a anunciação das missas e das celebrações. Os monges foram os primeiros fundidores...”
Localização
Aprendizado do bem
● “o aprendizado veio através do período que eu trabalhei como empregado. No total foram 13 anos trabalhando como empregado. Dali eu fui tirando conhecimento. O interesse estava comigo, a curiosidade. Aí o chefe ali da área, o encarregado me colocava para realizar as tarefas, as funções. E eu era jovem, afoito, curioso, então eu passei a tomar gosto pela profissão”. ● o entrevistado iniciou a sua vida profissional quando tinha 15 anos de idade – vide item 5.4. ● mencionou o senhor josé rosa sobrinho (natural de divinópolis e já falecido) como um grande mestre de fundição. Teve oportunidade de conhecê-lo quando trabalhou em metalúrgicas de belo horizonte em 1970. ● josé rosa ensinou ao jovem os passos para se dominar as questões centrais para se trabalhar com a fundição. ● sobre o aprendizado com josé rosa, comenta o entrevistado: “ele foi uma pessoa que me ensinou muito. Foi um companheiro, foi um amigo apesar da idade avançada. Ele pegava uma peça diferente para realizarmos a fundição, então ele me convidava para participar. Para a elaboração daquele modelo. Para a moldagem, para a fundição. Eu sempre estava junto com ele. Fazíamos peças grandes. Com isso eu tive uma noção sobre o que é calor. Por que com a fundição você deve saber dominar o calor. Saber a hora, o ponto certo do vazamento...”. ● além dos ensinamentos de josé rosa, o entrevistado comenta que parte da sua formação e conhecimento parte de uma busca pessoal, autodidata para aprimorar o seu saber. Sobre isso, comenta o entrevistado: “o conhecimento autodidata, ele vem... Você tira o que sobrou, o que é bom daquele fracasso, aí você aplica. A gente erra muito, peca muito, então você tira aquilo que é ruim e tenta fazer em uma nova tentativa”.
Transmissão de saberes
● sim. ● o entrevistado mencionou que algumas pessoas trabalharam com ele por 16 anos, porém, elas foram trabalhar em outra área. Além dessas pessoas, quem aprendeu o ofício e continua a exercê-lo é seu filho de 32 anos que atende pelo nome de clayton. ● além das pessoas mencionadas acima o entrevistado ministrou oficinas nos anos de 1980 na universidade federal de são joão del rey – antiga funrei – sobre fundição. 3 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 010

