Informações
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Nome completo
Tonho
História de vida
● “eu acredito que pelo menos aqui na região, foi assim que os bandeirantes passaram por aqui, deve ter começado ali. Na medida em que foi construída a primeira casinha eu acho que foi que começou o serviço de marcenaria. Com uma ferramenta de corte, no mato, pra cortar um pau, pra fazer uma coluna, para fazer uma barraca. Eu acho que começou por aí...”.
Localização
Aprendizado do bem
3 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 011 ● o entrevistado aprendeu o ofício ainda na infância freqüentando a marcenaria de seu pai, este era conhecido como: geraldo militão da silva. Sobre isso comenta: “eu fui nascido e criado dentro de uma marcenaria... é por isso que eu te falo, se você falar: - ó seu luís, eu preciso fazer um serviço que ninguém está querendo fazer aí por que é um serviço antigo. Eu falo: - olha posso não fazer agora mas eu dou um jeito. é por que está apurado, todos os tipos de técnicas. Porque a gente foi nascido e criado dentro de uma coisa aprendeu desde pequeno você tem profundidade da coisa, entendeu?” ● produziu as suas primeiras peças com treze anos de idade. ● segundo o entrevistado a iniciação de uma criança ou jovem dentro de uma marcenaria se processa da seguinte maneira: “eu vou te falar até hoje a sequência que é repassada para um garoto dentro da oficina. Ele chega, ele vai varrer, observar as pessoas trabalhando, vai carregar... –‘ah vai carregar isso daqui para lá’. Começa assim, só observando, aí você aprende a ligar uma máquina. Você sente uma satisfação em aprender a ligar uma máquina...” ● após aprender as primeiras atividades dentro da marcenaria – varrer, carregar peças e ligar máquinas – o pai geraldo militão sugeriu ao filho que começasse a aprender a técnica do entalhe em madeira. “...Meu pai queria muito que eu começasse a entalhar, aí tinha o mestre lá, trabalhava para ele lá, e meu pai dizia: “você vai varrer e de vez em quando você ficará mais perto dele”. Então eu o via desenhar, via aquela... Começava a desenhar junto dele e aí a coisa foi fluindo... Aí depois, quando você desenhava o mestre dizia: - ‘esquisito, você para desenhar tem uma mão melhor do que a minha’. Acho que por que você está mais novo, está com uma vista melhor, é por isso...”. 4 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 011 ● geraldo militão – pai do entrevistado – possuía um empregado que, do ponto de vista de luis antônio da silva este empregado era um grande mestre do entalhe. Esse mestre era conhecido como: totonho andrade. Apesar da importância dessa pessoa para o entrevistado, este não nos soube informar sobre o nome completo de totonho andrade. ● comentário do entrevistado sobre a figura do mestre que lhe ensinou a técnica do entalhe, a relação da pessoa deste mesmo mestre com a técnica e observações do entrevistado sobre a técnica. “ele [totonho andrade] era aquele senhor antigão todo cheio de mania, mas tinha um carinho muito grande com o jovem. Ele era viciado em álcool. E foi por isso que eu não me aprofundei só na técnica do entalhe. Porque eu fui pela experiência dele e eu fiquei com medo de trabalhar só com o entalhe. E principalmente com imagem [segundo o entrevistado trata-se de imagem de santos]. Eu acho que fica muito bitolado,muito focado de repente eu vi isso nele, não sei se eu estou certo, aí meu pai disse: ó agora eu já estou começando a ficar cansado, e você terá de administrar a marcenaria. Eu achei a melhor coisa do mundo, pois eu tinha de comprar, eu tinha de vender, eu tinha de atender o cliente. E isso, me tirava muito do entalhe. Aí eu me senti melhor pois, no entalhe eu me senti que eu poderia sair igual ao mestre, e me envolver muito com o álcool” ● o entrevistado teve contato diário com totonho andrade dos 13 anos até os 23 anos. Quando o entrevistado completou 23 anos, totonho andrade parou de trabalhar na marcenaria de seu pai. Independente disto, ambos mantiveram uma relação de amizade e aprendizado por toda a vida, permitindo ao entrevistado mesmo no período posterior à saída de totonho andrade procurá-lo em busca de alguma orientação na execução de peças entalhadas. Segundo o entrevistado, ele só parou de se aconselhar profissionalmente com totonho andrade quando este faleceu em 1995. ● observação do entrevistado sobre seu mestre totonho andrade. “ele [totonho andrade] é mestre porque na técnica de entalhar ele era muito bom. Com relação ao entalhe ele me ensinou o máximo possível da coisa, manuseio, tudo. A fiação de ferramenta ele me ensinou isso tudo. Ele me ensinou não é o básico, ele me ensinou tudo de entalhe. E como pessoa, ele era uma excepcional pessoa. E até o vício dele ele me ensinou. Olha para você ver, eu tenho medo. Ele foi um mestre além da arte. E um mestre para poder me ensinar o dia a dia”. ● o aprendizado com o mestre e sua aplicação na atualidade ● “a maioria dos meus sobrinhos e meus empregados, todos gostam de conversar comigo. Tem problema, eles pensam, eu vou lá conversar com o tonho para ver se ele me dá uma... E eu não jogo nada fora. Eu só penso asssim: -‘o que que é que você está pensando’. Eu vou te ajudar dentro do que você está pensando. Eu não vou te inovar, eu não vou colocar nada na sua idéia não. Eu vou trabalhar encima daquilo que você está pensando, a vida é sua. Simples, tranqüilo, e isso foi o que eu aprendi com esse grande mestre aí, que ele não foi só um grande mestre do entalhe, um mestre da calma, tranqüilo. Ele estava trabalhando muito bem lá. Muitas vezes a gente estava lá afoito dizendo, “estamos atrasado vamos acabar logo com isso aqui”. Ele falava assim:-‘não, tem um mato aqui encima, eu vou lá é beber uma água da mina’”. ● o avô do entrevistado também era marceneiro, porém, comenta o entrevistado: “meu avô foi marceneiro, mas, de um tempo muito primitivo, de uma ferramenta muito primitiva... Mas, quem montou a marcenaria foi meu pai, e não o meu avô, então o meu aprendizado vem de pai para filho, e não de avô para pai não... Mas, têm lá os seus fundamentos, as suas coisas. A relação do meu pai com meu avô pode até ter servido de impulso, de base depois que o meu pai voltou do rio de janeiro após servir o exército, mas foi só do impulso, não foi de escola”.
Transmissão de saberes
● sim ● atualmente ensina para o seu sobrinho que atende pelo nome de ricardo. Este já trabalha com o entrevistado há dez anos. ● o entrevistado menciona que tem vontade de começar a ensinar apenas o entalhe, pois teme o desaparecimento da técnica. 5 questionário de identificação: ofícios e modos de fazer mg 02 04 10 q60 011 ● observação do entrevistado acerca do tempo necessário para se formar um bom entalhador-marceneiro. “um aprendiz que me acompanha ele não aprende só especificamente a técnica do entalhe. Ele aprende a marcenaria no geral. E eu acredito que para a gente repassar para uma pessoa mesmo. Necessita mesmo de pelo menos uns dez anos. A não ser que o cara vai aprender só o entalhe. Mas ele precisa de ir na máquina. Ele precisa de aprender a tirar, ele precisa aprender a textura de madeira. Isso não se aprende assim só fazendo o entalhe. Ele tem que fazer outra coisa, ele tem que aprender alguma coisa dentro da marcenaria. Não pode ser só o entalhe, eu acho que não funciona. Ele precisa saber posição de fura, posição de espilha, porque você vai fazer uma peça você mandar ela desmontada para a pessoa. Espindal, os pés, uma mesa por exemplo, ele vai entalhar tudo ele precisa de ter uma noção de tudo, ele não pode ser só proifissional no entalhe. A não ser que ele vai trabalhar com, imagem, escultura, aí eu fico quieto.Mas se for em marcenaria, ele precisa de aprender um pouco mais da marcenaria, ele não precisa aprender só do entalhe. Se for só no entalhe e tem dom, aprende em menos tempo. Se tem dom, aprende com menos tempo, com dois anos se forma um bom entalhador.” ● luis antônio da silva enfatizou a importância para a formação de seus dois filhos o aprendizado do ofício da marcenaria. Sendo assim, ambos trabalharam na marcenaria durante a adolescência após a escola. Apesar de incentivar o aprendizado do ofício, o entrevistado disse aos filhos: “... ó! Isso aqui hoje não dá para segurar a onda igualzinho foi no meu tempo não. Se vocês pensam em casar e em ter uma vida descente eu acho que aqui não vai para a frente, vocês podem correr atrás de outra coisa”. Os dois filhos seguiram os conselhos do pai e atualmente ambos são sargentos.

