Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Seu agripino
História de vida
As origens datam da época do descobrimento do pantanal mato-grossense, quando os desbravadores portugueses e os jesuítas vieram até estas terras à procura do ouro em cuiabá e para catequizar os índios, com o objetivo de obter mais mão-de-obra escrava e batizar seus filhos mestiços. Os jesuítas ensinaram alguns índios que tinham habilidade com madeira, como os guatós (exímios artesãos e canoeiros), a construírem cochos e estábulos para a criação de cavalos. Alguns pesquisadores e o próprio seu agripino dizem que a viola era feita de pedaços de madeira que sobravam dos cochos dos animais, daí o nome viola de cocho. Seu agripino fala pouco de outros cururueiros que também fabricavam viola, diz que os da localidade de corumbá já morreram todos, ele é o único que continua. O sogro de seu agripino aprendeu a tocar lá pelos lados de amolar (região inóspita dos índios guatós). Referência de influência portuguesa e judaica (violas)
Localização
Aprendizado do bem
O avô paterno de seu agripino, felipe santiago, era cururueiro, mas não sabia fabricar a viola de cocho, apenas cantava e tocava. Seu agripino desde pequeno já sabia como ponteava, como cantava. Posteriormente foi ser foliãozinho e aprendeu como fazia letra. Em 1931, aos 13 anos de idade, ainda em cuiabá / mt, seu agripino gostava de uma menina e era correspondido. Para conseguir namorar a menina, o avô fez uma toada para ele cantar. O jovem agripino aprendeu a cantar com seu avô esse cururu de amor para ela. O avô tocou a viola e seu agripino acompanhou no ganzá e cantou para a moça e sua família. Nessa época, agripino não sabia ainda fazer a viola, ofício este que só aprendeu posteriormente, quando foi morar em corumbá. Depois da fuga de um seminário, seu agripino chega em corumbá, aproximadamente em 1931. Seu agripino foi o único da família que aprendeu a tocar como o avô, quando tinha uns 15, 16 anos. “quando eu voltei daqui de corumbá pra cuiabá, aí eu vi como é que fazia a viola, num fez lá, aí aqui, depois que eu me casei [1944], é que eu fiz a primeira viola, já era casado, já tinha um filhinho.” é em corumbá que seu agripino casa e passa a ter contato mais próximo com diversos cururueiros, entre eles, seu sogro e começa a fabricar violas, primeiramente para uso pessoal. Seu agripino faz questão de dizer que não aprendeu com ninguém o ofício, aprendeu observando a viola de seu sogro. A partir de seu relato, podemos concluir tratar-se de um aprendizado informal que se deu pelo contato com outros cururueiros, principalmente seu próprio sogro.
Transmissão de saberes
Apesar de realizar o ofício há mais de cinqüenta anos em corumbá, seu agripino quase não teve alunos interessados em fazer violas. Essa problemática ocorre por diversos motivos, entre os quais podemos citar a pouca divulgação, a infra-estrutura precária e o preconceito em relação a esta manifestação folclórica, que é tida como “coisa de velhos” pelos mais jovens. Entretanto, seu agripino já participou de eventuais festivais de arte-cultura em corumbá, ministrando cursos de uma semana de duração. Porém nenhum dos alunos se interessou na continuidade do ofício ou em seguir a carreira de cururueiro. Fábio alexson da silva, professor de música, agente local do projeto e um dos pesquisadores responsáveis por este inventário é apontado por alguns como o sucessor de seu agripino. Fábio está preocupado com o repasse de saber desse ofício e promove oficinas de produção de viola de cocho, mantendo um contato muito próximo com os cururueiros da região, especialmente seu agripino. “eu vou dar aula agora no fim do mês, vou dar aula, não sei ainda se vai sair ou não, vou dar aula, vou ensinar, quem quiser aprender, aprende.” diz que a maioria das pessoas acha bonito os outros fazerem, mas não quer fazer. ”o povo hoje, você vê esse povo aqui, a maioria tudo é crente agora.” questionário de identificação: ofícios e modos de fazer ms 02 01 02 q60 001

