Região Seridó

Segundo o que foi documentado pelo projeto, foi por volta de 1700 que os primeiros colonizadores, vindos da Paraíba, chegaram à região e começaram uma dura perseguição aos indígenas caicós e que viviam perto dos rios Barra Nova e Seridó. Depois de muitas batalhas sangrentas, os habitantes originários foram expulsos, e os primeiros plantadores começaram a formar pequenos núcleos voltados para a pecuária, dada a riqueza das pastagens e as fontes de água na região. Assim, tão logo a notícia de uma nova área propícia para criação de gado se espalhou, mais gente foi atraída para a região, incluindo paraibanos, pernambucanos e portugueses.

Em 1748, a comunidade de Seridó, que pertencia à freguesia de Piancó, na Paraíba, se tornou um distrito administrativo chamado Caicó, nome derivado, ironicamente, da forma como eram conhecidos os habitantes indígenas do local que haviam sido violentamente expulsos do território.

Uma lenda comum da região, contada em versões diversas, dá conta de que os caicós acreditavam que seu deus Tupã vivia encarnado em um touro selvagem que habitava o local. Um vaqueiro, após uma promessa à Nossa Senhora Santana, conseguiu escapar de um ataque do touro, e em gratidão, construiu uma capela no local, dando início à formação da cidade de Caicó e da primeira igreja de Santana, que foi substituída pela atual Catedral de Sant’Ana em 1748 – marco edificado de referência para todo o Seridó potiguar..

Igreja Matriz – Acari RN

A região também participou ativamente de movimentos populares, como a revolução de 1817 e a resistência contra a Coluna Prestes em 1926.

O recorte do inventário, denominado Seridó Potiguar, é composto por 07 cidades: Acari, Cruzeta, Timbaúba dos Batistas, Caicó, Currais Novos, Carnaúba dos Dantas e Jardim do Seridó. O Inventário abrange os sete municípios e identificou diversos bens relativos à cultura das populações que ali vivem, com ênfase na Festa de Santana, uma das principais celebrações da região. Esse processo de identificação deu origem à solicitação de Registro da Festa de Nossa Senhora de Caicó, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil no ano de 2011.

Principais referências culturais identificadas:

  1. Ofícios e Modos de Fazer: Bordadeira, Queijeiro, Coureiro, Biscoiteiro, Buchada, Ofício de Marchante e Modo de Fazer Carne de Sol, Paçoca e Mestra de Chouriço
  2. Lugares: Clube Corinthians, Caicó Iate Clube, Intinerários da Carreata, da Cavalgada, da Procissão e da Peregrinação, Catedral de Sant’Ana, Colégio Diocesano, FAMUSE, Ilha de Sant’Ana, Poço de Sant’Ana, Praça da Liberdade e Praça da Matriz.
  3. Celebrações: Baile dos Coroas, Carreata dos Motoristas, Feirinha de Sant’Ana, Festa da Juventude, Festa dos Ex-Aluno CDS, Festa do Reencontro, Missa Solene, Novenas de Sant’Ana, Peregrinação Urbana e Rural, Peregrinos de Sant’Ana e Procissão de Sant’Ana.
  4. Formas de Expressão: Lenda do Vaqueiro, O Beija, Banda de Música, Auto de Sant’Ana e Ofício de Sant’Ana.

Conheça a documentação original produzida no âmbito do projeto de identificação, que utilizou a versão original do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC):