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Referência
MENEZES NETO, Hugo. Tem samba na terra do frevo [recurso eletrônico]: as escolas de samba no Carnaval do Recife / Hugo Menezes Neto. – Recife: Ed. UFPE, 2024.
Descrição
No livro do antropólogo Hugo Menezes Neto, uma versão ampliada de sua tese de doutorado, o autor realiza um trabalho crucial ao situar historicamente a presença das escolas de samba no Carnaval de Recife. Hugo não apenas contextualiza a evolução dessas agremiações ao longo das décadas, mas também aprofunda sua análise com uma etnografia minuciosa da Escola de Samba Gigante do Samba, uma das mais representativas do Recife. A partir dessa imersão, ele revela as particularidades e as complexidades das escolas de samba recifenses, evidenciando suas especificidades culturais e estruturais que, por um lado, aproximam-se das tradicionais escolas cariocas e, por outro, delas se afastam, marcando um estilo e identidade próprios.
Neto demonstra que a presença das escolas de samba no carnaval recifense foi historicamente marcada por conflitos e resistências. Em nome de uma suposta "autenticidade cultural" local, essas escolas de samba enfrentaram uma série de perseguições e preconceitos ao longo dos anos. A "autenticidade", idealizada pelas elites e por setores influentes da cultura popular de Recife, priorizava ritmos e expressões como o frevo e o maracatu, vistos como símbolos culturais mais legitimamente pernambucanos. Nesse contexto, as escolas de samba, associadas ao Rio de Janeiro e à tradição afro-brasileira nacional, foram frequentemente desconsideradas ou marginalizadas, sendo vistas como uma ameaça à cultura local.
Hugo enfatiza que, apesar dessas tensões, as escolas de samba de Recife desenvolveram uma identidade forte e resiliente, moldando-se a partir das influências cariocas, mas adaptando-se ao cenário cultural e social de Pernambuco. As práticas e os valores das escolas recifenses refletem não só uma resistência cultural, mas também uma adaptação criativa, permitindo que o samba se enraizasse e prosperasse em um território onde o frevo impera como expressão identitária. Hugo observa que essa identidade híbrida fez com que as escolas de samba de Recife não apenas sobrevivessem, mas se tornassem elementos significativos e influentes no carnaval local, ao mesmo tempo em que afirmam sua autenticidade e originalidade dentro do contexto cultural recifense.
Ao trazer essa análise para o público, Hugo Menezes Neto contribui significativamente para o entendimento das dinâmicas culturais que permeiam o Carnaval de Recife, revelando os processos de negociação, resistência e adaptação que as escolas de samba experimentaram. Sua pesquisa oferece uma base teórica e histórica fundamental para a compreensão do carnaval pernambucano em sua complexidade, além de enriquecer o debate sobre o papel das escolas de samba como veículos de identidade, resistência e expressão cultural na sociedade brasileira.
Localização
Recife

