Informações
Projeto relacionado
Nome completo
João Ricardo Nascimento
História de vida
Atualmente sr. João está aposentado. Trabalhou com pesca artesanal dos 14 aos 55 anos de idade aproximadamente, envolvendo-se com a atividade de torneiro mecânico a partir das necessidades relacionadas ao motor, surgidas durante as pescarias. Aprendeu naturalmente a lidar com a tarefa de solução de problemas do motor e a assentá-los de modo que funcionassem perfeitamente. Chegou a construir um barco para si mesmo e a assentar motores em embarcações produzidas nos estaleiros de sr. Raimundo nonato pereira da silva (sr. Mundinho) e de seu sobrinho, anastácio pereira do nascimento (tacinho). O envolvimento com a atividade de carpintaria possibilitou a compreensão do processo de construção das mesmas, sendo possível a sr. João descrever com detalhes como são feitas várias partes.
Localização
Descrição da atuação em rede
Atualmente sr. João está aposentado. Trabalhou com pesca artesanal dos 14 aos 55 anos de idade aproximadamente, envolvendo-se com a atividade de torneiro mecânico a partir das necessidades relacionadas ao motor, surgidas durante as pescarias. Aprendeu naturalmente a lidar com a tarefa de solução de problemas do motor e a assentá-los de modo que funcionassem perfeitamente. Chegou a construir um barco para si mesmo e a assentar motores em embarcações produzidas nos estaleiros de sr. Raimundo nonato pereira da silva (sr. Mundinho) e de seu sobrinho, anastácio pereira do nascimento (tacinho). O envolvimento com a atividade de carpintaria possibilitou a compreensão do processo de construção das mesmas, sendo possível a sr. João descrever com detalhes como são feitas várias partes.
Aprendizado do bem
“quando eu comecei, eu não trabalhava na carpintaria. Trabalhava com peixe”. Mas “levei muita porrada no mar, apanhei muito, mas nunca podia bater nele sabe? ! Sr. João afirma que: “vendo o sacrifício em casa, foi logo pescar”. Não terminou os estudos para trabalhar e se dedicou ao ofício da pesca artesanal dos 14 aos 48 anos até que passou a ter sérios problemas com a coluna vertebral. Desde então não pôde mais pescar ou mesmo ficar dentro do barco por causa das dores que sentia. Impossibilitado de continuar pescando, sr. João passou a dedicar-se ao ofício de torneiro mecânico que havia aprendido a partir da necessidade de solução de problemas do motor durante as pescarias. Foi trabalhando com pesca que o entrevistado se deparou com problemas mecânicos que, procurando resolver, acabaram lhe levando ao ofício de torneiro. Afirma que quando havia um problema no motor da embarcação, se empenhava logo em encontrar a solução. Em suas palavras: “quando dava prego, eu estava sempre. Extraía o ar do motor, mexia em uma coisa e outra, até resolver”. Da parte mecânica, sr. João teria passado à carpintaria, após parar de pescar. No intervalo entre o exercício da pesca e da atividade de torneiro, sr. João chegou a construir uma embarcação para si mesmo. Incomodado com as dificuldades da pesca, procurou outros meios para sobreviver confessando ter dificuldades em trabalhar subordinado a alguém. Deixou de ir pescar e passou a dono de barco. Segundo ele, teria deixado definitivamente de ir para o mar somente com 55 anos de idade. Entre 48 e 55 anos, já dono de barco, teria ido menos vezes mas ainda ia. Nesta ocasião pediu a um carpinteiro próximo, sr. Raimundo nonato pereira da silva, ainda em atividade e considerado por ele o melhor da localidade, para aprender a acertar a base da embarcação trabalhando em seu estaleiro. Sr. Raimundo (mundinho), que não sabia executar o trabalho de adaptação dos barcos para instalação de motor, permitiu que sr. João fizesse ali seus primeiros trabalhos. Este último lembra que, na ocasião, trabalhava-se ainda com enxó, machado e serrote. Não haviam ferramentas elétricas. Sr. João conta que assentou três bases de motor no estaleiro, sendo atentamente observado pelo sr. Raimundo. Então, a quarta base o próprio “mundinho” assentou dispensando a ajuda e realizando melhor que ele próprio a tarefa. Posteriormente, no estaleiro de seu sobrinho, anastácio pereira do nascimento (tacinho), em plena atividade até o momento, sr. João começou a realizar trabalhos de adaptação dos barcos para instalação de motor. Segundo ele, no estaleiro eram construídas as embarcações em madeira mas ninguém sabia assentar a base para o motor. Quando chegava a este estágio, sr. João era chamado para fazer a base. O entrevistado afirma que: “eles armavam a embarcação e eu chegava lá, colocava o túnel (furo realizado na espinha do barco para passagem do eixo que interliga a hélice ao motor), e quando a embarcação estava pronta para assentar o motor, eu assentava. ” atualmente sr. João ricardo está aposentado e não mais exerce a atividade de torneiro.
Transmissão de saberes
Sr. João ricardo afirma que, assim que decidiu deixar a pesca artesanal em razão de problemas de coluna, procurou o estaleiro de sr. Raimundo nonato pereira da silva (sr. Mundinho), para realizar trabalhos de adaptação de embarcações para instalação de motor. A experiência adquirida no mar, necessitando trabalhar na solução de problemas mecânicos, havia lhe permitido conhecimento acerca do ofício de torneiro, possibilitando a atividade junto aos estaleiros. Na ocasião, sr. Raimundo, considerado o melhor carpinteiro naval de caiçara do norte, não sabia assentar a base para instalação de motor. Sr. João conta que adaptou três barcos sob os olhos atentos de sr. Raimundo. Este, por sua vez, aprendera o trabalho observando e, na quarta embarcação, já não precisou que sr. João trabalhasse com ele. Em seguida passou a trabalhar no estaleiro de seu sobrinho, anastácio pereira do nascimento. Este, também aprendeu a realizar a tarefa e, atualmente, sr. João encontra-se aposentado e não mais exerce o ofício.

