Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Luzivaldo Gualberto De Campos
História de vida
Senhor barinho, como é conhecido o senhor luzivaldo gualberto de campos, é, atualmente, pescador de peixe agulha e voador. Relata, assim, o que chama de sua tradição de pesca: “também pesco com linha. Mas, a tradição é agulha. Vou uma vez duas no ano pescar de linha, pouco. . . Pescar agulha vou cinco vezes [por semana], todos os dias, não é? Eu estou pescando ela todos os dias. . . Só falta mais o sábado e o domingo. De segunda a sexta, mais ou menos cinco vezes”.
Localização
Descrição da atuação em rede
Senhor barinho, como é conhecido o senhor luzivaldo gualberto de campos, é, atualmente, pescador de peixe agulha e voador. Relata, assim, o que chama de sua tradição de pesca: “também pesco com linha. Mas, a tradição é agulha. Vou uma vez duas no ano pescar de linha, pouco. . . Pescar agulha vou cinco vezes [por semana], todos os dias, não é? Eu estou pescando ela todos os dias. . . Só falta mais o sábado e o domingo. De segunda a sexta, mais ou menos cinco vezes”.
Aprendizado do bem
Senhor barinho, como boa parte dos pescadores entrevistados, aprendeu a pescar ainda criança e com o pai: “eu aprendi com meu pai [luís paulino de campos] me levando para o mar, na pesca de voador. . . É, para aprender, que era, a pesca quando dava assim no fim de semana, sexta, sábado, quando não ia na escola, leva a gente, os meninos iam. Minha geração todinha foi. E muitos outros. Vai se aperfeiçoando na pesca e menos que a minha geração, que são meus irmãos que são mais velhos. . . Tenho dois irmãos. . . Somos cinco, duas mulheres e três homens. Mas, todos pescadores, só que eles começaram a pescar também muito jovens, minha idade também, ou talvez, não sei, menos, eu sou mais novo do que eles sete, oito anos. Com treze anos, eu já ia para o mar com meu pai. Olhava, mas também pescava com uma linhazinha. Já era um rapazinho bem taludo e ajudava também. Ele não queria que a gente ajudasse, era só para ver e coisa e tal. Mas aí ele levava a gente, ia e voltava todo dia. Eu não enjoei. Eu estava acostumado já com. . . Já dentro do mar. Quando ele levava, levava um limão e a gente cheirava, para não. O limão ele tira o enjôo. A tradição do meu pai era só pescar voador. Eu sei que ele vai fazer oitenta e seis, ele é velho. Meu pai veio a possuir barco depois que os filhos começaram a trabalhar e a ajudar e coisa e tal”. A família de senhor barinho possui forte relação com a pesca artesanal, tanto do lado paterno quanto materno. Sobre a relação de sua família paterna com a pesca, senhor barinho relata: “acho que [o pai aprendeu] com os tios, ou o pai dele também. O que eu sei, ele conta, de um tio que ele tinha. Ele era muito medonho e o tio que ensinou a ele. Ele contava e ele contava várias vezes. Esse pessoal morava na baia da traição. Era filho daqui, e morava na baia da traição. Então eles, na época, ele tinha barco, o meu tio, meu pai era muito medroso, ele levava para o mar”. Entretanto, senhor barinho aprendeu a pescar agulha com a família materna: “por causa da geração por parte da minha mãe, que tudo era, no tempo era jangada, eu não sei, nós todos. . . Eu ia para o mar com meu pai e via na praia os barcos de agulha chegar, eu ia pegar a rede. Aí eu ganhava aquelas agulhas para vender peixe por (inaudível) do meu pai todos pescavam voador, da minha mãe já era a tradição de agulha. Duas [famílias de pescador]. O meu avô também pescava, porque é da parte do meu pai, também pescava agulha. ” sobre os irmãos, relata: “mas todos os dois [os irmãos] se viraram e partiram para o rio de janeiro. Um foi pescar e hoje, francisco de assis campos, é aposentado, mais velho, pesca comigo ainda. Ainda vai ao mar. Ele passou a vida toda pescando, foi para o rio pescando lá, foi barqueiro por lá e ele nunca largou a pesca. O outro não, depois que saiu daqui com idade de dezessete anos foi para a aeronáutica de lá, morou vinte e tantos anos no rio, mais dez anos em santos, está morando aqui em natal. Mas de pesca, se ele quiser ir hoje, com sessenta e tantos anos, ele vai, pega um barco vaga no mar”. Sobre o desenvolvimento de seu aprendizado na pesca, barinho relata que com dezesseis anos já pescava sozinho. Senhor barinho morou e trabalhou pescando em empresas durante cinco anos no rio de janeiro após servir o exercito aos 18 anos. Sobre isso relata: “o exército, eu servi o exército com dezoito anos. Aí sai do exército, meus irmãos estavam no rio e eu pescava aqui, aí. . . Eles me levaram. E lá tem minha matrícula, aí eu fui trabalhar lá, trabalhei assim um mês e pouco em terra, aí ganhava muito dinheiro, a pesca dava muito dinheiro, aí meu irmão mais velho falou ‘mas você vai tirar uma matrícula’ coisa e tal. Aí eu entrei na pesca lá e não sai mais, e não sai mais. Aí, vim para cá passei uns dois meses e fui para o rio. Aí lá eu tirei minha matrícula, eu me lembro que foi, nem sei se foi em março ou em abril, de 1974. Pesquei um ano e pouco, vim para cá. Eu tinha uma namorada, me casei, levei. Mas vivia mais fora. Eu morava no rio, mas a pesca mais fora do rio de janeiro. Só pescava em empresas por lá. Eu pesquei numa empresa que ela, nós não queríamos carteira assinada porque era pouco dinheiro que a gente ganhava. E nós ganhávamos o que eles chamavam de quinhão, que eram as partes iguais, não é. Aí, ganhava, como fosse, dez salários mínimos em vinte dias, vinte e cinco dias. E eu peguei. . . Agora nós pagávamos o inps. . . O dono pagava como fosse a empresa, mas não como carteira assinada. Eu não sei o que era. Mas recebi o meu direito, eu trabalhava à bordo, estourei esse dedo lá, ele pagava tudo direitinho. Lá nós pescávamos mais nas águas frias que é santa catarina, rio grande do sul. Aí vinha bahia, nessa época a gente já vinha para bahia e vitória pescar. Lá era garoupa, peixe vermelho, vermelho, vermelho. Que lá, o vermelho aqui a gente chama pargo. E eu pescava no rio grande do sul, que eles chamavam oo peixe batata, que aqui nós chamamos garoupa-branca, acho que sim. Vários tipos de peixe. . . Fiquei pescando lá até setenta e nove”. Seu barinho voltou a morar em caiçara do norte em 1979. Ele relata que se lamenta do retorno ao rio grande do norte e o porquê de seu retorno: “porque meu pai e minha mãe morava com meus irmãos lá e não tinha quem cuidasse dos velhos. Aí eu vim para cá, mas. . . Eu não consegui minha aposentadoria ainda, por ela ter. . . O pescador lá, nós, se eu estivesse lá, há quinze anos, talvez, eu já tivesse me aposentado. Eu teria me aposentado com quarenta e três anos, quarenta. . . Eu tinha me aposentado, se eu tivesse ficado lá. Eu vim embora, acho que com vinte e cinco, vinte e seis anos. Vinte e seis, eu já vim com vinte e seis. Que eu vim embora. Se eu tivesse ficado lá, com quarenta e dois, quarenta e três, eu tinha me aposentado na pesca”. Quando retornou ao rio grande do norte, seu barinho comprou dois barcos à vela com o dinheiro que juntou nesses anos de pesca no rio de janeiro, entretanto, vendeu um e o outro perdeu em um naufrágio. E sobre isso relata: “já possuo barco desde 1979. . . Quando eu vim do rio, eu já trouxe dinheiro para comprar dois barcos. É, comprei dois barcos à vela, não existia motorizado na cidade. Não existia barco a motor. Dois barcozinhos, um de seis metros e o outro acho que com oito metros meio. Um, eu comprei para o meu pai e fiquei com o outro. Um, na época eu comprei na baía da traição, era ‘silva borges’ que meu pai comprou, mas nunca tiramos e ele vendeu assim mesmo para fortaleza na época da lagosta, era à vela. E o outro que eu comprei de um tio meu, irmão da minha mãe, era novo, aí eu vendi para outro cara do são miguel do gostoso, faz muitos anos, trinta anos atrás. Ai comprei outro, mas perdi ele no mar, fui pegar com mergulho e tal. Ele virava muito nas ondas, tipo desses que está passando, com quatro metros de altura. A pesca da agulha ela é perigosa. Com as ondas, não é. Porque lá no alto mar, aqui umas quinze milhas, dezesseis milhas, ele faz um. . . , nós vamos para o mar e lá, pega pedra embaixo, às vezes, sai as lajes de fora e ela com o mar é muito perigoso. E eu perdi ele já umas três vezes. Virava, não é? Só que eu e meus companheiros a gente via, no outro dia levava aqui para dentro, ficava mais um pouco, para arrear e esvaziar. A pesca era essa. Aí depois eu consegui comprar outro. Em oitenta e cinco eu comprei o barquinho com pesca. Comprei na baía da traição, aí o menino acabou me dando prejuízo e eu vendi para pagar as contas”. Senhor barinho participou do curso oferecido pela marinha na década de 1980 de patrão de pesca regional. Sobre o curso, relata: “e eu tenho os meus cursos de patrão de pesca, como regional, eu tenho, eu fiz de pesca também, coisa. Em oitenta e três aqui, o curso de patrão de pesca, mas não quis, andar embarcado, que eu tinha um barquinho. . . Patrão de pesca regional. Tem o patrão de pesca que é como, que você seja o responsável pela navegação em alto mar. Quer dizer, regional, é nossa região. Você só pode trafegar aqui. Foi a marinha que deu esse curso. A marinha em oitenta e três”. E relata o aumento do investimento federal na pesca artesanal na região neste mesmo período: “em oitenta veio um projeto do governo federal para fazer navegação à motor, aí uns. . . Começou a região a ficar, que existe hoje mais projeto de pesca, empréstimo do governo federal, do banco do brasil. Aí uns queriam, outros não queriam porque ficava devendo o banco, e coisa e tal, fazia aquele absurdo. O pescador tinha medo de dever. Hoje não tem mais, se tiver dez milhões para ele, ele quer”.
Transmissão de saberes
Senhor barinho relata que ensinou muitos rapazes a pescar: “ensinei muitos rapazes. Uns que vão para fora, para natal e fica por lá mesmo. Eu ensinei a muitas pessoas. A muitos rapazes, muitos estavam em natal, para o rio, pescando nos navios. Por aqui tem uns dois só, três”. Entretanto, senhor barinho não ensinou aos filhos: “eu tenho três filhos, duas mulheres e um homem. Meu filho não deu para pescador, não. Eu que não quis que ele. . . Ele também não. . . Viu e ele via meu sofrimento. Ele procurava outra coisa para sobreviver, porque a vida da pesca, você é jovem você segura o tombo, mas quando chega como eu comecei muito cedo, estressa a pessoa e outra coisa, o sofrimento é alto no mar, viu, não é brincadeira não”.

