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Nome completo
Luzia Da Silva Neta
História de vida
A entrevistada é envolvida com a prática do chouriço desde jovem. Residiu durante um longo tempo no sítio, onde desenvolveu atividades agrícolas e de criação de suínos, galináceos e ovinos. Estas criações também faziam parte das tarefas femininas. A criação de porco, mais particularmente ficava a cargo de sua mãe e das filhas. Quando acontecia a matança de porco sua mãe fazia um chouriço e comercializava uma parte na própria residência entre os parentes e vizinhos. Isto mostra que a feitura e a comercialização dessa comida lhe é bastante familiar. Mesmo assim, foi quando se casou que de fato aprendeu a fazer o doce com sua sogra, a senhora maria francisca da paz. Suas primeiras “tachadas” foram feitas quando ainda morava na zona rural, mais precisamente no sítio samanau. Ao todo faz 24 anos que ela é mestra de chouriço. Em 2002 mudou para a cidade e no mesmo ano passou a realizar a atividade, o que faz até hoje, apesar de não criar mais porcos. Diferentemente de quando residia no sítio que fazia o chouriço para distribuir com os parentes e vizinhos, vendendo apenas algumas latas, na rua ela faz o doce com o objetivo de obter renda à economia familiar. A comercialização é feita por meio da entrega em mercadinhos, lanchonetes, no mercado público e outros pontos comerciais da cidade. Muito embora o chouriço seja um doce que se pode comer em qualquer tempo e em qualquer hora, “o povo compra mais no final do ano e na festa de sant’ana. E quando tem mais visitante, aí eu entrego muito doce”, assinala a mestra. A rifa do chouriço, uma forma de comercialização do doce realizada pela mestra quando residia na zona rural, foi utilizada pela mestra nas primeiras vezes que fez o doce na cidade. “no início eu comecei a fazer a rifa. Ai eu fiz uma rifa aqui. Mas ai, eu num gosto muito não. Muita gente em casa. Assim num gosto não. Ainda fiz umas três rifa e só. Agora no sítio tinha muita rifa. O povo fazia muita rifa”. Quanto ao lucro obtido com a venda do chouriço a mestra coloca o seguinte: “num dar [. . . ] dar um lucrinho pouco. Pra mim, agora mesmo, é fazer o chouriço porque eu num posso criar porco (risos). Rende [. . . ]. Sabe porque que? Porque me ajuda muito. O que eu tiro do chouriço paga, às vezes, água. Ajuda muito. Eu não posso trabalhar. Eu tenho um problema. Uma hérnia na barriga e por isso não posso pegar em peso”. Além disso, a feitura do doce na cidade não acontece mais em clima de festa como era realizado na zona rural. Mesmo sendo uma atividade coletiva, é a mestra que controla praticamente todo o processo de produção e de comercialização do doce. Para realização de todas as etapas de sua feitura ela conta com a colaboração de seus filhos e de seu esposo. Seu filho é responsável pelo recolhimento do sangue de porco no matadouro que é doado por um marchante conhecido. O recebimento do lucro é uma tarefa de seu esposo, seu josé etelvino, conhecido por chico. Com o lucro ele paga as dívidas contraídas junto aos comerciantes, com a compra dos ingredientes e temperos para o chouriço. Normalmente quando ele salda uma dívida, uma outra é feita no momento, uma vez que a mestra faz o doce de 15 em 15 dias. Para entrega do produto nos pontos comerciais, luzia usa os serviços de um moto-taxista. A aquisição de latas de leite em pó vazias para acondicionar o doce é uma tarefa da mestra e, às vezes, do moto-taxista. Seu esposo ainda realiza outras tarefas, tais como: a retirada da lenha numa mata próxima a cidade, a limpeza do tacho e a mexida do doce. Além dos parentes (filhos, esposo e primos) a mestra ainda conta com a ajuda de amigos para mexer o doce. A produção do doce acontece na própria residência da mestra, mais precisamente entre a cozinha e uma parte do quintal que foi coberta para essa finalidade. Para que o doce fique no “ponto” são necessárias em média oito horas de fogo à lenha. Apesar do chouriço ser resultante do trabalho coletivo, quando pronto recebe apenas o nome da mestra. E neste caso seu doce recebe o nome de “doce sabor”, o qual é estampado no rótulo da lata.
Localização
Descrição da atuação em rede
A entrevistada é envolvida com a prática do chouriço desde jovem. Residiu durante um longo tempo no sítio, onde desenvolveu atividades agrícolas e de criação de suínos, galináceos e ovinos. Estas criações também faziam parte das tarefas femininas. A criação de porco, mais particularmente ficava a cargo de sua mãe e das filhas. Quando acontecia a matança de porco sua mãe fazia um chouriço e comercializava uma parte na própria residência entre os parentes e vizinhos. Isto mostra que a feitura e a comercialização dessa comida lhe é bastante familiar. Mesmo assim, foi quando se casou que de fato aprendeu a fazer o doce com sua sogra, a senhora maria francisca da paz. Suas primeiras “tachadas” foram feitas quando ainda morava na zona rural, mais precisamente no sítio samanau. Ao todo faz 24 anos que ela é mestra de chouriço. Em 2002 mudou para a cidade e no mesmo ano passou a realizar a atividade, o que faz até hoje, apesar de não criar mais porcos. Diferentemente de quando residia no sítio que fazia o chouriço para distribuir com os parentes e vizinhos, vendendo apenas algumas latas, na rua ela faz o doce com o objetivo de obter renda à economia familiar. A comercialização é feita por meio da entrega em mercadinhos, lanchonetes, no mercado público e outros pontos comerciais da cidade. Muito embora o chouriço seja um doce que se pode comer em qualquer tempo e em qualquer hora, “o povo compra mais no final do ano e na festa de sant’ana. E quando tem mais visitante, aí eu entrego muito doce”, assinala a mestra. A rifa do chouriço, uma forma de comercialização do doce realizada pela mestra quando residia na zona rural, foi utilizada pela mestra nas primeiras vezes que fez o doce na cidade. “no início eu comecei a fazer a rifa. Ai eu fiz uma rifa aqui. Mas ai, eu num gosto muito não. Muita gente em casa. Assim num gosto não. Ainda fiz umas três rifa e só. Agora no sítio tinha muita rifa. O povo fazia muita rifa”. Quanto ao lucro obtido com a venda do chouriço a mestra coloca o seguinte: “num dar [. . . ] dar um lucrinho pouco. Pra mim, agora mesmo, é fazer o chouriço porque eu num posso criar porco (risos). Rende [. . . ]. Sabe porque que? Porque me ajuda muito. O que eu tiro do chouriço paga, às vezes, água. Ajuda muito. Eu não posso trabalhar. Eu tenho um problema. Uma hérnia na barriga e por isso não posso pegar em peso”. Além disso, a feitura do doce na cidade não acontece mais em clima de festa como era realizado na zona rural. Mesmo sendo uma atividade coletiva, é a mestra que controla praticamente todo o processo de produção e de comercialização do doce. Para realização de todas as etapas de sua feitura ela conta com a colaboração de seus filhos e de seu esposo. Seu filho é responsável pelo recolhimento do sangue de porco no matadouro que é doado por um marchante conhecido. O recebimento do lucro é uma tarefa de seu esposo, seu josé etelvino, conhecido por chico. Com o lucro ele paga as dívidas contraídas junto aos comerciantes, com a compra dos ingredientes e temperos para o chouriço. Normalmente quando ele salda uma dívida, uma outra é feita no momento, uma vez que a mestra faz o doce de 15 em 15 dias. Para entrega do produto nos pontos comerciais, luzia usa os serviços de um moto-taxista. A aquisição de latas de leite em pó vazias para acondicionar o doce é uma tarefa da mestra e, às vezes, do moto-taxista. Seu esposo ainda realiza outras tarefas, tais como: a retirada da lenha numa mata próxima a cidade, a limpeza do tacho e a mexida do doce. Além dos parentes (filhos, esposo e primos) a mestra ainda conta com a ajuda de amigos para mexer o doce. A produção do doce acontece na própria residência da mestra, mais precisamente entre a cozinha e uma parte do quintal que foi coberta para essa finalidade. Para que o doce fique no “ponto” são necessárias em média oito horas de fogo à lenha. Apesar do chouriço ser resultante do trabalho coletivo, quando pronto recebe apenas o nome da mestra. E neste caso seu doce recebe o nome de “doce sabor”, o qual é estampado no rótulo da lata.
Aprendizado do bem
A mestra começou a fazer o doce quando se casou e aprimorou com sua sogra um saber já iniciado com sua mãe. Mesmo assim, os ensinamentos de sua sogra foram responsáveis pelo seu ofício de mestra. Foi de fato com ela que aprendeu a fazer chouriço. Veja o depoimento da mestra: “mas eu aprendi mesmo a fazer depois já que eu casei, com minha sogra. Minha sogra ia fazer mais eu na minha casa. Aí aprendi a fazer. Aprendi do jeito que ela fazia, eu sei. Eu aprendi”. No princípio contava com a ajuda da sogra, mas com o tempo passou a assumir “sozinha” a feitura do doce. No sítio o chouriço era realizado no ensejo da matança de um ou mais porcos, criados pela própria mestra. “eu fazia muito quando eu morava no sítio. Mas, assim, toda a vida que eu matava. Que eu criei porco também no sítio. Quando eu matava, assim, os porco’ aí eu fazia uma tachada’. Mas num era tanto (quer dizer, com tanta freqüência) que nem agora. Agora, eu faço de oito em oito dia. De quinze em quinze dia uma tachada. Quando tá acabando onde eu boto pra vender tem que fazer outro (nos locais que revende seu doce). Quando eu morava no sítio eu vendia, mas num era assim tanto não. O povo ia comprar lá”.
Transmissão de saberes
Não, apesar de sua filha, de seu filho e de seu esposo colaborarem na preparação e no cozimento do chouriço.

