Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Terezinha Dantas Da Silva
História de vida
Desde cedo terezinha convive com a atividade de criatório de porcos e de feitura do chouriço em sua residência, no sítio maribondo, onde nasceu e residiu durante décadas. Em intervalos das suas vivências campesinas, exerceu a profissão de empregada do lar em outras cidades nordestinas. Ademais, faz parte de suas experiências de doceira a feitura de biscoitos, como sequilhos, biscoitos de leite e sodas, guloseimas estas produzidas por sua mãe. Na atualidade, desenvolve o ofício de mestra de chouriço, fazendo o doce para si própria e em residências de pessoas conhecidas. Por pagamento, normalmente recebe a quantia de r$ 25,00 (vinte e cinco reais) por chouriçada. O produto da atividade é um doce que faz parte da doçaria sertaneja desde tempos imemoriais. O chouriço é um doce feito com sangue e banha de porco, garapa ou mel de rapadura, farinha de mandioca, castanha de caju (moída), leite de coco, canela, cravo, erva-doce, gengibre e pimenta do reino. Para que o doce fique no “ponto” são necessárias em média oito horas de fogo à lenha, tempo este ideal à realização de uma festa familiar, conhecida como “festa da matança de porco”, em que o prato principal é a carne de porco. A participação de homens e mulheres é imprescindível à realização da chouriçada. Normalmente, as mulheres cuidam da preparação e do cozimento do doce e dos homens do abate dos porcos e da mexida do tacho do chouriço.
Localização
Descrição da atuação em rede
Desde cedo terezinha convive com a atividade de criatório de porcos e de feitura do chouriço em sua residência, no sítio maribondo, onde nasceu e residiu durante décadas. Em intervalos das suas vivências campesinas, exerceu a profissão de empregada do lar em outras cidades nordestinas. Ademais, faz parte de suas experiências de doceira a feitura de biscoitos, como sequilhos, biscoitos de leite e sodas, guloseimas estas produzidas por sua mãe. Na atualidade, desenvolve o ofício de mestra de chouriço, fazendo o doce para si própria e em residências de pessoas conhecidas. Por pagamento, normalmente recebe a quantia de r$ 25,00 (vinte e cinco reais) por chouriçada. O produto da atividade é um doce que faz parte da doçaria sertaneja desde tempos imemoriais. O chouriço é um doce feito com sangue e banha de porco, garapa ou mel de rapadura, farinha de mandioca, castanha de caju (moída), leite de coco, canela, cravo, erva-doce, gengibre e pimenta do reino. Para que o doce fique no “ponto” são necessárias em média oito horas de fogo à lenha, tempo este ideal à realização de uma festa familiar, conhecida como “festa da matança de porco”, em que o prato principal é a carne de porco. A participação de homens e mulheres é imprescindível à realização da chouriçada. Normalmente, as mulheres cuidam da preparação e do cozimento do doce e dos homens do abate dos porcos e da mexida do tacho do chouriço.
Aprendizado do bem
Aprendeu o ofício de mestra com sua, a senhora maria madalena da conceição, conhecida por dondon baeta (in memorian), que foi uma mestra de chouriço (e biscoiteira de sequilhos, biscoitos de leite e sodas) renomada na localidade, convidada para fazer o doce para muitas famílias carnaubenses. Quando sua mãe ia fazer o doce nas casas ela a levava para ajudá-la, o que facilitou seu aprendizado. “aí mãe começou a fazer chouriço nas casas e toda casa que ela ia me levava também pra ajudar a ela fazer o chouriço. Aí quando ela não tava fazendo chouriço, ela fazia sequilho, soda pra entregar aqui em carnaúba nos hotéis. Aí quando era época das festas, na festa de nossa senhora da vitória, de são josé, também, a gente fazia, eu e ela fazia sequilho pra o povo, ficava uns quatro dias, cinco dias fazendo sequilho, às vezes, a gente fazia até doze da noite, o sequilho miudinho, o sequilho, a raiva, a gente fazia”. Desta forma, terezinha e sua irmã neuza também aprenderam a fazer sequilhos e outros biscoitos. Mas enquanto sua irmã especializou na prática dos biscoitos, ela preferiu a de mestra de chouriço. Ao lembrar do tempo que sua mãe fazia o doce em sua residência, no sítio maribondo, ela diz que era sempre uma festa e o doce era, normalmente, era feito em colaboração com a vizinhança. “tinha festa, nesse tempo à gente não vendia chouriço, mas nós morava no sítio, a gente juntava família, os vizinhos do sítio, um dava rapadura, outro dava coco, dava tempero, dava a farinha e se fazia o chouriço só pra comer e a família. Quem botava alguma coisa tinha direito a ganhar chouriço e a ir almoçar lá também, ia almoçar também lá no sítio”. Mas, quando sua mãe foi residir na “rua”, ela passou a fazer o doce para comercializar na comunidade. Com a morte de sua mãe passou a realizar a atividade, primeiro em sua casa e, depois, na de pessoas conhecidas, inclusive para àquelas famílias que sua mãe costumava fazer. Atualmente, terezinha reside na cidade de carnaúba dos dantas e não cria porcos, mas faz chouriço com o sangue doado por marchantes ou por criadoras de porco conhecidos para comercializar junto à comunidade. Além do mais, é sempre “convidada” para fazer o doce em outras residências, como era uma prática realizada por sua mãe. Mesmo não residindo no campo, costuma passar a semana em uma propriedade de sua irmã, aonde desenvolve atividades agropastoris. Apesar da mestra ser mãe de quatro filhos, no momento, ela reside sozinha, o que dificulta a participação deles na feitura do doce. Normalmente, quando precisa fazer o doce é obrigada a desenvolver todas as etapas do processo de preparação e cozimento do doce, sozinha. Poucas vezes, pode gratificar um mexedor conhecido e de sua confiança para ajudar-lhe a mexer do doce ou receber a colaboração de familiares. “é difícil. É preciso a pessoa ter muita coragem. É difícil. É porque eu faço, porque assim mesmo que eu. . . O chouriço gasta demais e se eu for pagar uma pessoa pra me ajudar do começo ao fim, o lucro vai se embora quase todo, aí eu faço assim: eu lavo as latas tudinho na semana, aí enxugo quando acabar, coloco tudo dentro de um saco plástico e amarro, asso as castanhas, acabar môo as castanhas que é de colocar dentro e deixo as de fora que é pra botar nas latas, môo, pego os tempero erva doce, canela, cravo, gengibre, môo tudinho, boto nas latinhas aí aguardo aí. Aí venho do sítio, eu venho com saco transferido do sítio, quando é dia de’eu fazer, véspera, arrumo a casa rapo os coco tudinho, coloco na geladeira, arrumo a casa, aí, sim, aí vou, pego, vou pegar o tacho, faço as trempas ali no beco, pego a rapadura, quebro tudinho, boto no fogo pra desmanchar, pra fazer o mel. Quando o mel ta todo desmanchado, que ferveu, eu tiro todinho, boto num balde, o mel. Quando acabar, cubro, aí lavo o tacho de novo, quando é de noite, assim, negócio de dez horas, eu tomo um banho arrumo a cozinha, faço café, deixo em cima da mesa, aí vou começar a preparar o chouriço, tem tirado já tenho tirado o leite do fogo, aí vou preparar o chouriço [. . . ]. O mesmo não acontece quando ela realiza o ritual em outras residências, onde geralmente recebe a colaboração de mulheres e homens na realização de todas as etapas. Geralmente é tarefa da dona da casa ou do chouriço, a preparação (moagem ou pilagem) de todos os temperos e ingredientes antecipadamente. O cenário da “chouriçada” é a própria residência da mestra, sendo a cozinha e o quintal seus espaços mais significativos. É mais precisamente neste último que acontece o cozimento do doce. A feitura do doce envolve dias de preparação mas sua produção propriamente dita dá-se durante um dia inteiro, começando pela manhã e terminando no final da tarde. Algumas famílias preferem fazê-lo no final da tarde, em torno das 16 horas, estendendo-se até a madrugada. Em sua residência, geralmente ela passa a noite inteira cozinhando o doce.
Transmissão de saberes
Diretamente não, mas acredita que as pessoas que participam da feitura do doce, terminam aprendendo alguma coisa. Lamenta que a prática tradicional herdada de sua mãe não vai ser desenvolvida por suas filhas e nem pelas suas sobrinhas que, também, não aprenderam, ainda, a fazer o doce.

