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Nome completo
Angélica Maria Dos Santos
História de vida
A entrevistada, rezadeira aclamada no município de carnaúba dos dantas, é a mais famosa praticante do ofício na cidade. Já possuindo uma idade avançada, 99 anos, não mais reza com tanta freqüência, mas diz que “ainda vem muita gente, porque eu estou velha, mas não esqueci as rezas”. Relata que recebe cartas de outras localidades – “ah, tem ligado muita gente pra mim, de são paulo, para eu rezar” – e é procurada por pessoas de outros países, como os eua. Dona angélica reza sobre a outra pessoa, geralmente a sós com esta e, segundo ela, somente “digo as palavras, porque quem reza é deus”.
Localização
Descrição da atuação em rede
A entrevistada, rezadeira aclamada no município de carnaúba dos dantas, é a mais famosa praticante do ofício na cidade. Já possuindo uma idade avançada, 99 anos, não mais reza com tanta freqüência, mas diz que “ainda vem muita gente, porque eu estou velha, mas não esqueci as rezas”. Relata que recebe cartas de outras localidades – “ah, tem ligado muita gente pra mim, de são paulo, para eu rezar” – e é procurada por pessoas de outros países, como os eua. Dona angélica reza sobre a outra pessoa, geralmente a sós com esta e, segundo ela, somente “digo as palavras, porque quem reza é deus”.
Aprendizado do bem
A senhora dona angélica diz ter aprendido o ofício de rezadeira com sua avó, ainda pequena: “minha avó era rezadeira e era muito, muito religiosa, graças a deus na minha família todos são, aí ela me ensinava e eu acompanhava ela, como neta e como quem estava aprendendo”. A entrevistada possui em sua casa, presa à parede, uma fotografia de sua avó, com quem aprendeu o ofício, ao lado de um outro retrato de sua mãe e, no momento da entrevista, falando sobre o seu aprendizado, aponta o local das fotografias na casa. Contribuiu para o seu aprendizado a ajuda constante que muito cedo necessitou dar a sua mãe, viúva, já que seu pai morreu, vítima de um acidente de cavalo, quando a entrevistada possuía ainda cinco anos de idade. Relata ainda que “criei todos os meus filhos no cabo da enxada e no facão, pra não pedir nem andar pedindo na rua, e hoje estão aí todos criados”.
Transmissão de saberes
Dona angélica relata que jamais ensinou a uma outra pessoa, pois considera a sua capacidade de rezar um dom natural e, como tal, não pode ser passado ou ensinado, apenas quem nasce com ele o pode manifestar. Tampouco o utiliza com fins financeiros, de modo que não cobra nenhum valor das pessoas sobre as quais manifesta o seu ofício – “se alguém me dá algum agrado é por livre e espontânea vontade, porque sabe a minha idade e a miséria, a pobreza, né, que eu sou muito pobre. Eu tinha um filho que me dava muita coisa, mas ano passado deus achou que devia levar e ele morreu”. Em outro momento diz: “cristo quando veio curando o povo na terra não cobrava nada de ninguém”.

