Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Francisco Vítor Rosa
História de vida
Construção de casas de pedra. Não necessita de ajudantes. A matéria-prima é adquirida pelos empregadores.
Localização
Descrição da atuação em rede
Construção de casas de pedra. Não necessita de ajudantes. A matéria-prima é adquirida pelos empregadores.
Aprendizado do bem
Ao perguntarmos ao entrevistado qual era a denominação do ofício no qual ele trabalha, ele deu-nos parte da resposta para este item: eu vou começar pelo começo, sabe? Normalmente, as pessoas onde elas estão, elas se adaptam ao ambiente em que vivem? Eu acredito que lá no começo, quem descobriu são tomé das letras, eles usaram a matéria-prima que tinha aqui na época, que é a pedra, e trabalharam ela para montar as suas casas e daí veio a cidade. Então quando criança, eu nasci em cima das pedras e fui vendo as construções, fui crescendo, o tempo foi passando. Meu pai trabalhava na pedra, foi um dos pioneiros na pedra, né, então eu já fui direto para a pedra também trabalhar. E desde criancinha, vendo aquilo ali e mexendo com as pedras, eu fui sobrevivendo da pedra. Então, eu acho que os meus antepassados que chegaram deixaram essa coisa. Essa raiz. E fui diferenciando dos outros, pois os outros trabalhavam com a pedra para sobreviver. Eu trabalhava com a pedra para sobreviver também, mas sempre construindo, desde pequeno, aquelas casinhas de pedra. Então, foi daí que eu fui desenvolvendo, e com o passar dos anos, eu fui vendo que, como as construções eram de pedra, então tinha que ser de pedra. Com o passar dos anos, eu comecei a trabalhar com a pedra. Aí me surgiu essa ideia de começar a construção de pedra. Aí me chamaram para trabalhar, pois viram que eu tinha como trabalhar com construção de pedra. Então eu comecei a trabalhar, mas vendo que eu tinha que trabalhar mais ela. Tinha que ir vendo o serviço dos antepassados. Eles usavam todas elas que estavam perto deles, iam atrás de mais algumas mais longe. Comecei a aprender. Usando trabalhar mais ela. Tinham uns que trabalhavam mais ela, principalmente os antepassados. . . (ver material audiovisual arquivo ma. 001. 0709a 00:01:29) mais adiante na entrevista, francisco vitor rosa declara: quando criança, eu já observava as formas de trabalhar. . . Umas formas mais trabalhadas, outras menos trabalhadas, outras nada trabalhadas. Alguns pedreiros pegavam a pedra bruta do jeito que estava e eles já colocavam a pedra bruta sobre os muros. A gente enquanto criança, às vezes nem olha bem para esse lado. Mas, com o passar do tempo, você vai vendo, e quando eu comecei a trabalhar eu já adotei essa linha de trabalhar mais a pedra usar ela muito bruta mais não. Pode-se usar ela bruta, mas ela fica um pouco rústica, né? E ela trabalhada, fica mais. . . Ela entalhada, igual eu falo com você, ela fica mais. . . (ver material audiovisual arquivo ma. 001. 0709a 00:20:00) sobre o prazer em aprender a recortar a pedra, o entrevistado comenta: eu comecei meio cedo no serviço, com oito anos eu já comecei a trabalhar. E trabalhando nessa linha de talhar a pedra. Fala-se recortar as pedras, né? Aí eu já comecei a recortar elas. E vendo que o recorte era uma coisa gostosa de fazer dentro do trabalho de extração o recorte é uma coisa que eu sentia mais prazer de fazer. Além dos outros trabalhos também, né? A remuneração na época. Teve uma época que foi melhor. Aí eu comecei. . . Mas. . . Eu sempre tive esse dom também, eu sou um pouco curioso, muito curioso de conhecer o desconhecido, sabe? Aí eu queria domar ela, né? Aí eu comecei a aprender a domar ela e nessa daí que estamos aí aprendendo a domar até hoje. Às vezes porque a gente acha que sabe domar ela, eu acredito que é ela que doma a gente, mas você tem que trabalhar com ela, conversando com ela também. [ver material audiovisual arquivo ma. 001. 0709a 00:20:00] sobre a relação do entrevistado com a igreja do rosário em são tomé das letras e o aprendizado: essa igreja aqui do rosário, acho que ela foi terminada em 1978. Ela é uma construção inacabada. Então, enquanto criança eu brincava encima dela. A gente escalava a igreja, a gente escalava e ficava andando em cima dela. Então eu cheguei a ver isso. Hoje, eu tenho essa consciência assim, mais clara. Porque antes não, antes eu corria via aquilo, mas eu não tinha. Estava vendo que ela era feita assim. Não tinha tanta consciência de que ela era mais encaixada. Com o passar dos anos que a gente envelhece e o corpo fica lento, mas a cabeça vai se encaixando, as peças lá dentro se assentando. Acho que agora com esse processo que eu tenho essa visão, com esse processo mais assim, porque quando eu comecei a trabalhar. Eu tinha uma forma, via e trabalhava, mas com o processo de ir trabalhando, quanto mais você vai trabalhando, mais você vai aprender com o trabalho. Você tirar do seu trabalho o máximo de você. Então, eu estou nesse processo de tentar tirar do meu trabalho o máximo de aprendizagem com a matéria também, com a pedra. Porque ela também te ensina como ser usada, o lugar que você tem que colocar. Eu pego uma e penso “não, essa aqui é daquele lugar, ela está querendo ser colocada naquele lugar”. Então eu acredito que é bem assim balanceado. Você já acha ela e acha o lugar dela. Você só tem que deslocar ela até o lugar dela para construir, né? Ela já está ali para ser colocada lá naquele lugar. [ver material audiovisual arquivo ma. 001. 0709a 00:53:00]
Transmissão de saberes
Sim. Atualmente, possui dois discípulos: gérson (30 anos aproximadamente, sobrinho do entrevistado) e luiz (30 anos aproximadamente, primo do entrevistado). O entrevistado comenta que não têm surgido muitos “novatos” (aprendizes). Segundo ele, as razões para tanto são a má remuneração do serviço e a necessidade de muita paciência para que ele seja aprendido.

