Informações
Projetos relacionados
Descrição e relevância do território
4.1. População e Localização
Apêndice 1 (localizado no final desta ficha)
4.2. Paisagem Natural e Meio Ambiente
Dos principais ecossistemas encontrados na chapada diamantina, de acordo com autor consultado (a1- 24) é possível ser observado nas caraíbas o campo rupestre, cerrado, florestas e brejos. ainda mais, citado pelo sr. isael novaes, presidente da associação local, ecótonos, sendo sugerido por ele entre caatinga e campo rupestre, pois é possível encontrar tanto espécies característica de um tipo quanto de outro, segundo ele: “velame, aroeira e catinga de porco”. além destes, pode-se observar áreas já transformadas por ações antrópicas como aquelas destinadas a agricultura e a escassa, porém presente, criação de gado. os rios que correm na localidade são, segundo sr. isael, o córrego da serra do sincorá, que passa pela propriedade do citado presidente, e ainda o córrego do palmital, afluente do anterior que deságua na barragem do apertado. eventualmente a comunidade utiliza estes rios para pescar e antigamente eram recorrentemente utilizados, tanto para o abastecimento de água nas residências, como para lavar roupas. porém, a barragem é frequentemente utilizada para atividades de pesca, pois, segundo sr. isael, tem uma maior quantidade de peixes do que as outras opções. como citado, todos os recursos naturais que estão próximos a essa comunidade, que eles utilizavam com freqüência pois dali retiravam toda forma de sustento da sua família, estão proibidos de serem explorados pois aqueles situados na área da fazenda é de reserva permanente desta e não pode ser tocada, e aqueles localizada em uma distância de 5 km do fundo das casas é a serra do sincorá, que por lei também não pode ser utilizada. assim, nenhum recurso pode atualmente ser utilizado, consequentemente nenhum bem cultural levantado está associado a este tipo de uso. o artesanato em palha de licuri era um modo de fazer recorrentemente encontrado na localidade, sendo sua última artesã representante, falecida há cerca de seis anos. esta não deixou nenhuma pessoa capacitada a exercer a mesma função que ela. porém, segundo a genitora de sr. isael, em município vizinho, algumas pessoas aprenderam este ofício. a artesã utilizava o cipó caititu para fazer os balaios, a taquara para a fabricação das peneiras, as palhas de licuri para confeccionar as vassouras (este recurso é colhido na fazenda horacinópolis, pois na área da localidade não existe tal espécie). esta foi uma atividade que entrou em extinção na localidade, juntamente com a reza que d. benedita e d, joaninha realizavam todo ano para sua santa de devoção. porém, sr. isael relata que não tem lembrança do nome da santa.
4.3. Marcos Edificados
Na localidade não foram observados imóveis, conjuntos arquitetônicos, urbanos nem paisagísticos tombados pelo iphan ou por outro órgão governamental. também não foram encontrados estudos, levantamentos ou trabalhos arquitetônicos, históricos ou arqueológicos realizados na área. apesar de ter sido relatado por sr. isael uma capela, situada as margens do rio, próxima a atual sede da associação, onde era cultuada a santa de devoção de d. benedita. com seu falecimento, essa capela foi destruída e a citada imagem da santa foi transferida para a residência de outro morador, d. joaninha, sua nora. com a morte desta, até a celebração realizada em data específica foi abandonada, no já minguado calendário de celebrações da localidade. como afirma autor consultado “num país que busca seu desenvolvimento, tendo como base ideais de justiça, cidadania e bem-estar social, a dimensão econômica e a dimensão social, cultural e ambiental não podem ser consideradas de forma dicotômica. ”. esta análise de forma holística com o recorte para o brasil, pode ser reduzido seu foco para a localidade do sítio em estudo, caraíbas, pertencente ao município de mucugê. portanto, outras recomendações acerca de diversas outras questões, que não as solicitadas, foram sugeridas pelo diagnóstico realizado pelo gamba (a1-179) na localidade, que são relatadas a seguir em 2002, diversos projetos seriam de necessidade para esta localidade. dentre estes estão a construção de pequenas barragens para irrigação das roças dos moradores, energia elétrica, organização dos produtores rurais da localidade em cooperativa, cursos e investimentos financeiros em atividades ligadas a apicultura, cursos e investimentos financeiros em administração rural, manejo e uso do solo e da água, qualificação, investimentos financeiros e regulamentação das atividades ligadas a piscicultura, e obtenção de recursos financeiros e convênios na atividades agrícolas. já aquelas mais urgentes são as relacionadas à aquisição de energia elétrica (situação atualmente resolvida na comunidade), recursos e equipamentos para irrigação, sistema de tratamento para a água, acesso aos meios de comunicação como telefones, construção de casa de farinha para o beneficiamento local da mandioca, pastagens para criação de gado, e projetos relacionados as atividades de apicultura e piscicultura. 9 documentos anexados obs. : ver anexo 1: bibliografia anexo 3: bens culturais inventariados encontro de sanfoneiros (f11-1 a3 1), plantação e beneficiamento de arroz vermelho (f11-1 a3 2), plantação e beneficiamento de café (f11-1 a3 3). anexo 4: contatos mizael gomes da silva (f11-1 a4 1), mizael davi rocha da silva (f11-1 a4 2), eduardo varejão fonseca (f11-1 a4 3), isael santos novais (f11-1 a4 4). fichas de identificação de bens - 10 identificação da ficha pesquisador(es) lilane sampaio rêgo, leandro max peixoto, edson mascarenhas, fábio pedro bandeira supervisor fábio pedro bandeira redator lilane sampaio rêgo data 20/08/2008 responsável pelo inventário fábio pedro bandeira apêndice 1: segundo sr. isael, presidente da associação comunitária das caraíbas, caraíbas é uma localidade da zona urbana de mucugê, distante cerca de 24 km da sede e possui atualmente, aproximadamente trezentos habitantes, distribuídos em setenta e cinco casas. de acordo com diagnóstico socioeconômico realizado pelo grupo ambientalista da bahia (gamba) (a1-179) em 2002, a localidade possuía cerca de duzentos habitantes, distribuídos em trinta e cinco famílias. estas casas estão localizadas por toda área, ora isoladas, ora aglomeradas, entremeadas por pequenos cultivos de café. sendo o centro da localidade, o lugar onde estão instalados a sede da associação supracitada e o bar local. o trabalho das pessoas do gênero feminino, está mais restrito aos serviços de casa e de cuidado com os filhos. porém, algumas representantes trabalham nas grandes fazendas de cultivo irrigado. sendo costume por parte da população o casamento consangüíneo. o acesso ao sistema de saúde emergencial e de educação a partir do segundo grau é realizado em mucugê. com relação a educação, de acordo com o mesmo diagnóstico acima citado, a localidade dispõe de prédio escolar com dois professores de nível médio que lecionam do pré-escolar até a quarta série. a partir deste ponto, os alunos são encaminhados para o colégio estadual horácio de matos, com transporte gratuito de ida e volta para a sede do município, onde completam o segundo grau. a comunidade tem como atividade principal de subsistência a agricultura, principalmente o cultivo do café, arroz vermelho, feijão e mandioca, além do emprego com carteira assinada e também em serviços prestados durante os períodos de colheita dos cultivos em grande escala, ambos nas grandes fazendas de agricultura mecanizada. porém, o cultivo mais desenvolvido é o café. possuem todo maquinário para estabelecimento de uma beneficiadora própria, porém, por falta de uma estrutura física que suporte tal, estão impossibilitados de utilizar o maquinário. atualmente beneficiam o café na beneficiadora da fazenda horacinópolis e revendem tanto para mucugê, como para cascavel, feira de santana e vitória da conquista. a mandioca produzida é beneficiada em paiol, comunidade distante cerca de 30 km de caraíbas, onde o trator da associação é utilizado para o transporte uma vez por ano. o presidente da associação afirma que a quantidade de pessoas que cultivam a mandioca é escassa por conseqüência da ausência de uma casa de farinha na localidade. o serviço nas roças, frequentemente são realizados em forma de mutirão. este é realizado em todas as roças de todas as pessoas que participaram do grupo. isto acontece durante a época de limpa do terreno e plantio do café. para a época de colheita eles costumam contratar de quatro a cinco pessoas. sua formação é restrita a uma rua principal onde de um lado está situada a fazenda iharabrás, sendo possível a visualização de sua área de reserva permanente, do outro lado na parte posterior das diversas residências estabelecidas, poucas roças de agricultura familiar, uma área de brejo e logo na sequência com cerca de menos de 3 km de distância, a serra do sincorá. por um extremo dessa rua, a localidade está limitada pela entrada da fazenda iharabrás que foi proveniente de um arrendamento realizado pela bagisa, assim como de diversas fazendas que estão espalhadas pela área. sendo esta de limite principal a fazenda horacinópolis. por outro extremo a cerca de 6 km da localidade pode-se alcançar tremedal, outra localidade pertencente ao município de mucugê. a relação estabelecida entre a bagisa e a comunidade é de fácil trato, segundo sr. isael novaes. ele acredita que a relação é boa, por decorrência do respeito que a comunidade tem com relação aos limites territoriais estabelecidos, como também pelo atendimento destes à solicitação de tal empreendimento para a não realização de atividades de caça ou extração de qualquer tipo de recurso oferecido na área de reserva permanente na qual a citada localidade divide limite. inicialmente, logo na instalação da citada empresa, esta não fornecia para a comunidade aquelas madeiras provenientes de desmatamentos realizados para implantação dos pivôs de cultivo. segundo o informante-chave, por solicitação de sr. eduardo varejão, estes passaram a fornecer o citado recurso que passou a ser acumulado pela população e desta forma, deixaram de extrair este da área de reserva permanente da fazenda. o transporte realizado para levar o recurso da fazenda para a localidade é de responsabilidade da fazenda. porém, sr. isael relata que não sabe qual será o destino da comunidade com relação à obtenção de madeira para lenha (forma de cozimento amplamente utilizada por mais de 90% dos moradores). este questionamento é decorrente da mudança de tal empresa para outra área que possui outro tipo de vegetação, chamada gerais, próxima ao projeto flores da bahia (ba 142). a empresa realizará esta mudança, pois na área onde está instalada não é permitida uma ampliação da área de desmatamento, associando ao fato que o cultivo não pode ser realizado mais de duas vezes no mesmo pivô, tal estabelecimento não poderá se sustentar em face a estas limitações. a responsabilidade sobre o limite entre a localidade das caraíbas e a fazenda, é de um funcionário da citada fazenda. porém, sr. isael relata que já tem bastante tempo que a relação é bastante favorável para ambos os lados. a fazenda faz um trabalho de conscientização junto aos moradores locais com freqüência. há cerca de dois anos, a associação da localidade, em parceria com o ibama e também com a bagisa, construíram um horto na citada localidade. o objetivo deste é a obtenção de mudas de espécies nativas para serem reflorestadas nas áreas que foram devastadas nas fazendas da empresa. para trabalhar neste tipo de serviço, cinco moradores da localidade são remunerados para a realização de tal tarefa. associada a este horto, foi construída uma pequena horta de usufruto de toda comunidade. o plantio é realizado organicamente, não é utilizado nenhum tipo de agrotóxico nos cultivos. dentre eles estão alface, rúcula, coentro e cebolinha. é relatado pelo sr. isael que a ausência de agrotóxicos impossibilitou o cultivo do brócolis, porém ele afirma que não tem conhecimento de outras formas de plantio para resolução deste tipo de problema. dentre as diversas mudas já produzidas no horto supracitado estão: copaíba, candeia (família compositae), maçaranduba (família sapotaceae ou lauraceae), pau d’arco (família bignoniaceae), caraíba (família boraginaceae), aminuã, aroeira, jacarandá (família leguminosae-papilionioidae), gameleira (família guttiferae), grão de galo (família boraginaeae), carrasquinho, murici (família malpighiaceae ou vochysiaceae), tambori, boca doce, baixó, quina (família rubiaceae ou moraceae), amargoso, ingá (família leguminosa-mimosoideae), ingazeiro (família leguminosa- mimosoideae), macaquira, pindaíba (família annonaceae), dentre outras. a empresa inclusive assume gastos com patrocínio de eventos, tais como o encontro de sanfoneiros de caraíbas (a3-01), sendo um dos seus patrocinadores desde a primeira versão de tal encontro. frequentemente costumam doar madeira de eucalipto para a comunidade. contudo, sr. isael afirma que existem obras a serem realizadas pela citada empresa nas terras da comunidade, como uma forma de compensação ambiental. tais como: construção de quadra poliesportiva e de um prédio escolar equipado com sala de informática. porém, até o momento não foram efetivadas. o presidente supracitado acredita que por decorrência deste fato, o ibama não emitiu a liberação para desmatamento na área da fazenda. a relação estabelecida com a proximidade a serra do sincorá, remete a relação estabelecida da comunidade tanto com os recursos naturais, como com o ibama. antigamente, durante o período de extração das sempre-vivas, a comunidade sobrevivia basicamente da extração de recursos naturais, tais como a sempre-viva, porém outras espécies também eram retiradas durante todo o ano. atualmente, após a criação dos parques (nacional e municipal), a comunidade ficou proibida de executar tal tarefa. essa situação modificou toda a forma de sobrevivência desta, transformando-os de agricultores familiares, a assalariados nas fazendas de agricultura irrigada. porém, com o tempo a relação com o ibama foi amenizada. esta instituição, segundo afirma sr. isael, não aparece com freqüência na localidade, tem cerca de 3 anos que não visitam tal lugar. a serra do sincorá, antes representava a fonte de extração dos principais recursos naturais utilizados, hoje uma barreira para o incremento do orçamento familiar e sinônimo de punição de acordo com as leis ambientais cabíveis. a relação com a sede de mucugê é direta, tanto para a comercialização dos poucos cultivos produzidos pelos moradores, quanto a parte do sistema de educação e saúde. toda necessidade da comunidade é resolvida nesta sede. já com tremedal, a relação é fraca. apenas a incidência de áreas de plantio de alguns poucos moradores de caraíbas. na localidade não existe nenhuma edificação voltada ao culto religioso, seja ele de qualquer natureza. o culto católico, como também o evangélico, são realizados na sede da associação. o padre católico é do município de barra da estiva e se faz presente na comunidade uma vez por mês.

