Informações
Perfil étnico-racial
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Histórico da atuação cultural/patrimonial
Sou Andresa Monteiro Moreira, antropóloga, cientista social formada pela UFAL e licenciada em história. Atuo na área de antropologia da religião, antropologia e museus e patrimônios culturais. Estou imersa nessa área de estudos desde a minha graduação em ciências sociais quando comecei a trabalhar com populações tradicionais de terreiros e atuei como bolsista mediadora do equipamento cultural da UFAL, o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore, lá desenvolvi atividades de educação patrimonial e atividade de pesquisa com o acervo afro-religioso doado ao museu que têm origens distintas e controvérsias.
A partir dessa área de atuação, passei a me debruçar sobre curadorias compartilhadas e direitos dos sujeitos sobre coleções etnográficas. Minha atuação como antropóloga também versa sobre questões de territorialidade e memória, foi minha temática de pesquisa no mestrado as relações “sincréticas” que reelaboram e tensionam a formação dos cultos afro-alagoanos pós-Quebra de Xangô de 1912, mais especificamente, o culto da Umbanda traçada com Nagô na cidade de Maceió.
Como moradora de Maceió, minha relação com a região afetada era uma relação de contatos pontuais e convívios esporádicos em alguns lugares que frequentei, a exemplo da Igreja Batista do Pinheiro, a estação ferroviária e a feira de Bebedouro e durante a minha passagem nos bairros de Bom Parto e Mutange quando usava o VLT. Atuando como agente de pesquisa IPCI, passei a estabelecer contatos mais frequentes e corriqueiros com a população que mora ou morou na região, com mestras e mestres de diferentes ofícios: pescadores, marisqueiras, romeiros, brincantes de coco e quadrilha junina, yalorixás, mestras de coco e mestres de Guerreiro.
Através da pesquisa de campo e o contato com esses diversos interlocutores, pude conhecer e entender como as pessoas vivenciavam a região que contemplava os cinco bairros que era tida como um grande polo cultural e um vasto território que mantinha diversas práticas simbólicas com variados grupos e tradições que tentam, diante das circunstâncias concretas de desmembramento de território, prosseguirem com suas atividades. Foram inúmeras sociabilidades que compreendi por meio da pesquisa: a lagoa da qual se tirava o sururu; a praça de onde saía a procissão; a escola onde tinha ensaios de coco de roda; o pé da serra que deu nome à quadrilha junina; a mata e o mangue que era local sagrado de oferenda para o orixá; a feira onde era vendido o peixe; o porto que ficava no quintal do pescador... é um território geográfico que foi em grande parte extinto, mas é reelaborado e construído através das diversas narrativas e memórias individuais e coletivas de moradores e ex-moradores que pude ouvir.




