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Descrição do marco
As cachoeiras são, de modo geral, lugares de grande importância histórica para a formação dos mocambos de Oriximiná. Foi principalmente no alto das cachoeiras que se fixaram e reproduziram, em relativa segurança, os grupos de negros aquilombados que fugiram das fazendas de cacau e café. Nelas os “negros estabeleceram sua primeira base territorial, a menos atingível, mantida em segredo ante os estranhos” (ACEVEDO; CASTRO, 1990, p. 93). A Cachoeira Porteira, especialmente, tem um significado histórico especial. Primeira cachoeira do Trombetas, batizada pelo missionário franciscano, Mazzarino, de São Miguel Arcanjo, e conhecida também como Vila dos Pretos, Cachoeira Porteira foi a passagem de fuga da escravidão para a liberdade, o lugar que serviu de abrigo para os negros, no leito das águas, das pedras e da mata: Justamente por isso, porque se tornou um portão, eles subiam no remo, e quem vinha atrás vinha na vela e jamais ia conseguir subir a cachoeira. E, como eles falam, lá do alto do Turuna a gente conseguia enxergar quem subia. Então, é a cachoeira que é a porteira, e taí a cachoeira batizada de Cachoeira Porteira! (Sebastiana, Cachoeira Porteira, 02.05.2013). Foi acima da Cachoeira Porteira, com ajuda dos índios Kaxuyana, que se instalaram as primeiras famílias de negros fugidos no Rio Trombetas. Somente após a abolição da escravatura é que os negros começaram a baixar o rio e a estabelecer comunidades nas chamadas “águas mansas”. Este período é conhecido como “descenso”. Foi também na Cachoeira Porteira que na década de 1980, na época de organização do movimento quilombola de Oriximiná, os negros realizaram um manifesto contra o projeto de instalação de uma usina hidroelétrica no Alto Trombetas.

