Informações
Projeto de identificação relacionado
Apresentação
Iniciado em Barra de São João- RJ, cidade da Baixada Litorânea, entre o rio e o mar, o trio conta com a junção da nordestinidade e o feminino em sua essência, representatividade, musicalidade e expressão. Com um repertório de eclético de forró, as influências musicais conta com arranjos repaginados que caminham de influências do blues ao galope, e a outros diversos gêneros, explorando a riqueza da cultura nordestina.
Perfil institucional do grupo
Pessoa jurídica com fins lucrativos > Microempreendedor individual (MEI)
Localização
Espaços utilizados pelo grupo
O grupo realiza ensaios em espaços variados, como casas dos integrantes e locais cedidos para preparação e desenvolvimento musical. Apresentações ocorrem em bares, festivais e eventos particulares na região e municípios vizinhos.
Principais lideranças, representantes e interlocutores do grupo
Relações predominantes
Descrição das relações do grupo
As relações que sustentam o grupo "Mandacaru in Trio" e a trajetória de sua fundadora, "Alyne Araújo", são alicerçadas em vínculos de "ancestralidade, compartilhamento de saberes e uma forte conexão territorial" na região da Baixada Litorânea do Rio de Janeiro. A organização do grupo não é apenas profissional, mas fruto de encontros espontâneos e afinidades eletivas entre mulheres que compartilham o desejo de profissionalizar a prática do forró.
A base primordial das relações de Alyne com o forró é familiar. Ela pertence a uma linhagem de sanfoneiros da Bahia; é neta, filha e sobrinha de músicos. O aprendizado da sanfona ocorreu de forma autodidata e por imersão, observando o avô em sua oficina de instrumentos. Esse "saber" não foi transmitido por métodos formais, mas pelo tato e pela sensibilidade, uma herança cultural que Alyne descreve como algo que "está no sangue". Essa conexão com a ancestralidade é tão forte que ela chegou a realizar shows em homenagem à sua família de sanfoneiros e aos grandes mestres como Luiz Gonzaga e Dominguinhos.
Embora Alyne tenha nascido na Bahia, sua trajetória e a formação do trio estão intrinsecamente ligadas às cidades de Barra de São João e Rio das Ostras. Alyne construiu no estado do Rio uma nova família de amigos e parceiros musicais ao longo de 30 anos. A formação do trio atual, composto por Alyne (sanfona), Isabela Alhadas (zabumba) e Bia Giovannini (vocal e triângulo), reflete esses laços
Com Isabela, o vínculo nasceu no ambiente de trabalho, quando tocaram juntas em outro projeto e perceberam que compartilhavam os mesmos objetivos de criar algo autoral e profissional. Com Bia, a relação é de longa data, remontando ao tempo em que Bia morou em Barra de São João. O reencontro fortuito em um quiosque na cidade, seguido de uma "canja" espontânea de várias horas, selou a parceria.
O grupo organiza-se de forma colaborativa e autogerida. Atualmente, as próprias integrantes dividem as funções de produção, divulgação em redes sociais e criação de repertório. Existe uma divisão equitativa de responsabilidades e ganhos, ao ponto de planejarem incluir um produtor como um "quarto membro" que divide o percentual da banda.
A união das pessoas no grupo também é fortalecida pela reprodução da prática do forró pé de serra, mas com uma identidade própria que o trio chama de "repaginada". Elas buscam unir a tradição das raízes nordestinas (sanfona, zabumba e triângulo) com influências contemporâneas e internacionais, o que é simbolizado pelo "in" no nome do trio.
Além do núcleo interno, o grupo está inserido em uma rede mais ampla de forrozeiros na região, como o grupo "Bonde 022", que congrega mais de 200 pessoas entre músicos, DJs e dançarinos. Essa rede funciona como um sistema de apoio para a promoção de eventos e circulação da cultura do forró fora do eixo das festas juninas. O grupo tem uma militância pela valorização do forrozeiro, buscando não apenas o entretenimento, mas a inserção do forró no calendário cultural permanente da região e a luta por melhores condições de trabalho e remuneração.
Organização e hierarquias
O grupo é composto por três integrantes, sem uma hierarquia formal rígida, mas com funções bem definidas. Cada membro é responsável por diferentes aspectos artísticos e administrativos, além de colaborarem na definição do repertório e direção musical. Aline Araújo é a principal líder e articuladora do grupo, enquanto as outras integrantes desempenham papéis complementares.
Formas de tomada das decisões
As decisões são tomadas coletivamente, em reuniões e ensaios. As integrantes compartilham ideias e chegam a um consenso sobre repertório, apresentações e estratégias de divulgação. Aline, por sua experiência e iniciativa na fundação do grupo, geralmente orienta e organiza as ações práticas, mas as decisões são discutidas entre todas.
Papéis e funções dos integrantes do grupo
Aline Araújo (Sanfoneira e Fundadora): Responsável pela sanfona, direção artística e musical, e liderança geral. Aline também conduz a organização dos ensaios e a busca por novos projetos.
Isabella Alhadas (Zabumbeira): Focada na percussão, participa na construção das bases rítmicas e no planejamento criativo do grupo.
Bia Giovannini (Vocalista): Principal responsável pelos vocais, além de colaborar com a produção, divulgação em redes sociais e harmonização dos arranjos musicais.
Número de integrantes do grupo
3
Composição do grupo por idade
Faixa etária
entre 30 e 59 anos
Número de pessoas por faixa etária
3
Composição do grupo por gênero
Número de mulheres
3
Formação do grupo
O Mandacaru in Trio foi fundado em 2024 por Aline Araújo, após sua decisão de criar um projeto musical independente focado em suas raízes nordestinas. Aline reuniu Isabella Alhadas (zabumbeira) e Bia Giovannini (vocalista), que já possuíam experiência na cena musical, para compor o trio. Desde sua formação, o grupo tem ganhado destaque, tanto pela qualidade técnica quanto pela inovação musical, misturando repertórios tradicionais e contemporâneos.
Alyne: O Mandacaru Trio foi uma surpresa muito boa. Na realidade, eu vim tocando há uns anos com uma banda que não era minha, eu só era sanfoneira e senti vontade de fazer um projeto meu. Saí dessa banda, logo em seguida entrei numa banda de axé pra fazer o verão passado, a banda da Mara, Mara Cantora, teclado, trio elétrico. Eu não me imaginava mais tocando em trio elétrico, acho que já tô velha pra trio elétrico, só que também é outra coisa que está no sangue de tal forma que eu falei, eu vou por dinheiro, eu vou pelo cachê. Mesmo com essa idade, sabe, sinto jovem pra caramba, eu falei, vou subir no trio pro cachê. E, quando eu chego em cima de um trio elétrico, a vibração, a emoção é tão grande que não tem dinheiro que pague. Por também estar no sangue o batuque, o axé, é uma das minhas raízes também. O que acontece, quando acabou o carnaval, o pessoal queria que eu continuasse na banda de axé e eu não me senti mais à vontade. Eu falei, não é isso que eu quero, essa fase minha passou. Toquei muitos anos em trio elétrico. Então, eu vou botar esse projeto que tá na minha cabeça há um tempo. Eu vou colocar ele em prática. Foi quando eu fui fazer um cachê com as forrozeiras. A menina não podia, tava sem poder tocar sanfona, tinha feito uma cirurgia e me chamou pra fazer um cachê com elas. E eu encontrei a Isa, zabumbeira, que também já estava com vontade de montar um projeto próprio. Ela já tinha falado com as meninas que ia sair e eu falei: ó, resolve tuas coisas aí, eu tô por aqui, mas resolva tudo da melhor forma. E a gente tava pensando da mesma forma, eu descobri que a gente queria as mesmas coisas. Aí, a gente batalhou atrás de uma vocalista, né, porque eu canto, a Isa canta, mas nós não somos cantoras. A gente é o "embromeixo" da vida, assim, nós somos instrumentistas mesmo. Aí, eu reencontrei a Bia, a Bia Giovannini de anos atrás.
Acontecimentos e marcos temporais
Data
1 de abril de 2024
Acontecimento
Primeiro ensaio do grupo.
Atividades econômicas
Perfil de renda
0 a 2 salários mínimos
Geração de renda
Renda complementar
Produtos geradores de renda
Shows e apresentações
Dificuldade para a comercialização
Alyne: Eu vejo esse lado bem precário aqui na região, bem mesmo, muito precário ainda. A gente também está com alguns projetos de roda de forró para ver se abrange e se entra no calendário e se tem ... porque, como eu falei, tirando essa época de junho e julho, a gente vive meio que de bicos. A gente faz um forró barato, um cachê baixo para sobreviver. Eu, principalmente, que vivo exclusivamente da música, estou até pensando em um trabalho fixo para que eu viva com mais tranquilidade em relação à música porque passou a fase de arraiais. Ele, na região, ele não sobrevive, ele não se mantém, ele não mantém o operário dele, ele não mantém o que divulga, o que se dedica, o que faz por amor. É isso. A gente está com a ideia de colocar para frente esse projeto que é uma roda de forró, que seria basicamente uma roda de samba no estilo de forró. Mais de um sanfoneiro, dois sanfoneiros. A gente deve conseguir aí com a duplicidade também de zabumba, triângulo, um cavaquinho, um pandeiro e tocar sentado ao redor de uma mesa, com alguns convidados especiais, fora o trio. A gente está pensando aberto e começar, conseguir um espaço porque, a gente colocando isso para frente, de repente a gente consegue um apoio da cultura, um apoio do turismo e, quem sabe, não entre no calendário, né? Agora a gente está na fase de cachês baixos, passou aquela fase de junho, julho, no máximo agosto, onde a gente consegue tirar um cachê melhor, mas que não sobreviveria com ele o resto do ano, sabe?
Diretrizes de ação de salvaguarda
Ação
Incentivos a producao economica
Descrição da ação
Melhoria no pagamento de cachês com fiscalização dos orgãos públicos para o pagamento de músicos.



