Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Edivan Dantas Silva
Data de nascimento
14 de novembro de 1962
História de vida
Nascido no interior da Paraíba, Betão teve o seu primeiro contato com a música ainda na infância, quando seu avô lhe enviou, do Rio de Janeiro, uma pequena sanfona. Começou praticando “de ouvido” – ao pé do rádio, observando sanfoneiros em festas e tentando reproduzir o que escutava. Ainda adolescente, passou a tocar em escolas e pequenos eventos do interior paraibano e formou o seu primeiro trio. Por volta dos 18 anos, migrou para o Rio de Janeiro em busca de trabalho, fixando residência na Rocinha, onde outros familiares já haviam se estabelecido – e onde vive, até hoje, junto de muitos conterrâneos. Durante os primeiros anos neste novo território, trabalhou em outras áreas, como lanchonetes e condomínios, de modo a afastar-se do forró por cerca de quatro anos. Seus pais trouxeram sua sanfona do Nordeste e, a partir daí, a carreira musical foi retomada. Betão atuou em diversos espaços do circuito do forró no Rio de Janeiro, como a casa Asa Branca (onde compunha uma banda de apresentação fixa) e a Feira de São Cristóvão. Atualmente, “Betão da Paraíba e Trio” apresentam-se regularmente no restaurante Chiquita, em Copacabana, junto do zabumbeiro Janduí Batista e Nonatto Almeida no triângulo.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Apesar de, atualmente, compor um trio com apresentações fixas no restaurante Chiquita, já atuou com diversos outros forrozeiros da rede fluminense, circulando por diferentes casas e eventos. Na Feira de São Cristóvão, por exemplo, estabeleceu uma parceria com Zé Matias, que o convidou para realizar apresentações por mais de cinco anos.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Betão é um sanfoneiro que já participou de diversos trios e apresentações de forró. Destaca o forró pé-de-serra como expressão da música nordestina a ser valorizada e preservada, o que se expressa em seu repertório, que busca valorizar uma perspectiva tradicional e “de raíz” da cena.
Aprendizado do bem
Aprendeu a tocar sanfona – após ganhar o instrumento de presente do seu avô, por volta dos dez anos de idade – ouvindo e assistindo outros sanfoneiros, dos quais tentava reproduzir os movimentos. Algumas das suas referências artísticas são Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Elba Ramalho.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Betão percebe que, atualmente, no Rio de Janeiro, restam poucos espaços dedicados exclusivamente ao forró pé-de-serra. O encerramento de muitas casas de show foi intensificado no período referente à covid-19, quando instituições e autoridades sanitárias recomendam o distanciamento social. Nesse sentido, muitas das apresentações de forró vêm sendo realizadas em restaurantes e bares. Ele sugere que o quadro que atravessa as matrizes tradicionais é acentuado na medida em que muitos dos forrozeiros jovens dedicam-se mais ao formato de bandas de show.
No que diz respeito à Rocinha, Betão percebe que a cena do forró foi bastante ativa nas décadas de 1980 e 1990. Neste período, havia espaços de forró que funcionavam, semanalmente, aos sábados e domingos, como o Forró do Café, o Forró da Coca-Cola e a Casa Emoções. As apresentações ocorriam no formato de trios, com repertórios voltados ao pé-de-serra, reunindo artistas migrantes nordestinos que residiam no local. Já o público, muito quantitativo, se dividia entre essas opções, ao longo de toda a madrugada. No presente, o sanfoneiro observa que a geração de jovens da Rocinha não demonstra grande interesse pelo aprendizado do forró pé-de-serra. Apesar de músicos pontuais buscarem movimentar o cenário, não percebe a estruturação de um mesmo engajamento coletivo de décadas passadas.
Transmissão de saberes
No âmbito familiar, Betão transmitiu os seus ensinamentos ao filho, Berg Dantas, que também se tornou sanfoneiro. De modo geral, também busca trocar conhecimentos, com base na prática e na oralidade, com os demais forrozeiros que convive.




