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Cícero de Araújo
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Cícero de Araújo
História de vida
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas na etapa inicial da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
As informações correspondem ao Questionário 1 (Censo Comunitário), instrumento de caráter predominantemente quantitativo, aplicado de forma abrangente para identificar e caracterizar os fazedores de cultura e as referências culturais às quais estão vinculados.
Por se tratar da etapa inicial de identificação, este perfil apresenta informações mais sintéticas, relacionadas à caracterização do participante e à sua vinculação com as referências culturais identificadas. Esses dados contribuíram para a construção de um panorama dos fazedores, práticas e saberes identificados pela pesquisa.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Localização
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
[Dados extraídos do INRC-AL]
FESTA E PROCISSÃO DE SÃO PEDRO - BEBEDOURO
28 A 29 / JUNHO
Festejava a invocação do santo protetor dos pescadores.
Possuía como celebração associada, a Corrida de Canoas realizada na laguna Mundaú
1-Começava com a movimentação da organização da corrida de Canoas um dia antes do dia da
procissão (dia 28).
2- Nesta semana era limpa a imagem de São Pedro que passava o ano todo em uma prateleira da
sala da Colônia dos Pescadores e era levada para a Igrejinha para os preparativos de charola;
igualmente agilizava-se a compra dos brindes para os vencedores da corrida
3- Também nesta semana inicia os preparativos para o Café da Manhã que tem no dia da
procissão (dia 29) servido na sede da Colônia. Agilizava-se a compra dos prêmios que eram
sorteados (alimentos, utensílios domésticos, equipamento eletrônico, etc.).
As etapas da festividade .nos 2 dias
1-Corrida de Canoas com premiação (troféus em forma de canoas) e queima de fogos:
Organizada para os pescadores e marisqueiras no dia 29.
2- Café da Manhã (no dia da procissão): Para pescadores e marisqueiras.
3- Sorteios de brindes no interior da Colônia, após o café da manhã.
4- Sorteios de brindes na frente da Igrejinha de São Pedro, após o café da manhã
5- Missa realizada na Igrejinha de São Pedro
6- Procissão acontecia em duas partes:
- parte terrestre (com parada da imagem de São Pedro em frente à Igreja do Padroeiro Santo
Antônio, daí saindo para a Ponte sob as águas do rio Silva para dar início ao trajeto lagunar.
- seguia-se o percurso da parte terrestre, no qual havia também uma associação com a imagem
de nossa Senhora da Conceição a partir de um trecho.
Inicia saindo da igrejinha de São Pedro. As imagens de Nossa Senhora das Graças (em
andor carregado por mulheres) vai á frente, seguida pela charola de São Pedro carregada por
homens, em cortejo terrestre até a Ponte do Rio Silva. Lá, a imagem de N. Sra das
Graças fica parada enquanto a imagem de São Pedro prossegue em cortejo até a frente da Igreja
Matriz de Santo Antônio (em parada na praça Lucena Maranhão em frente à porta da igreja. Após essa parada o cortejo com a imagem/charola de São Pedro desce para a Ponte do
rio Silva, até entrar por ele, em cortejo aquático em canoas, seguindo até alcançar a Lagoa
Mundaú e chegar no Porto do Sururú**.
Ainda na parte do cortejo terrestre há a saída da imagem de Nossa Senhora das
Graças até o Porto do Sururu onde acontece a queima de fogos com girândolas e fica
aguardando a imagem de São Pedro que vem no cortejo lacustre até o mesmo porto do Sururu.
Depois da queima de fogos e logo após a chegada da imagem de São Pedro no Porto, as
charolas das duas imagens são colocadas em paralelo no porto do Sururu e na pracinha de n.
Sra. da Conceição, ai se formando um novo cortejo terrestre que avança pela Av.
Tobias Barreto até dobrar na rua Augusto Barreto e parar na frente da capela de São Pedro.
(Ponto 6).
(*) A ponte sobre o rio Silva era ponto de venda de verduras, peixe e marisco no bairro.
(**) O Porto do Sururú ficava na praça de Nossa Senhora da Conceição.
Frequentadores:
Toda a população local e adjacente dos bairros de Bom Parto cambona e ainda outros
margeantes à laguna Mundaú como Vergel, Fernão velho, Coqueiro Seco acompanhava a
procissão, predominantemente nos dois trajetos.
Recursos financeiros:
Os recursos financeiros provinham os próprios registrados da Colônia de Pescadores somado a
recursos levantados ente os pescadores e marisqueiras.
Materiais e equipamentos utilizados na montagem da Festividade:
- Alimentos variados para o Café da Manhã: (frutas, pão, leite, sucos, inhame, cuscuz, ovos-
Cardápio de um café matinal em Maceió);
- Flores e folhagens diversas (quantidade variável) para o enfeite da charola de São Pedro*;
- Fogos para a queima de fogos na lagoa (Fogos tipo girandola – 12 a 15 girândulas).
- Não é feita uma representação de barca reduzida de madeira ou de outro material para levar a
imagem de São Pedro. A imagem venerada é transportada da Colônia (onde fica exposta durante
todo o ano), até uma canoa usada mesmo na pesca e ela é então enfeitada com as
flores/folhagens tornando-se a própria “charola” que desliza sobre as águas.
Observações:
Atualmente, após o esvaziamento do bairro, a procissão somente ocorre em trecho terrestre,
contudo, não exatamente igual ao que acontecia. Também, em virtude da atual inexistência do
prédio da capelinha de São Pedro que foi demolida, rompeu-se a relação direta com local onde
ocorria a missa.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.
.Localização
Relação com o bem cultural
Coordenador(a) de Eventos ParoquiaisData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
16 a 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Situada na atual praça Lucena Maranhão, também chamada Praça Santo Antônio.
O atual edifícío-igreja foi construído pelo comerciante português, Jacinto José de Nunes
Leite em substituição a anterior capela antes existente, já em invocação a Santo Antônio de
Pádua, construída pelo português Antônio Maria Aguiar por volta de 1816. Era uma capela
simples que servia também como capela funerária e ficava em frente ao antigo cemitério.
(Lemos, 2003).
O templo que a substituiu no exato local, foi erguido entre os anos 1870-1873 com maiores dimensões, mas, em formato de retângulo único que teve a sua fachada revestida por azulejos, vindos de Portugal, encomendados pelo referido português. Também a imagem de Santo Antônio foi mandada buscar em Portugal pela família do português que ampliou a capelinha preexistente passaria a ocupar o nicho maior e central no salão de culto. (Lemos, 2003).
Posterior a estes anos de reconstrução do templo houveram alguns acréscimos espaciais em uma de suas laterais, mas depois ocorreriam demolições destes. Desde 1913 tornou-se a Matriz da Paróquia de Bebedouro. Já a partir das décadas de 1970 e 1980 foram erguidos vários volumes em acréscimos laterais e posterior, que resultaram contornando o volume central (antigo) e também uma sineira, à frente do templo antigo, todos estes erguidos em estilo mais moderno. Todos estes ainda permanecem e integram a imagem atual do conjunto religioso.
Sempre foi uma igreja que teve muitos sacerdotes e uma boa integração com a comunidade residente no bairro (no entorno imediato e no mais distanciado). A ritualística de veneração ao padroeiro Santo Antônio, tanto ocorria no espaço interno da edificação, quanto em festividades religiosas rememorativas em datas fixas anuais para as quais era utilizada a espacialidade externa, que lhe é contígua: - a Praça Coronel Lucena Maranhão. Dentre elas eram tradicionais:
- a Procissão do Padroeiro (que a mantinha como ponto inicial e final do seu trajeto
pelas ruas do bairro);
- e, as Trezenas de Santo Antônio.
Além destas festividades, a própria dinâmica semanal da igreja aberta para missas e outros encontros de grupos e outras atividades religiosas em seu espaço interior, sempre se estendia para um passeio (anterior ou posterior na praça). Havia uma espécie de união entre as duas espacialidades. Para além deste evidente extravasamento espacial, a população católica
frequentadora e/ou apenas a residente no bairro, ainda usufruía quase que cotidianamente, da
imaterialidade sonora do toque dos sinos que estabelecia um sistema de comunicação que anunciava as atividades (início e fim) para as pessoas.
Tais ocorrências falam diretamente da forte relação do imóvel enquanto referência cultural da igreja com a comunidade local, ou seja, - os moradores à época da vivência no bairro.
Em função do esvaziamento do bairro, o emblemático templo de Bebedouro veio a encerrar totalmente as atividades litúrgicas e comunitárias em 15 de novembro de 2022 após a
realização de uma última missa que marcaria esse rompimento entre o templo e a população.
Porém a comunidade religiosa prosseguiu se reunindo em um novo espaço construído como
medida de mitigação pela empresa que, em última instância causou o próprio fechamento do
templo, no bairro de santa Amélia, na avenida Montenegro de Barros. Esta comunidade, mesmo
se reunindo em outro bairro, retomou a organização venerativa da procissão de Santo Antônio,
só que veio formalizar o início e fim da procissão na praça Lucena Maranhão, em frente ao
antigo e simbólico templo antigo.
Devido a impossibilidade de adentrar o templo foi montada na calçada da igreja, uma
tenda para proteger o altar montado especialmente para uma “missa campal” e assim foi dado
início às celebrações da Festa de Santo Antônio no ano de 2024. Desse altar montado, o padre
iniciou a condução da procissão indicando um cortejo (modificado, em relação ao
tradicionalmente cumprido nos anos anteriores). Ao som da voz do padre as pessoas foram
percorrendo algumas ruas e chegaram próximo ao início da ladeira da Chã de Bebedouro,
acessando a comunidade do Flexal de Cima, retornando pelo Flexal de Baixo e se dirigindo de
volta à rua principal, em direção à igreja, à praça: - ponto inicial e final do circuito.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.Localização
Relação com o bem cultural
Coordenador(a) de Eventos ParoquiaisData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
16 a 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.


