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Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos Bairros de Bebedouro, Mutange, Bom Parto, Farol e Pinheiro


O que é o IPCI Maceió?
O Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió) foi uma pesquisa conduzida pela Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa e pela Universidade Federal de Alagoas (Fundepes/Ufal), realizada nos bairros Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro, em Maceió. Essas localidades foram atingidas por um desastre tecnológico provocado pela mineração de sal-gema realizada pela Braskem S.A., que ocasionou rachaduras em imóveis, risco de afundamento do solo e a desocupação compulsória de milhares de moradores de suas casas.
Diante desse cenário, foi firmado um Termo de Acordo Socioambiental entre a empresa poluidora-pagadora e o Ministério Público Federal, com a participação do Ministério Público do Estado de Alagoas e a adesão do Município de Maceió. O IPCI Maceió integra as ações previstas nesse acordo, que estabelece medidas de reparação pelos danos causados, incluindo aqueles que afetaram diretamente a vida social e cultural das comunidades atingidas.
Nesse contexto, a pesquisa teve como objetivo identificar e registrar o patrimônio cultural imaterial desses bairros — isto é, os saberes, as festas, os modos de fazer e de viver que compõem a identidade local e que continuam sendo transmitidos de geração em geração, mesmo após a desocupação compulsória dos territórios. Ao mapear e documentar essas referências, o inventário buscou reconhecer e valorizar a memória coletiva da comunidade cultural afetada.
Assim, o IPCI Maceió consolidou-se como uma ação de salvaguarda da memória e das referências culturais desses bairros. Com a participação de moradores e ex-moradores que atuavam como fazedores culturais nos bairros atingidos, a pesquisa registrou práticas, histórias e experiências profundamente ligadas ao território e às trajetórias dessas localidades. Ao dar visibilidade a essas referências culturais, o inventário reafirma o exercício dos direitos culturais da população atingida e destaca que a cultura é um direito fundamental, cuja proteção se torna ainda mais necessária em contextos de crise e/ou desastres socioambientais.
Quais foram os desafios na realização do IPCI Maceió?
A realização do IPCI Maceió ocorreu em um contexto marcado por perdas, incertezas e profundas transformações no território. Um dos principais desafios foi o impacto do deslocamento forçado na vida das pessoas. Muitas famílias precisaram deixar suas casas e seus bairros, o que gerou traumas emocionais e psicológicos. Para diversos moradores e ex-moradores, relembrar vivências, festas, encontros e práticas culturais foi um processo doloroso, exigindo da equipe de pesquisa uma postura sensível, cuidadosa e respeitosa durante as escutas.
A dispersão da população atingida também representou um obstáculo importante. Após a desocupação, os moradores passaram a viver em diferentes bairros de Maceió e até em outros municípios e estados brasileiros, sem que houvesse dados sistematizados sobre seus novos endereços. Essa ausência de informações à época, dificultou a localização dos participantes e o restabelecimento do contato com fazedores culturais, demandando um esforço contínuo de busca ativa, articulação comunitária e reconstrução de redes de confiança.
Além disso, o tempo decorrido desde a desocupação e a transformação física da região tornaram o processo ainda mais complexo. Muitas práticas culturais estavam vinculadas a espaços específicos — como ruas, praças, igrejas, escolas e casas — que deixaram de existir ou se tornaram inacessíveis. A ruptura com esses lugares afetou a memória coletiva e dificultou a recuperação de informações sobre determinadas experiências culturais.
Esses desafios fizeram parte do contexto em que o inventário foi desenvolvido e foram reconhecidos ao longo de todo o processo. Ainda assim, a pesquisa conseguiu registrar uma parte significativa da cultura viva dessas comunidades, valorizando suas trajetórias e reafirmando a importância da memória e do exercício dos direitos culturais, mesmo diante das profundas transformações vividas no território.
Como a pesquisa foi feita?
A escuta sensível e ativa de moradores, ex-moradores e fazedores culturais foi o ponto de partida de todo o processo. A pesquisa começou pela identificação das pessoas que mantinham vivas as práticas culturais nos bairros antes de 2018. Ao conhecer esses fazedores e fazedoras culturais, tornou-se possível compreender quais bens culturais permaneciam ativos naquele período e onde estavam localizados seus espaços de prática.
Para garantir uma abordagem sensível e próxima da realidade local, foram contratados agentes comunitários do próprio território para realizar o levantamento das informações, já que conheciam de perto a história, as dinâmicas e as pessoas da região.
Ao longo da pesquisa, foram desenvolvidas diversas ações, como atividades formativas na área de educação para o patrimônio cultural, busca ativa de agentes culturais das localidades atingidas, mapeamento colaborativo do território e realização de entrevistas com moradores, ex-moradores e fazedores culturais. Também foram produzidos conteúdos informativos para ampliar a divulgação do projeto, inclusive por meio das redes sociais (@ipcimaceio), fortalecendo o diálogo com a comunidade e a sociedade em geral.
Neste repositório digital, os resultados do inventário estão organizados de modo a facilitar a navegação e a compreensão das informações. O percurso sugerido começa na seção Detalhamento do Projeto, onde o visitante encontra informações sobre a metodologia adotada, a atuação dos agentes comunitários de pesquisa e as ações desenvolvidas ao longo do processo, como atividades formativas, cartografia social, entrevistas e encontros de devolutiva com a comunidade. Nessa seção também estão descritos os produtos elaborados a partir da pesquisa.
Em seguida, o visitante pode acessar a seção Território, onde estão descritos os bairros atingidos, permitindo compreender o contexto social e cultural em que as práticas aconteciam. Depois, é possível conhecer a seção Bens Culturais, que reúne as práticas, saberes e demais referências culturais identificadas.
Para entender quem são os sujeitos dessas práticas, estão disponíveis nas seções Comunidade e Detentores, informações sobre a comunidade cultural atingida e os fazedores culturais mapeados. Sugerimos também a consulta às seções Agentes do Patrimônio e Organizações, que apresentam pessoas e instituições que possuem ou possuíam interface e atuação na região atingida.
Por fim, a seção Diagnóstico Comunitário apresenta análises sobre a situação vivenciada pela comunidade cultural, indicando impactos, vulnerabilidades e propostas de salvaguarda construídas coletivamente. Para quem deseja visualizar os resultados também em números, o Painel de Dados do Inventário Participativo reúne indicadores quantitativos sobre os bairros pesquisados.
Como acessar o acervo?
Para acesso aos resultados da pesquisa realizada sobre o
Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros consulte os tópicos a seguir:









