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Mameta Cidamarê (Cindy Belloucci )
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Cindy Belloucci Cardoso da Silva
Data de nascimento
17 de fevereiro de 1980
História de vida
Cindy Belloucci nasceu e cresceu entre os bairros do Pinheiro e Mutange. Mulher trans e praticante da religião de matriz africana, é filha de santo de Mãe Bárbara Kavungo há mais de trinta anos, período em que construiu sua trajetória no candomblé da Nação Angola. Por residir próximo ao Nzo Rya Kavungo, participou intensamente das atividades da casa, acompanhando obrigações, oferendas, rituais e demais práticas religiosas conduzidas por sua mãe de santo, cuja tradição teve origem em Salvador.
Segundo Cindy Belloucci, os terreiros do Mutange mantinham uma relação estreita com a comunidade, sendo frequentados por moradores e reconhecidos como espaços de convivência e respeito à diversidade religiosa. Além do Nzo Rya Kavungo, recorda outras importantes casas de culto existentes no bairro, como as de Maria Marabô, Mãe Jane, Mãe Maria e Mãe Luísa, que compunham uma expressiva rede de sociabilidade religiosa. A desocupação compulsória interrompeu essas relações e alterou significativamente a realização de práticas tradicionais, especialmente aquelas realizadas durante a madrugada ou ao amanhecer, que passaram a sofrer restrições impostas pelo novo contexto de moradia e pela proximidade com vizinhos.
Ainda no Mutange, tornou-se Mameta Cidamarê e planejava abrir seu próprio terreiro na comunidade onde nasceu e cresceu. Com o deslocamento compulsório, precisou transferir esse projeto para outro território e atualmente mantém sua casa religiosa no bairro Benedito Bentes. Embora tenha dado continuidade à sua atuação religiosa, reconhece que a mudança transformou profundamente sua relação com o território e com a vida comunitária construída ao longo de décadas.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas nos Questionários 1 e 2, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio da entrevista em vídeo, realizada com uma amostragem específica de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
O registro audiovisual permite conhecer, por meio da imagem e do som, aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Também possibilita documentar narrativas, expressões, gestos e demonstrações de práticas culturais, complementando as informações produzidas nas etapas anteriores e ampliando as possibilidades de registro, preservação e difusão do patrimônio cultural imaterial.
Identificação de gênero
Mulher transgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Povos e comunidades de terreiro/povos e comunidades de matriz africana
Localização
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
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Bem cultural relacionado
Descrição
Terreiro é o nome dado ao espaço físico e à comunidade religiosa onde são praticadas as religiões de matriz africana no Brasil, tais como o Candomblé e a Umbanda.
É o centro da vida religiosa e social do grupo, sendo considerado um templo, um ilê (casa em iorubá) ou uma comunidade tradicional que preserva a memória ancestral, a cultura e os rituais africanos e afro-brasileiros.
É composto por alguns espaços, tais como o local onde se assenta o Axé (a força vital, a energia sagrada), fundamental para a vida e o equilíbrio da comunidade e do universo; Barracão ou salão principal, onde ocorrem os rituais públicos (como as giras na Umbanda e as festas de Candomblé), com cantos e danças; e os santuários ou Pejis que são espaços reservados para a guarda de objetos utilizados nos rituais e o culto às divindades (Orixás, Inquices ou Voduns).
Cada Terreiro é autônomo e liderado por uma Mãe de Santo (Yalorixá) ou um Pai de Santo (Babalorixá), responsáveis por zelar pelos fundamentos, iniciar novos membros (Filhos de Santo) e transmitir o conhecimento ancestral.
O Terreiro, portanto, é o ponto de encontro entre o mundo material e o espiritual, um guardião de saberes e um alicerce para a vida em comunidade, que proporciona o contato direto com o Axé e a Ancestralidade.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados a essa prática no bairro do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
MametaLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Mutange – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
As celebrações afro-religiosas, também denominadas Xirê ou Toque, são manifestações culturais e espirituais vinculadas aos xangôs — denominação historicamente atribuída aos terreiros e praticantes de religiões de matriz afro-ameríndia em Alagoas. Caracterizam-se pela presença de cantos, toques de tambores, danças e rituais de devoção aos orixás, inquices, voduns, mestres, mestras e demais entidades espirituais, fortalecendo os vínculos de ancestralidade, identidade negra e pertencimento comunitário. Durante o Inventário, foram identificados fazedores de cultura vinculados a essas práticas religiosas e culturais.
Localização
Relação com o bem cultural
MametaRelação do bem cultural com o lugar
Mutange – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares


