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Contramestre Daniel Ginga
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Daniel Isac de Araújo Mendonça
Data de nascimento
31 de outubro de 1983
História de vida
Contramestre Daniel Ginga pratica Capoeira desde 1998 e construiu sua trajetória articulando cultura popular, educação e atuação social. Educador físico, professor de Capoeira, músico e ativista da cultura popular em Maceió, desenvolve trabalhos relacionados especialmente à Capoeira e às manifestações culturais afro-brasileiras, utilizando essas práticas também como espaços de formação, inclusão e fortalecimento de vínculos.
É um dos idealizadores do projeto Comunidade Azul, desenvolvido no bairro do Antares, onde ministra aulas de Capoeira e Coco. Desde 2004, também realiza o projeto Ginga Terapia, na Associação Pestalozzi de Maceió, no bairro do Farol, desenvolvendo atividades com pessoas idosas e pessoas com deficiência. Sua atuação como educador aproxima os conhecimentos da Capoeira de diferentes públicos e contextos, contribuindo para sua transmissão e continuidade.
Daniel Ginga também participa do Guerreiro Alagoano como brincante do Guerreiro Grande Poder, no qual desempenha o personagem do Palhaço. Sua trajetória reúne, assim, diferentes expressões da cultura popular — Capoeira, Coco e Guerreiro — e evidencia uma atuação marcada pela transmissão de saberes, pela educação e pela valorização das práticas culturais de matriz afro-brasileira.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
“A capoeira, uma manifestação cultural que se caracteriza por suas múltiplas dimensões, é ao mesmo tempo dança, luta, e jogo. Dessa forma, mantém ligações com práticas de sociedades tradicionais, nas quais não havia a separação de habilidades nas suas celebrações, característica inerente à sociedade moderna. Ainda que alguns praticantes deem prioridade ora à sua face cultural, a seus aspectos musicais e rituais, ora à sua face esportiva, à luta e a à ginástica corporal, a dimensão múltipla não é deixada de lado. Em todas as práticas atuais de capoeira, permanecem coexistindo a orquestração musical, a dança, os golpes, o jogo, embora o enfoque dado se diferencie de acordo com a singularidade de cada vertente, mestre ou grupo.” (IPHAN, 2014, p. 12).
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Dossiê Inventário para registro e salvaguarda da capoeira como patrimônio cultural do Brasil. Brasília, 2014.
Reconhecida como um Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2008 e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2014, a roda de capoeira e o ofício do mestre, foram também identificados com ocorrências nos cinco bairros objeto do inventário.Localização
Relação com o bem cultural
Contramestre de CapoeiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
"Reunindo música, poesia e dança, o coco apresenta-se vinculado a um só tempo às ações de trabalho, à festa, à criatividade e à manifestação artística, coadunando diferentes funções sociais.” (CÉSAR, Telma, O Coco Alagoano - Memória em Movimento, In Rede Sociocriativa do Coco de Roda, Catálogo, 2017, p. 55)
Localização
Relação com o bem cultural
Agente CulturalData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Maracatu é uma manifestação cultural e performática afro-brasileira que reúne música, dança, cortejo e teatralidade. Suas raízes remontam às irmandades negras e aos rituais ligados às coroações de reis e rainhas do Congo, mesclando elementos das culturas africanas, indígenas e do catolicismo popular. Possui duas vertentes principais: o Maracatu de Baque Virado (ou Maracatu Nação) e o Maracatu de Baque Solto (ou Maracatu Rural). A performance é marcada pelo uso de tambores (alfaias), gonguê, agbês, caixas. No caso do Maracatu Nação, há também a presença do cortejo da corte real, com figuras como rei, rainha, dama do paço, porta-estandarte e a emblemática calunga.
Embora mais conhecido como expressão pernambucana, o maracatu também possui trajetória histórica em Alagoas, sobretudo na região de Maceió e entorno. No início do século XX, havia grupos ativos ligados a comunidades negras urbanas e rurais, dialogando com práticas de matriz africana então vigentes no estado. Essa presença, porém, foi severamente afetada pelos acontecimentos ligados ao “Quebra de Xangô”, episódio de violência política e religiosa ocorrido em Maceió em 1912, que resultou na destruição sistemática de terreiros, perseguição a lideranças afro-religiosas e na repressão ao culto de Xangô (como é chamado o Candomblé em Alagoas). Essa repressão atingiu profundamente diversas expressões culturais de matriz africana — entre elas o maracatu.
A partir dos anos 1990 e, especialmente, dos anos 2000, inicia-se em Alagoas um processo de retomada e revalorização do maracatu, impulsionado por movimentos culturais, coletivos de juventude, grupos percussivos, terreiros e pesquisadores. Esse renascimento se conecta ao fortalecimento das identidades afro-brasileiras, às políticas de patrimônio cultural e à circulação do maracatu pernambucano, que inspirou novas formações.
Hoje, o maracatu reaparece no estado em forma de grupos de baque virado e baque solto, oficinas de percussão, cortejos urbanos, festivais e ações educativas. Alguns grupos incorporam elementos tradicionais, enquanto outros dialogam com linguagens contemporâneas, mantendo vivo o vínculo simbólico com a ancestralidade africana e com a resistência cultural frente ao apagamento histórico causado pelo Quebra de Xangô.
No que se refere ao território estudado, foram localizados fazedores de cultura relacionados ao Maracatu no bairro do Farol.Localização
Relação com o bem cultural
BatuqueiroData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugares -
Bem cultural relacionado
Descrição
O comunicador popular dá voz a segmentos da população (como moradores de periferias, áreas rurais, e movimentos sociais) que são frequentemente ignorados ou mal representados pela grande mídia, utilizando a comunicação para informar, conscientizar e mobilizar a comunidade em defesa de seus direitos e em busca de justiça social.
Seu modo de atuar na comunicação incentiva comunidades a produzirem narrativas próprias, protagonizando suas histórias, combatendo a desinformação e estereótipos externos.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro do Farol.Localização
Relação com o bem cultural
Agente CulturalData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares -
Bem cultural relacionado
Descrição
Grupo multicolorido de dançadores e cantadores, semelhantes aos Reisados, mas com maior número de figurantes e episódios, maior riqueza nos trajes e enfeites e maior variedade temática nas músicas.
Folguedo natalino surgido em Alagoas entre os anos de 1927 a 1929, sendo o resultado da fusão do Reisado Alagoano, da Chegança, dos Pastoris e do Auto das Caboclinhas.
Rico em cores e enredo é um folguedo bastante frequente nas festas populares, possuindo vários personagens, tais como: Rei, Rainha, Contra-Mestre, Embaixadores, General, Lira, Vassalos, Mateus, Palhaços, às vezes uma Catirina, Sereia, Estrele de Ouro, Estrele Brilhante, Estrela Republicana, Banda da Lua, Índio Peri e as “figuras” ou “figural”.
Os trajes são multicoloridos, imitação dos antigos trajes nobres, adaptados ao gosto e às possibilidades econômicas. Usam fitas, espelhos, contas de aljôfar, enfeites de árvores de natal nos chapéus que aparecem em formas de igrejas, palácios, catedrais, diademas, coroas, quadra-peitos, calções e mantos.
O Mestre é responsável por todos os componentes do grupo, tem o dom do canto, do trupé, ensina e coordena as partes.
O Guerreiro possui ainda uma série de entremeios como o doido, o Javali, o morto vivo, o lobisomem, o diabo e a alma, o capitão piloto, o mascote, a mãe velha, o messias, o mata-mosquito, e o boi que aparece mais simplificado e modernizado que nos Reisados, não havendo nem morte, nem repartição, nem ressureição do mesmo.
Consta de uma sequência de cantigas dançadas, denominadas de “peças”, intercaladas de “marchas” e representações constituídas de entremeio e partes: marcha de rua, cantos e danças de abrição de portas, entrada de sala, adoração ao divino, despedida.
No ano de 2019, o Guerreiro recebe do Estado de Alagoas o título de Patrimônio Imaterial de Alagoas. (ALAGOAS. Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. Cartilha – Alagoas, seus folguedos e suas danças. 2. ed. Maceió: Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, 2024.)
Dentre os bairros estudados no Inventário, Bebedouro e seu bairro adjacente, Chã de Bebedouro, merecem destaque na prática do Guerreiro, pois são referências importantes para essa manifestação cultural, uma vez que lá viveram (e vivem) alguns dos mestre de Guerreiro mais conhecidos do Estado, sendo este um folguedo bem popular entre essas comunidades. A praça central do bairro de Bebedouro, Lucena Maranhão, também é uma referência importante para o Guerreiro, tendo sido palco de inúmeras apresentações e encontro de grupos ao longo de décadas.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteAprendizado do bem
Mestre Nildo VerdelinhoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Embora o Samba de Roda tenha sua origem e maior expressão no Recôncavo Baiano, ele é uma manifestação viva em diversas partes do Nordeste brasileiro, adaptando-se às tradições locais de cada estado, podendo estar fortemente associado à outras práticas de matriz africana de caráter religioso ou cultural , tal como a capoeira. No contexto nordestino, ele frequentemente se entrelaça com outras danças de roda, como o Coco de Roda.
Localização
Relação com o bem cultural
Agente CulturalData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo
Remuneração
Regularmente


