Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Darcy
História de vida
De acordo com os relatos de darcy, a origem das atividades que hoje executa se deu a partir de sua experiência nos canteiros de obras de restauro, principalmente quando este passou a ser funcionário público da fundarpe. O aprendizado aconteceu, também, com as teorias apresentadas por estudiosos, como o professor josé luiz da mota menezes, dos quais seu darcy teve proximidade e contato durante sua trajetória de trabalho na instituição do estado. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ig 10 q60 03 o entrevistado fez questão de afirmar que embora tenha tido acesso ao ensinamento no canteiro de obras com grandes mestres da “prática” e da “teoria”, como por exemplo, mestre ferrão castelo branco e o estudioso josé luiz da mota menezes, o que muito contribuiu na sua formação foram dois fatores: o empenho e a dedicação aos ofícios.
Localização
Aprendizado do bem
Sobre seu aprendizado, mestre darcy relembra, “eu nasci dentro de construção, com idade de oito anos comecei a trabalhar, eu sou do interior, de palmares com água preta, com vinte anos eu vim para recife, comecei a trabalhar por ali pelo ibura, pelo jordão, como servente de pedreiro, durante um ano e quatro meses. Depois de um ano e quatro meses fui trabalhar numa firma chamada dalla nora hollanda”. Mas lembra, “comecei a trabalhar com o meu tio, meu tio era pedreiro, chamava-se pedro fernandes”. Ao aprender as atividades de pedreiro com o tio, darcy conta que começou a fazer calçada ao redor da casa, “depois comecei a fazer lambrequim” (50min50s – 52min/áudio 1 darcy). Em seguida trabalhou na vila da mirueira levantando casa e fazendo coberta, lá aprendeu a fazer trabalho de pedreiro e de carpinteiro. De acordo com o mestre o tipo de parede levantada era de tijolo vazado, tijolos de oito furos, de 20 cm por 20 cm. Da experiência do aprendizado na prática e na teoria do restauro seu darcy conta, “em 1984 chegou um professor na fundarpe, jose luiz da mota menezes, com um livro de autoria dele, mostrando tesouras, cruz de santo andre, tesoura comum, com o curso aí clareou mais minha mente com os nomes das coisas que são aplicadas em restauro. Parte de acabamento, cornija, parte de corrimão, parte de balaustre, capitéis, eu sabia fazer, mas não sabia os nomes daquilo ali, foi ele quem passou tudo daquilo ali pra gente”. Sobre a época que trabalhava na fundarpe, darcy relata “quando você já está dentro de sua área, o interesse era tão grande de poder se formar naquela área que alguém às vezes vem lhe dar algum... Antes da pessoa terminar aquela frase, você já entende isso, é a pessoa que tem interesse de concluir aquilo ali, quando a pessoa estava falando daquele detalhe, eu já estava curioso, eu já tinha mais ou menos idéia, mas nem tudo dá certo, porque a teoria é diferente da prática”. Ele explica que a transição de pedreiro para mestre de obras aconteceu por causa do seu empenho no canteiro de obras e sua dedicação. “dr. Sadoque, um engenheiro, ele se engraçou comigo, eu levantava cedo para trabalhar, não era 7 horas não, 6 horas eu já estava no trabalho, chegava antes de todo mundo, eu gostava muito de dinheiro. Dr. Sadoque acordava muito cedo, ele dormia em um hotelzinho e muito cedo, cinco e meia da manhã ele fazia caminhada, então ele me via me ajeitando já para trabalhar, ai tinha um mestre de obras chamado manoel que era de minas gerais, que ele começou passando para mim uns projetos com escala, aí eu fui aprendendo, e na época eu tinha uma memória boa, quando foi com 90 dias eu tinha aprendido a escala de parte de obra comum, a parte de carpintaria”. Mestre darcy mostra a importância do aprendizado na prática e como este tipo de experiência lhe trouxe a capacitação da aplicação de técnicas no restauro: “eu entrei na igreja da sé tinha uns pilares de cima a baixo descascado. Eu na minha intenção queria arriar aquilo tudinho e fazer tudo de novo, ‘darcy vamos fazer outra coisa, isso ai você vai arriar e ficar o que está faltando e vai ver realmente o que está solto e vai restaurar ele, vai procurar a massa que está se deteriorando e vai procurar fazer ela direitinho como ela era’, seu gilberto [da costa carvalho] disse a mim, ‘darcy isso ai vai no mínimo quinze dias para fazer essa fachadazinha de 14 metros, no máximo dois metros por dia’, eu fiz em oito dias, ela ficou bonitinha, ficou perfeita, quando eu saí da igreja da sé eu já sabia 70% do que significava de restauro. Eu sempre fui aplicado naquilo que eu fazia, podia me perguntar depois que eu sabia detalhadamente”. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ig 10 q60 03
Transmissão de saberes
De acordo com darcy, teve uma época que a fundarpe queria criar uma escola para formar mestres de obra, “isso foi depois que caboclinho morreu novo ainda, era um mestre e tanto de restauração trabalhou muito com ferrão, trabalhou muito com dr. Ayrton, mas só vivia na cana, com 51 anos morreu, antonio augusto, outro mestre e tanto, começou a beber e morreu, tinha um tal de nequinho, que foi um dos últimos que ficou, ai quando nequinho morreu, ai carlos alberto insinuou de criar uma escola para formar mestres de obra e dar continuidade ao restauro, pois a tendência era se acabar, estão morrendo e os outros não vão se levantar. Me indicaram na época, para eu dar algumas instruções, só na prática do campo, vendo o que eu mandava fazer, em teoria, de ter um ensinamento específico para alguém, não ensinei não, aquilo que você aprende na prática você não esquece jamais, aquilo fica gravado. Tem muitos que eu ensinei, mas para mestre só teve um, pedreiro, carpinteiro, muitos, muitos, na verdade não chegaram a ser mestre não, lembro o nome de antonio carlos e carlos josé”. Ainda sobre a teoria e a prática, darcy explica e relembra, “veja bem, tinham dois engenheiros, um calculista e outro civil, passaram três meses comigo, eles já formados, ficaram na fundarpe esse período comigo, sem ganhar nada, aprendendo. Passavam o dia todinho comigo na obra, porque eles tinham a teoria, mas de prática não tinham feito nenhum estágio, não conhecia nada”.

