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Dão (Deraldo)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Deraldo Francisco da Silva
Data de nascimento
24 de outubro de 1967
História de vida
Dão (Deraldo) nasceu em Palmares, Pernambuco, em 1977, e ainda criança mudou-se para Bebedouro, passando a viver no Flexal de Baixo. Seu interesse pelas manifestações culturais surgiu a partir das apresentações organizadas pelo pescador João Peri, que reuniam no bairro grupos de Fandango, Pastoril, Baianas de Mestra Hilda e outros folguedos. Nesse ambiente, aproximou-se da cultura popular e, ainda jovem, ingressou como brincante no Arraiá Pé de Serra Infantil, criado por Cleide, neta de João Peri. Posteriormente, passou para o grupo adulto e, ao longo de sua trajetória, exerceu diferentes funções, entre elas brincante, marcador e, desde 2004, presidente da atual Quadrilha Junina Pé de Serra.
Sua história com a Pé de Serra está diretamente ligada ao Flexal de Baixo e aos espaços culturais de Bebedouro. O próprio nome do grupo guarda essa relação territorial: as apresentações aconteciam ao pé de um morro conhecido como Serra Azul, próximo ao Porto do Flexal, dando origem à denominação Pé de Serra. Dão também guarda lembranças do Arraiá do Povo, concurso promovido pela Rádio Gazeta, para o qual a comunidade preparou um grande cenário que se estendia pelo Flexal até o Porto. Com o passar dos anos, acompanhou as transformações do grupo, inicialmente tradicional, depois misto e, posteriormente, estilizado, procurando manter elementos e passos tradicionais. Como presidente, passou a responder pela organização dos ensaios, figurinos, logística, parcerias e captação de recursos, além da participação da quadrilha em concursos e apresentações.
A desocupação compulsória e a dispersão dos moradores modificaram profundamente essa dinâmica. Antes, os ensaios circulavam por escolas, pela Praça Lucena Maranhão e por outros espaços de Bebedouro, reunindo participantes provenientes principalmente do Flexal e de localidades próximas. Atualmente, antigos moradores encontram-se distribuídos por diferentes municípios e bairros, aumentando as distâncias e as dificuldades de deslocamento para os ensaios, que passaram a ocorrer em outros espaços, como o Ginásio do CEPA. Mesmo diante dessas mudanças, Dão permanece à frente da Quadrilha Junina Pé de Serra, dando continuidade a uma trajetória construída desde a juventude e mantendo sua relação com uma manifestação que marcou sua experiência no Flexal de Baixo e sua atuação na cultura popular.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
A quadrilha junina é uma dança tradicional das festas de Junho do Nordeste brasileiro, inspirada nas danças de salão europeias trazidas pelos portugueses e adaptada à cultura popular. Trata-se de uma dança coletiva, coreografada e encenada, que celebra os festejos dedicados aos santos católicos do período, com trajes, músicas, marcação e passos que podem apresentar variações a depender do caráter tradicional ou estilizado do grupo em questão.
Em Maceió, os bairros objeto de estudo do Inventário, são uma referência na realização dessa prática com significativa concentração de dançarinos(as) e grupos. Seus integrantes costumam estar envolvidos também com outras danças e atividades culturais, tais como Coco de Roda, Dança Afro, Boi de Carnaval.Localização
Relação com o bem cultural
Presidente da Quadrilha JuninaData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
"Reunindo música, poesia e dança, o coco apresenta-se vinculado a um só tempo às ações de trabalho, à festa, à criatividade e à manifestação artística, coadunando diferentes funções sociais.” (CÉSAR, Telma, O Coco Alagoano - Memória em Movimento, In Rede Sociocriativa do Coco de Roda, Catálogo, 2017, p. 55)
Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
[Dados extraídos do INRC-AL]
FESTA E PROCISSÃO DE SÃO PEDRO - BEBEDOURO
28 A 29 / JUNHO
Festejava a invocação do santo protetor dos pescadores.
Possuía como celebração associada, a Corrida de Canoas realizada na laguna Mundaú
1-Começava com a movimentação da organização da corrida de Canoas um dia antes do dia da
procissão (dia 28).
2- Nesta semana era limpa a imagem de São Pedro que passava o ano todo em uma prateleira da
sala da Colônia dos Pescadores e era levada para a Igrejinha para os preparativos de charola;
igualmente agilizava-se a compra dos brindes para os vencedores da corrida
3- Também nesta semana inicia os preparativos para o Café da Manhã que tem no dia da
procissão (dia 29) servido na sede da Colônia. Agilizava-se a compra dos prêmios que eram
sorteados (alimentos, utensílios domésticos, equipamento eletrônico, etc.).
As etapas da festividade .nos 2 dias
1-Corrida de Canoas com premiação (troféus em forma de canoas) e queima de fogos:
Organizada para os pescadores e marisqueiras no dia 29.
2- Café da Manhã (no dia da procissão): Para pescadores e marisqueiras.
3- Sorteios de brindes no interior da Colônia, após o café da manhã.
4- Sorteios de brindes na frente da Igrejinha de São Pedro, após o café da manhã
5- Missa realizada na Igrejinha de São Pedro
6- Procissão acontecia em duas partes:
- parte terrestre (com parada da imagem de São Pedro em frente à Igreja do Padroeiro Santo
Antônio, daí saindo para a Ponte sob as águas do rio Silva para dar início ao trajeto lagunar.
- seguia-se o percurso da parte terrestre, no qual havia também uma associação com a imagem
de nossa Senhora da Conceição a partir de um trecho.
Inicia saindo da igrejinha de São Pedro. As imagens de Nossa Senhora das Graças (em
andor carregado por mulheres) vai á frente, seguida pela charola de São Pedro carregada por
homens, em cortejo terrestre até a Ponte do Rio Silva. Lá, a imagem de N. Sra das
Graças fica parada enquanto a imagem de São Pedro prossegue em cortejo até a frente da Igreja
Matriz de Santo Antônio (em parada na praça Lucena Maranhão em frente à porta da igreja. Após essa parada o cortejo com a imagem/charola de São Pedro desce para a Ponte do
rio Silva, até entrar por ele, em cortejo aquático em canoas, seguindo até alcançar a Lagoa
Mundaú e chegar no Porto do Sururú**.
Ainda na parte do cortejo terrestre há a saída da imagem de Nossa Senhora das
Graças até o Porto do Sururu onde acontece a queima de fogos com girândolas e fica
aguardando a imagem de São Pedro que vem no cortejo lacustre até o mesmo porto do Sururu.
Depois da queima de fogos e logo após a chegada da imagem de São Pedro no Porto, as
charolas das duas imagens são colocadas em paralelo no porto do Sururu e na pracinha de n.
Sra. da Conceição, ai se formando um novo cortejo terrestre que avança pela Av.
Tobias Barreto até dobrar na rua Augusto Barreto e parar na frente da capela de São Pedro.
(Ponto 6).
(*) A ponte sobre o rio Silva era ponto de venda de verduras, peixe e marisco no bairro.
(**) O Porto do Sururú ficava na praça de Nossa Senhora da Conceição.
Frequentadores:
Toda a população local e adjacente dos bairros de Bom Parto cambona e ainda outros
margeantes à laguna Mundaú como Vergel, Fernão velho, Coqueiro Seco acompanhava a
procissão, predominantemente nos dois trajetos.
Recursos financeiros:
Os recursos financeiros provinham os próprios registrados da Colônia de Pescadores somado a
recursos levantados ente os pescadores e marisqueiras.
Materiais e equipamentos utilizados na montagem da Festividade:
- Alimentos variados para o Café da Manhã: (frutas, pão, leite, sucos, inhame, cuscuz, ovos-
Cardápio de um café matinal em Maceió);
- Flores e folhagens diversas (quantidade variável) para o enfeite da charola de São Pedro*;
- Fogos para a queima de fogos na lagoa (Fogos tipo girandola – 12 a 15 girândulas).
- Não é feita uma representação de barca reduzida de madeira ou de outro material para levar a
imagem de São Pedro. A imagem venerada é transportada da Colônia (onde fica exposta durante
todo o ano), até uma canoa usada mesmo na pesca e ela é então enfeitada com as
flores/folhagens tornando-se a própria “charola” que desliza sobre as águas.
Observações:
Atualmente, após o esvaziamento do bairro, a procissão somente ocorre em trecho terrestre,
contudo, não exatamente igual ao que acontecia. Também, em virtude da atual inexistência do
prédio da capelinha de São Pedro que foi demolida, rompeu-se a relação direta com local onde
ocorria a missa.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.
.Localização
Relação com o bem cultural
Coordenador(a) de Eventos ParoquiaisData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo
Remuneração
Não remunerado


