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Elias Romeiro
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Elias Oliveira Ferreira da Silva
Data de nascimento
19 de junho de 1977
História de vida
Elias Romeiro construiu sua trajetória religiosa a partir de uma tradição familiar ligada às romarias de Padre Cícero, vivenciada por seus bisavós, avós e pais. Seus familiares saíam de Viçosa, em Alagoas, em longas viagens até Juazeiro do Norte, realizadas a pé e em animais, e seus bisavós e avós chegaram a conhecer Padre Cícero. Elias afirma ser romeiro desde antes do nascimento, pois sua mãe, ainda grávida, participou de uma romaria. Nascido em Bebedouro, cresceu no ambiente católico e manteve forte relação com a Paróquia do bairro. Foi batizado e fez a primeira eucaristia aos 11 anos, crismou-se aos 15, cursou Filosofia e Teologia e foi seminarista entre 2020 e 2022. Desde 1993, atua como coordenador da Pastoral das Romarias e Liturgias, sendo também responsável pela organização e acompanhamento dos romeiros.
Sua relação com as romarias está profundamente vinculada às práticas religiosas de Bebedouro, onde procissões, missas e encontros de romeiros integravam o cotidiano da comunidade. Entre suas atividades está o canto dos Benditos, cânticos entoados pelos devotos durante encontros e celebrações dedicados a Padre Cícero. Em suas lembranças, a Praça Lucena Maranhão e a antiga Matriz de Santo Antônio ocupavam lugar central nessa vivência, funcionando como pontos de encontro e de realização das missas de envio dos grupos que partiam para Juazeiro do Norte. Outros lugares, como o Cruzeiro da Chã de Bebedouro e a Igrejinha de Santa Amélia, também faziam parte dos percursos religiosos. Para Elias, essas práticas reuniam pessoas de diferentes condições sociais em torno da devoção a Padre Cícero e constituíam importantes momentos de convivência e expressão da religiosidade popular.
Após a desocupação de grande parte do bairro e a dispersão de seus moradores, Elias passou a vivenciar essa tradição em um contexto diferente. Atualmente vinculado também à Paróquia São Paulo Apóstolo, no Salvador Lyra, continua participando das romarias e das atividades religiosas, embora mantenha sua relação com a Paróquia de Bebedouro, para onde ainda se desloca para as missas. Em sua percepção, a mudança territorial rompeu parte dos costumes e das relações construídas ao longo de sua vida, exigindo novas formas de organização entre os antigos moradores. Mesmo diante dessas transformações, permanece como romeiro, coordenador e cantador de Benditos, dando continuidade a uma experiência religiosa recebida de sua família e vivenciada desde a infância.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
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Bem cultural relacionado
Descrição
As romarias — como as dedicadas a Padre Cícero e à Peregrina Mãe de Deus, identificadas no território — e os(as) cantadores(as) de benditos constituem pilares da religiosidade popular, especialmente marcantes no Nordeste brasileiro.
Romarias são peregrinações coletivas a lugares considerados sagrados (santuários), motivadas pela fé, pelo pagamento de promessas ou pela busca de graças. Diferente das procissões locais, a romaria envolve deslocamentos mais longos, sacrifício físico e uma forte identidade comunitária entre os romeiros. No contexto analisado, destacam-se as romarias associadas à devoção a Padre Cícero, figura central do catolicismo popular nordestino, e à Peregrina Mãe de Deus, que mobiliza fiéis em caminhadas e encontros marcados por intensa vivência espiritual e comunitária.
Já os(as) cantadores(as) de benditos são os(as) guardiões(ãs) da tradição oral e musical dessas caminhadas. Sua função é conduzir a oração cantada, mantendo o ritmo e a espiritualidade do grupo. Os “benditos” são hinos religiosos, geralmente compostos por versos simples e melodias lamuriosas que narram a vida dos santos, a paixão de Cristo ou os sofrimentos da jornada.
O(a) cantador(a) não apenas entretém; ele(a) organiza o rito. Em momentos de cansaço ou sol forte, o bendito funciona como um combustível espiritual que une as vozes e ajuda os romeiros a suportar as dificuldades do caminho. Trata-se de um saber transmitido de geração em geração, muitas vezes sem acompanhamento de instrumentos — ou apenas com poucos, como pífano ou caixa —, centrado na força da voz e da palavra entoada.Localização
Relação com o bem cultural
Coordenador da Pastoral e organizador da Romaria de Padre CíceroData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civi -
Bem cultural relacionado
Descrição
A quadrilha junina é uma dança tradicional das festas de Junho do Nordeste brasileiro, inspirada nas danças de salão europeias trazidas pelos portugueses e adaptada à cultura popular. Trata-se de uma dança coletiva, coreografada e encenada, que celebra os festejos dedicados aos santos católicos do período, com trajes, músicas, marcação e passos que podem apresentar variações a depender do caráter tradicional ou estilizado do grupo em questão.
Em Maceió, os bairros objeto de estudo do Inventário, são uma referência na realização dessa prática com significativa concentração de dançarinos(as) e grupos. Seus integrantes costumam estar envolvidos também com outras danças e atividades culturais, tais como Coco de Roda, Dança Afro, Boi de Carnaval.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civi -
Bem cultural relacionado
Descrição
Situada na atual praça Lucena Maranhão, também chamada Praça Santo Antônio.
O atual edifícío-igreja foi construído pelo comerciante português, Jacinto José de Nunes
Leite em substituição a anterior capela antes existente, já em invocação a Santo Antônio de
Pádua, construída pelo português Antônio Maria Aguiar por volta de 1816. Era uma capela
simples que servia também como capela funerária e ficava em frente ao antigo cemitério.
(Lemos, 2003).
O templo que a substituiu no exato local, foi erguido entre os anos 1870-1873 com maiores dimensões, mas, em formato de retângulo único que teve a sua fachada revestida por azulejos, vindos de Portugal, encomendados pelo referido português. Também a imagem de Santo Antônio foi mandada buscar em Portugal pela família do português que ampliou a capelinha preexistente passaria a ocupar o nicho maior e central no salão de culto. (Lemos, 2003).
Posterior a estes anos de reconstrução do templo houveram alguns acréscimos espaciais em uma de suas laterais, mas depois ocorreriam demolições destes. Desde 1913 tornou-se a Matriz da Paróquia de Bebedouro. Já a partir das décadas de 1970 e 1980 foram erguidos vários volumes em acréscimos laterais e posterior, que resultaram contornando o volume central (antigo) e também uma sineira, à frente do templo antigo, todos estes erguidos em estilo mais moderno. Todos estes ainda permanecem e integram a imagem atual do conjunto religioso.
Sempre foi uma igreja que teve muitos sacerdotes e uma boa integração com a comunidade residente no bairro (no entorno imediato e no mais distanciado). A ritualística de veneração ao padroeiro Santo Antônio, tanto ocorria no espaço interno da edificação, quanto em festividades religiosas rememorativas em datas fixas anuais para as quais era utilizada a espacialidade externa, que lhe é contígua: - a Praça Coronel Lucena Maranhão. Dentre elas eram tradicionais:
- a Procissão do Padroeiro (que a mantinha como ponto inicial e final do seu trajeto
pelas ruas do bairro);
- e, as Trezenas de Santo Antônio.
Além destas festividades, a própria dinâmica semanal da igreja aberta para missas e outros encontros de grupos e outras atividades religiosas em seu espaço interior, sempre se estendia para um passeio (anterior ou posterior na praça). Havia uma espécie de união entre as duas espacialidades. Para além deste evidente extravasamento espacial, a população católica
frequentadora e/ou apenas a residente no bairro, ainda usufruía quase que cotidianamente, da
imaterialidade sonora do toque dos sinos que estabelecia um sistema de comunicação que anunciava as atividades (início e fim) para as pessoas.
Tais ocorrências falam diretamente da forte relação do imóvel enquanto referência cultural da igreja com a comunidade local, ou seja, - os moradores à época da vivência no bairro.
Em função do esvaziamento do bairro, o emblemático templo de Bebedouro veio a encerrar totalmente as atividades litúrgicas e comunitárias em 15 de novembro de 2022 após a
realização de uma última missa que marcaria esse rompimento entre o templo e a população.
Porém a comunidade religiosa prosseguiu se reunindo em um novo espaço construído como
medida de mitigação pela empresa que, em última instância causou o próprio fechamento do
templo, no bairro de santa Amélia, na avenida Montenegro de Barros. Esta comunidade, mesmo
se reunindo em outro bairro, retomou a organização venerativa da procissão de Santo Antônio,
só que veio formalizar o início e fim da procissão na praça Lucena Maranhão, em frente ao
antigo e simbólico templo antigo.
Devido a impossibilidade de adentrar o templo foi montada na calçada da igreja, uma
tenda para proteger o altar montado especialmente para uma “missa campal” e assim foi dado
início às celebrações da Festa de Santo Antônio no ano de 2024. Desse altar montado, o padre
iniciou a condução da procissão indicando um cortejo (modificado, em relação ao
tradicionalmente cumprido nos anos anteriores). Ao som da voz do padre as pessoas foram
percorrendo algumas ruas e chegaram próximo ao início da ladeira da Chã de Bebedouro,
acessando a comunidade do Flexal de Cima, retornando pelo Flexal de Baixo e se dirigindo de
volta à rua principal, em direção à igreja, à praça: - ponto inicial e final do circuito.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.Localização
Relação com o bem cultural
Coordenador(a) de Eventos ParoquiaisData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo
Remuneração
Esporadicamente


