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Pai Lu (Erivaldo)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Erivaldo Soares da Silva
Data de nascimento
15 de maio de 1965
História de vida
Pai Lu (Erivaldo), natural de São Miguel dos Campos, iniciou ainda jovem sua trajetória no Candomblé, chegando a se preparar para assumir a função de pai pequeno em uma casa de axé antes de se mudar para Maceió. Na capital, frequentou inicialmente, como visitante, o terreiro de Seu Antônio, em Bebedouro, e posteriormente passou pela casa de Dona Nina, yalorixá que mantinha seu terreiro na Rua Almirante Barroso, no Farol. Mais tarde, junto com sua esposa Cláudia, seguiu para o terreiro de Mãe Maria, na Rua Portugal Ramalho. Após o falecimento de Mãe Maria, sua caminhada religiosa estabeleceu novos vínculos entre Maceió e Recife por meio da tradição Jeje-Nagô, permanecendo atualmente ligado ao Axé Roça Oxum Opará Laxé Lomim.
Sua relação com o Candomblé está profundamente associada à ancestralidade, à espiritualidade e aos saberes adquiridos ao longo de sua trajetória. Na casa religiosa, exerce a função de Pejigã, participando da organização das atividades e do funcionamento dos rituais, além de orientar os mais novos nos conhecimentos relacionados à sua função. Em suas lembranças sobre Bebedouro, destaca o bairro como um território historicamente marcado pela presença do Candomblé, embora muitas pessoas evitassem assumir publicamente sua vinculação às religiões de matrizes africanas. Recorda Pai Antônio como uma de suas primeiras referências religiosas na localidade e ressalta as celebrações de Cosme e Damião como momentos de maior aproximação entre o terreiro e a comunidade.
A Rua Marquês de Abrantes e a antiga residência da família na Rua Augusto Barreto, conhecida como “Gaveta”, estiveram relacionadas às suas experiências religiosas e comunitárias, especialmente durante as festividades de Cosme e Damião, que reuniam moradores e crianças da região. Com as transformações ocorridas no território e a dispersão de parte da população, essas relações foram modificadas, trazendo dificuldades de deslocamento, segurança e participação nas atividades. Pai Lu permanece exercendo sua função no terreiro e participando das celebrações e encontros religiosos, mantendo sua trajetória vinculada ao Candomblé e aos saberes construídos nas diferentes casas de axé pelas quais passou.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Povos e comunidades de terreiro/povos e comunidades de matriz africana
Localização
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Terreiro é o nome dado ao espaço físico e à comunidade religiosa onde são praticadas as religiões de matriz africana no Brasil, tais como o Candomblé e a Umbanda.
É o centro da vida religiosa e social do grupo, sendo considerado um templo, um ilê (casa em iorubá) ou uma comunidade tradicional que preserva a memória ancestral, a cultura e os rituais africanos e afro-brasileiros.
É composto por alguns espaços, tais como o local onde se assenta o Axé (a força vital, a energia sagrada), fundamental para a vida e o equilíbrio da comunidade e do universo; Barracão ou salão principal, onde ocorrem os rituais públicos (como as giras na Umbanda e as festas de Candomblé), com cantos e danças; e os santuários ou Pejis que são espaços reservados para a guarda de objetos utilizados nos rituais e o culto às divindades (Orixás, Inquices ou Voduns).
Cada Terreiro é autônomo e liderado por uma Mãe de Santo (Yalorixá) ou um Pai de Santo (Babalorixá), responsáveis por zelar pelos fundamentos, iniciar novos membros (Filhos de Santo) e transmitir o conhecimento ancestral.
O Terreiro, portanto, é o ponto de encontro entre o mundo material e o espiritual, um guardião de saberes e um alicerce para a vida em comunidade, que proporciona o contato direto com o Axé e a Ancestralidade.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados a essa prática no bairro do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
Pejigã - Roça Oxum Opará Laxé LomimData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Fundada em 27 de Dezembro de 1985, pelo professor e folclorista alagoano Ranilson França de Souza (falecido no dia 14 de Agosto de 2006), a pedido dos mestres Juvêncio Joaquim, Mestre Paulo Olegário, Mestra Hilda Maria, Mestre Jorge Ferreira e Mestre Manoel Venâncio de Amorim (todos também já falecidos), a ASFOPAL (Associação de Folguedos Populares de Alagoas) é uma entidade cultural dedicada à preservação, valorização e promoção dos folguedos populares alagoanos, manifestações tradicionais que expressam a riqueza e a diversidade da cultura do estado.
Criada com o objetivo de organizar, representar e fortalecer os grupos de folguedos, a ASFOPAL reúne mestres, brincantes e artistas ligados a expressões como pastoril, guerreiro, reisado, maracatu, coco de roda, entre outros, atuando na defesa do patrimônio cultural imaterial de Alagoas.
A associação também tem papel importante na articulação com instituições públicas e culturais, buscando reconhecimento, apoio e políticas que garantam a continuidade das tradições populares e o respeito ao trabalho dos mestres da cultura.
Com sede em Maceió, a ASFOPAL é reconhecida como uma referência na salvaguarda das manifestações culturais populares alagoanas, contribuindo para a valorização da identidade e da memória do povo alagoano.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.Localização
Relação com o bem cultural
AssociadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
As celebrações afro-religiosas, também denominadas Xirê ou Toque, são manifestações culturais e espirituais vinculadas aos xangôs — denominação historicamente atribuída aos terreiros e praticantes de religiões de matriz afro-ameríndia em Alagoas. Caracterizam-se pela presença de cantos, toques de tambores, danças e rituais de devoção aos orixás, inquices, voduns, mestres, mestras e demais entidades espirituais, fortalecendo os vínculos de ancestralidade, identidade negra e pertencimento comunitário. Durante o Inventário, foram identificados fazedores de cultura vinculados a essas práticas religiosas e culturais.
Localização
Relação com o bem cultural
Pejigã - Roça Oxum Opará Laxé LomimData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Remuneração
Não remunerado


