Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Euvaldo Ribeiro
Data de nascimento
18 de junho de 1922
História de vida
O seu vadinho é ex-garimpeiro. Ele começou a trabalhar como garimpeiro ainda quando era criança e ele se manteve na atividade até a idade aproximada de 80 anos (em junho de 2009 o ele completou 87 anos). Quando garimpava o sr. Vadinho participava de todas as etapas que envolviam o ofício (preparação, execução e comercialização dos minerais). 5. 2.
Localização
Descrição da atuação em rede
O seu vadinho é ex-garimpeiro. Ele começou a trabalhar como garimpeiro ainda quando era criança e ele se manteve na atividade até a idade aproximada de 80 anos (em junho de 2009 o ele completou 87 anos). Quando garimpava o sr. Vadinho participava de todas as etapas que envolviam o ofício (preparação, execução e comercialização dos minerais). 5. 2.
Aprendizado do bem
O seu vadinho é filho e neto de garimpeiros. O seu pai, o sr. Domingos josé ribeiro, originário da localidade conhecida como tranqueiras, era “profissional” do garimpo. O garimpeiro “profissional”, segundo o informante, era aquele que tinha a garimpagem como principal ocupação (principal fonte de renda). A mãe do seu vadinho, a sr. Ana de oliveira, também saia para o garimpo (local de garimpagem), mas, segundo ele, ela não era uma garimpeira “profissional”, já que no seu caso a atividade se constituía como uma espécie de divertimento (lazer) e não uma obrigação ele se recorda que nos momentos de folga dos afazeres domésticos a sua mãe gostava de sair com outras mulheres para garimpar. Ela sempre pegava pequenos diamantes e estes contribuíam para reforçar a renda familiar (apesar do seu vadinho não considerar sua mãe como uma garimpeira “profissional”, é recorrente outros ex-garimpeiros e moradores locais citarem a mãe do seu vadinho como um exemplo de mulher na atividade. Ela é apontada como uma mulher que tinha bastante experiência no ofício). Foi vendo e auxiliando os seus pais e outros garimpeiros no desempenho da atividade que o sr. Vadinho foi adquirindo conhecimentos e experiência na atividade. Quando ingressou no ofício seu vadinho tinha a idade aproximada entre 15 e 17 anos (em outros momentos das conversas ele diz que começou a garimpar ainda criança). O informante diz que se tornou garimpeiro não por opção “mas por circunstância da vida" (não teve outra opção, ou seja, esta era a única “profissão” disponível). Em 1932 (ano em que ele estava com 10 anos de idade) mucugê entrou em “decadência” (crise econômica) e em decorrência deste fato o pai do sr. Vadinho deixou a família e a cidade e partiu para o município de iramaia em busca de trabalho (lugar em que naquele momento a construção da estrada de ferro encontrava-se em curso). A ausência do pai contribuiu para que ele ingressasse definitivamente no ofício, pois era preciso manter a renda e o sustento familiar (o sr. Domingos faleceu anos depois em um “acidente de garimpo” no estado de mato grosso). Além da experiência com os pais seu vadinho também se recorda de ter sido levado ainda criança para o garimpo por um garimpeiro conhecido como nestor. Sabendo da sua “necessidade” (decorrente, em especial, da partida do seu pai de casa), conta o informante, o sr. Nestor tomou a iniciativa de iniciá-lo no ofício. Na serra, além de ensiná-lo a garimpar o sr. Nestor também o fornecia alimento. Apesar da experiência com os pais no oficio, conclui-se, através da fala do seu vadinho, que, de maneira geral, o sr. Nestor foi o grande responsável pelo seu aprendizado no ofício. Com relação ao seu ingresso na atividade o seu vadinho diz, também, que ele não teve a oportunidade de estudar e assim tornar-se um comerciante ou uma “pessoa diferente”. Orgulhoso da “profissão” que “abraçou”, ele diz que esta foi “a melhor profissão da sua vida”. Ele já viajou e morou em outras cidades, mas, segundo ele, a sua “profissão” sempre foi o ofício de garimpeiro. De forma taxativa ele diz que não teve outro ofício na vida. O seu vadinho se “profissionalizou” no ofício e foi através deste que ele tirou o sustento da família.
Transmissão de saberes
Já ensinou o ofício a amigos. Quando garimpava o seu vadinho trabalhava em regime de “parceira” (segundo o informante parceria é o mesmo que “sociedade” e significa a realização do ofício em dupla) ou “em grupo” (trabalho realizado por mais de duas pessoas. Ele diz que um grupo chegava a reunir um número superior a 10 garimpeiros). Normalmente o informante trabalhava em regime de parceria. Ele diz que todo o diamante encontrado pela dupla ou pelo grupo era divido entre todos os envolvidos na atividade (na verdade, o dinheiro adquirido com a venda do mineral que era dividido). Em geral, na garimpagem o seu vadinho assumia a função de “frente”. O “frente” era a pessoa que, devido à idade avançada e a larga experiência no ofício, era recorrentemente consultado pelo parceiro ou os demais membros do grupo sobre a melhor forma de executar o trabalho. Como uma espécie de liderança, o “frente” era respeitado pelos demais. O seu vadinho diz que eram os próprios colegas que o reconheciam como “frente” e era ele quem “tomava conta da turma”. Como se pode verificar na fala do seu vadinho, o “frente” era uma espécie de mestre no ofício.

