Informações
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Nome completo
Francisco Neri
História de vida
Senhor francisco neri, mais conhecido como chico, é pescador artesanal aposentado, entretanto, não deixou de pescar como ele mesmo relata: “ainda vou pescar. Quando falta um, está faltando um no barco, aí eu vou”. Pescou usando vários tipos de apetrechos artesanais: rede boiera, rede afundada, rede de arrasto, rede de arrasto de porta, de tresmalho, rede de corso, de linha de corso e afundada, pesca com covo de lagosta e pesca com covo para peixe. Assim, afirma: “de pesca eu conheço de tudo. Só não pesquei nesses barcos que pescam lá no sul. Esses atumzeiros”
Localização
Descrição da atuação em rede
Senhor francisco neri, mais conhecido como chico, é pescador artesanal aposentado, entretanto, não deixou de pescar como ele mesmo relata: “ainda vou pescar. Quando falta um, está faltando um no barco, aí eu vou”. Pescou usando vários tipos de apetrechos artesanais: rede boiera, rede afundada, rede de arrasto, rede de arrasto de porta, de tresmalho, rede de corso, de linha de corso e afundada, pesca com covo de lagosta e pesca com covo para peixe. Assim, afirma: “de pesca eu conheço de tudo. Só não pesquei nesses barcos que pescam lá no sul. Esses atumzeiros”
Aprendizado do bem
Senhor francisco neri começou a pescar com 11 para 12 anos com um senhor conhecido como “joão quenga” que o ensinou a pescar de linha e nos pesqueiros (locais de pesca). O avô de senhor francisco era pescador, entretanto, não queria que o neto fosse pescador e não o ensinou a pescar. Sobre isso, senhor francisco neri relata: “eu comecei a pescar com onze para doze anos. Comecei a sair para a maré mais um velho que tinha aqui. Era pesca de linha. O velho chamava-se joão quenga. O meu avô era pescador também, ele morava aqui. Mas, ele não queria que eu pescasse, não é. Ele queria que eu conseguisse outra coisa, não é. Mas eu era curioso, gostava do mar e tudo. Aí eu peguei e fui bem escondido. Um dia, eu cheguei e logo ele chegou. Ele me perguntou ‘você foi para a maré com quem? ’. Eu disse ‘fui com o seu joão’, ‘que joão? ’, ‘seu joão quenga’. . . Aí ele disse: ‘rapaz, esse homem, eu não queria que esse homem pescasse! ’. Mas, eu digo, ‘mas o seu joão é um homem de responsabilidade, um velho de responsabilidade, que sabe pescar’, ele disse ‘é, então vai por aí mais ele pescar onde quiser ir’. Sobre o senhor joão quenga e sobre como aprendeu a pescar com ele, senhor francisco relata: “joão quenga devia ter mais ou menos uns cinqüenta e cinco anos. O velho já tinha uns cinqüenta e cinco para sessenta anos. Homem, eu pesquei mais ele mais ou menos, assim, uns cinco a seis anos. Num tempo, já era eu quem estava guiando o velho. O velho já estava com a vista ruim e era eu quem guiava o velho. Guiava o velho para as pedras, para marcar os lugares. Hoje em dia tem gps, todo mundo é mestre. Mas, no meu tempo, era no olho mesmo, eu ficava de gravar na cabeça. Aí ele tinha que vir para chegar nos pesqueiros, senão não prestava, não pegava peixe. Tinha que vir as cabeças, o velho sabia. Ele dizia ‘vamos para o pesqueiro fulano de tal’. Ele, quando tinha vista boa, já tinha me ensinado, aí eu ia e quando chegava lá. . . Todos os pesqueiros eu já sabia de tudo. Ele tinha uma jangada. Nesse tempo era jangada, não era barco. Era só jangada de madeira, os paus dessa grossura, grande como daqui acolá. Aí a gente cortava, fazia jangada pequena e fazia grande. Seis paus em uma jangada, seis paus, era jangadão grande. Não faz mais não. Nem o ibama deixa tirar mais, porque é um material proibido nas matas. Só tem em belém e em alagoas”. Com 17 para 18 anos, senhor francisco neri começou a pescar com outros pescadores já como mestre do barco porque conhecia os pesqueiros [locais de pesca] ensinados pelo senhor joão quenga. Entretanto, sem jangada própria, senhor francisco neri trabalhava com jangada de outras pessoas. Sobre esse momento, explica: “eu deixei de pescar mais ele, já fui pescar em outra navegação, por minha conta mesmo porque ele já estava mais velho, não tinha mais navegação, ele não queria mais pescar e já tinha terminado o tempo de pescar dele. Eu já era mestre de jangada, já. Eu não tinha jangada, não. Eu pescava em jangada dos outros. Eu comecei a pescar mais um rapaz que tem aqui, um senhor que chamava andré guerra e, depois, josé. Depois trabalhei com outros”. Em meados de 1960, senhor francisco neri comprou o seu primeiro barco. E sobre isso, relata: “o primeiro barco que eu tive foi uma baitera. Uma baitera pequena, um barco pequeno. Ela chamava ceci. Eu tinha uns trinta anos mais ou menos quando comprei. Fiquei mais ou menos uns cinco a seis anos”. Em seguida, comprou um bote, entretanto, deu a um familiar quando comprou o seu barco neri: “aí foi o tempo que eu comprei o bote, aí eu dei para um amigo meu que tinha aqui. Eu fui e dei para ele. Amigo e era cunhado, que era casado com a. . . Porque é da família, não é”. O barco neri foi comprado em 1982 e sobre isso relata: “esse barco meu, eu comprei em 1982. O nome do meu barco é neri”. Em seguida, comprou outro barco com o nome de leidieri que foi dado a um filho pescador: “depois do neri eu comprei outro que é o leidieri. Esse está no mar. Está no mar, que é desse menino aqui, da casa, agora, porque é meu filho aqui, ele trabalhava comigo, aí eu dei para ele também para ele poder se virar para ele”. Em aproximadamente 1970, senhor francisco neri aprendeu a pesca com covo com um pescador de natal, um senhor conhecido como zé viola: “eu aprendi essa pescaria de covo aqui foi com um amigo meu que veio de natal. E eu fui pescar com ele. E ele chamou para fazer esses covos, e eu disse ‘então vamos fazer’. Fizemos esses covos, nós pegávamos muita guarajuba. Naquele tempo tinha muita guarajuba. Ele chamava-se zé viola. Já tem é muito tempo que eu pesco de covo, tem uns quarenta anos mais ou menos. É, uns quarenta anos. É bom porque você vai pescar com ele, deixa lá, quando volta tem o peixe dentro. O trabalho que tem é só puxar o peixe, e arrear de novo. Esse camarada, o zé viola, mora na ribinha, ouvi falar que ele tinha morrido. Mas, ele não está velho de morrer, não. Ele não está velho de morrer, é um cara mais ou menos da minha idade. Mas eu não sei”. Senhor francisco neri está aposentado há 10 anos, entretanto, nunca parou de exercer a atividade. Relata assim que pescou em toda a região de são miguel do gostoso: “passei todo tempo trabalhando. Eu trabalhava em outros cantos, em caiçara, aqui nessas redondezas de pesca, onde tem essas pescarias. Eu conheço essas praias todas aqui. A de aracati para cá eu pesquei até chegar em porto seguro. Nessas praias, eu pesquei tudo por aqui. Eu vivi de pesca e criei minha família toda com pesca”.
Transmissão de saberes
Senhor francisco neri relata que ensinou a atividade a vários pescadores que hoje são mestres de barco e a seus filhos masculino: “eu ensinei aqui uns vinte pescadores ou mais. Quase todos são mestres de barco. De homem agora tem quatro filhos. Aí a gente teve doze filhos. Quatro homens e oito mulheres. Tudo pesca, sim. Mas, nenhum vive só de pesca. . . Mas todos sabem pescar, tudo sabe. Eles aprenderam às vezes, comigo ou com os outros irmãos que eu tenho”.

