Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Silas Baracho Da Silva
História de vida
Sr. Silas baracho da silva tornou-se carpinteiro naval por influência do pai, sr. João baracho sobrinho, que se dedicava ao ofício construindo as tradicionais jangadas de quatro paus, extintas na atualidade. Seu pai teria sido homem influente chegando a assumir a presidência da colônia de pescadores de cajueiro/touros. Esta última, em homenagem a sr. João, recebeu seu nome em 1996. Sr. Silas passou muitos anos construindo todos os tipos de embarcação, de canoas e jangadas a botes motorizados. Atuou efetivamente na atividade de produção até recentemente quando o estaleiro foi assumido por seus filhos. Segundo sr. Silas, no momento comparece ao estaleiro somente de passagem, não interferindo no trabalho dos filhos. Atua hoje como presidente da colônia de pescadores.
Localização
Descrição da atuação em rede
Sr. Silas baracho da silva tornou-se carpinteiro naval por influência do pai, sr. João baracho sobrinho, que se dedicava ao ofício construindo as tradicionais jangadas de quatro paus, extintas na atualidade. Seu pai teria sido homem influente chegando a assumir a presidência da colônia de pescadores de cajueiro/touros. Esta última, em homenagem a sr. João, recebeu seu nome em 1996. Sr. Silas passou muitos anos construindo todos os tipos de embarcação, de canoas e jangadas a botes motorizados. Atuou efetivamente na atividade de produção até recentemente quando o estaleiro foi assumido por seus filhos. Segundo sr. Silas, no momento comparece ao estaleiro somente de passagem, não interferindo no trabalho dos filhos. Atua hoje como presidente da colônia de pescadores.
Aprendizado do bem
Sr. Silas baracho nasceu e vive até o momento em cajueiro, distrito de touros/rn. Ausentou-se por apenas três anos, entre 1971 e 1974, ocasião em que esteve trabalhando em uma empresa de carpintaria naval em barra de maxaraguape/rn. Iniciou a vida profissional trabalhando como pescador mas deixou a atividade para se dedicar à carpintaria. Filho de carpinteiro, sr. Silas aprendeu o ofício observando o pai, sr. João baracho sobrinho, trabalhar. Segundo ele, seu pai, já falecido, construía jangada de quatro paus, do modo mais tradicional e artesanal. Relata que em 1950, retirando madeira na região, seu pai construiu o primeiro veleiro (barco motorizado) em parceria com um genro. Posteriormente, em 1953, em parceria com o carpinteiro josé braz, construiu outro veleiro para si mesmo. Em 1974 sr. Silas montou seu próprio estaleiro, hoje administrado por seus filhos. Segundo o entrevistado, o processo de aprendizado foi espontâneo. Ninguém lhe ensinou efetivamente nada. A observação e o emprego do dom que deus lhe deu, seriam os responsáveis pelo sucesso na profissão. No que se refere à pesca, o entrevistado afirma: “eu parei de pescar porque não gostava de pescar. Meu dom não era ir pro mar. Eu gostava de possuir a embarcação. Pra você ter idéia a gente ia em três, quatro pescadores pro mar e eles diziam que a minha linha era amargosa. O peixe pegava a linha de todo mundo, menos a minha. Aí eu ficava chateado. Porque tem pescador que é bom de linha, o peixe parece que gosta da isca dele. ” em suas palavras a história relacionada à atividade de carpintaria se deu assim: “a carpintaria naval entrou na minha vida da seguinte forma. Eu já tinha tendência para ser carpinteiro, parece que eu nasci carpinteiro. Porque quando eu era menino, na casa dos meus pais, naquele tempo não se usava cadeira, era tamborete. Tamborete tinha quatro perninhas e a parte de cima. Eu simplesmente pegava o serrote do meu pai, que já era um carpinteiro e construía jangada de madeira, eu pegava aquele serrotezinho e já botava o pé em cima (do banco) e ia serrar. Aí acertava na tábua. A minha tendência já era carpintaria. Eu tinha o quê, tinha seis anos de idade, cinco ou seis anos de idade. E, para fazer a história mais curta, em sessenta e cinco (1965), eu planejei que iria fazer um barco para mim, um barco veleiro. Porque eu pescava em embarcação dos outros. Jangada dos outros, essas jangadinhas de madeira, eu pescava em uma delas, de quinhão, como a gente chama aqui, ficava metade para o dono e metade para o pescador. Eu fiz um barco em sessenta e cinco, esse barco eu fiz só com a coragem e a cara. Mas construí um barquinho pequeno, de seis metros, muito bom, muito bem construído e, como eu queria era construir, não queria pescar, eu pesquei um ano e quatro meses mais ou menos e vendi o barco. Vendi o barco para fazer outro. Isso eu consegui fazer. Eu vendi, possuí só um ano e quatro meses, vendi, cortei material no mato e construí outro, vendi, e por aí comecei. Em setenta e um (1971), um amigo do meu irmão, lá em natal, ele procurava um carpinteiro para construir um barco motorizado para ele. Eu nunca tinha construído um barco motorizado. Aí, ele mandou me chamar, eu fui lá, conversei com ele, ele pegou todas as informações minhas, perguntou se eu me atrevia a construir um barco motorizado, eu disse que me atrevia, mesmo sem nunca ter feito. Aí enfrentei essa luta, né. Aí ele, depois de muita conversa, disse para mim que não ia mandar eu construir o barco porque eu nunca tinha construído nenhum. Fiquei desanimado. Ele disse, ‘mas o senhor vai me provar’ e eu digo ‘mas, se você me entregar o material eu construo, porque eu tenho noção para construir’. Ele me entregou o material e eu construí com quatro meses. Eu construí furando no braço, na pua e no trado do manual, no serrote, no machado, eu construí esse barco e entreguei a ele com quatro meses de construção. Foi um barco muito bonito. Eu tenho um retrato, uma foto desse barco por aí, trouxe da minha casa, agora fica difícil de encontrar, mas ficou um barco muito bonito, andador. Um carpinteiro veio de fora, me ensinou como eu assentava o motor, foi a única coisa que um carpinteiro me ensinou foi assentar motor no barco. Muito bem assentado. Então, quando o barco chegou em natal, uma empresa de pesca, o dono de uma empresa que tinha nove barcos, ele veio aqui me convidar para eu tomar conta dessa empresa lá em maxaranguape, onde eu passei três anos e sete meses construindo para ele, construí dois barcos novos e reconstruí vários outros. ” já no que diz respeito à produção de jangadas, principal embarcação atualmente construída no estaleiro, sr. Silas relata que havia grande dificuldade em relação à sua conservação e que, ano a ano, era necessário trocar sua base. A madeira utilizada no modelo original - denominado “jangada de quatro paus” porque feita de quatro toras de madeira amarradas entre si - era empregada quase ao natural. Esta madeira vinha do estado do pará e era de difícil conservação, causando sérios problemas ao pescador. Em suas palavras, o entrevistado relata seu envolvimento com a construção deste tipo de barco: “a minha intenção, para construir jangada, e aqui eu deixo a parte dos barcos motorizados e vou entrar no mérito das jangadas, que hoje ainda existem, os meus filhos estão trabalhando através dessa invenção que eu criei, eu tinha tendência de ver como é que eu ia construir uma embarcação para acabar com a madeira de jangada, que era uma escravidão para o pescador, todo ano o pescador tinha que ter aquele dinheiro para comprar um paquetinho. Todo ano tinha que ter aquele dinheiro porque a vida do paquete é só um ano. De um ano para outro ninguém queria mais. Até porque o pescador sempre teve vaidade de discutir carreira, o barco é corredor, não anda mais do que outro, aquela coisa toda. Mas tinha o problema da escravidão da compra. Todo ano o parceiro ia para o pará, três parceiros que tinha aqui traziam material e vendiam para o pescador, uns pagavam bem, outros pagavam mal, mas tinha que contribuir porque no outro ano tinha que estar com crédito para comprar outra. Aí, por isso eu pensei em como fazer, inventar uma embarcação para tirar o pescador daquela escravidão, da compra da madeira de jangada. Aí, eu fiquei pensando que a cabine do barco feita de compensado, ela dura quinze anos. Levando chuva, sol e sereno(. . . ). Aí eu criei essa embarcação, a empresa no momento, já em setenta e quatro(1974), me mandou para guamaré, aí eu levei o esqueleto de duas jangadas dessas. Eu fui em janeiro, entre janeiro e fevereiro, e em maio eu vim trazer as duas jangadas sem compromisso com ninguém. Cheguei aqui e vendi todas duas e já levei a encomenda de mais duas. Quando foi final de maio, o gerente da empresa se aborreceu comigo, e eu com ele, e eu vim embora. Saí da empresa e vim trabalhar por conta própria. Foi quando eu criei o estaleiro, e comecei a trabalhar. ” sr. Silas trabalhou construindo vários tipos de embarcação entre os veleiros (botes à vela, segundo o entrevistado), barcos motorizados, canoas e jangadas. Atualmente as jangadas são as embarcações mais produzidas no estaleiro em razão de seu custo mais baixo e atendimento da maioria da população de baixo poder aquisitivo que se dedica à pesca.
Transmissão de saberes
Sr. Silas tem cinco filhos que se dedicam à atividade de carpintaria naval: valdir, valdetário, valter, valmir e valdemir baracho da silva. Todos aprenderam o ofício com o pai, tal como este aprendera com seu pai, joão baracho sobrinho, já falecido. Sr. Silas relata como ensinou seus filhos da seguinte forma: “eu criei meus filhos levantando cedo pra trabalhar junto comigo, começando pelo primeiro, o mais velho, o valdir, que com oito anos de idade saía daqui comigo, às quatro da manhã, ia para o mato cortar madeira. Teve um dia que nós perdemos no meio do mato, foi no mês da quaresma, vento brando, muita calma. Quando foi cinco horas da tarde, já estava escurecendo dentro da mata, aí subi numa árvore bem alta pra ver pra que lado tava o farol de touros. Aí vi e resolvi, é pra lá que eu vou. Vim embora, cheguei sete horas da noite em casa. ” na ocasião os dois saíram para cortar madeira para a construção da primeira embarcação de sr. Silas. Em seguida, teriam chegado os primeiros projetos externos e o convite para trabalhar em empresa de construção naval em barra de maxaranguape/rn. Posteriormente, em 1974, sr. Silas montou o estaleiro e, à medida em que as crianças cresciam, ensinava a elas o ofício. Aos poucos teria adquirido as máquinas e dado continuidade à atividade. Na década de 1990, período de maior produção do estaleiro, sr. Silas relata que precisou contratar muitos carpinteiros para executar 48 embarcações financiadas pelo banco do nordeste e pelo governo federal, no tempo previsto em contrato. Nesta ocasião chegou a dar aulas aos demais carpinteiros em razão de nem todos os contratados terem a experiência necessária. Tratou-se de uma preparação para o bom andamento do trabalho. Atualmente sr. Silas está aposentado e se dedica à presidência da colônia de pescadores, fundada por ele mesmo em parceria com a comunidade em 1996. Seus filhos administram o estaleiro deixado pelo pai e eventualmente trabalham em outros municípios ou localidades.

