Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Francisco Sales Nepomuceno
História de vida
Sr. Sales é filho de pescador e o único carpinteiro naval construtor de jangadas de ponta do mel - areia branca/rn. Pela especificidade do distrito de ponta do mel, tornou-se construtor especializado em jangadas a partir dos 28 anos de idade, quando se aventurou a armar a primeira embarcação do tipo para uso próprio. Pescador desde os 18 anos, sr. Sales tomou gosto pela carpintaria observando carpinteiro de nome batista, solicitado por ele para terminar o serviço que não sabia realizar em sua própria jangada. Daí em diante, montando uma peixaria e passando a vender pescados, sr. Sales passou a dedicar-se paralelamente à carpintaria naval voltando-se especialmente para a construção de jangadas. Atualmente trabalha todo o dia na peixaria e, frontalmente a ela, constrói jangadas para pescadores locais e da região. Sua produção envolve desde a primeira etapa de armação da embarcação, até a produção da vela. Segundo o carpinteiro: “eu começo do primeiro pedaço de pau e deixo ela em ponto de trabalho, pronta pra navegar. Só não faço o tecido. ”
Localização
Descrição da atuação em rede
Sr. Sales é filho de pescador e o único carpinteiro naval construtor de jangadas de ponta do mel - areia branca/rn. Pela especificidade do distrito de ponta do mel, tornou-se construtor especializado em jangadas a partir dos 28 anos de idade, quando se aventurou a armar a primeira embarcação do tipo para uso próprio. Pescador desde os 18 anos, sr. Sales tomou gosto pela carpintaria observando carpinteiro de nome batista, solicitado por ele para terminar o serviço que não sabia realizar em sua própria jangada. Daí em diante, montando uma peixaria e passando a vender pescados, sr. Sales passou a dedicar-se paralelamente à carpintaria naval voltando-se especialmente para a construção de jangadas. Atualmente trabalha todo o dia na peixaria e, frontalmente a ela, constrói jangadas para pescadores locais e da região. Sua produção envolve desde a primeira etapa de armação da embarcação, até a produção da vela. Segundo o carpinteiro: “eu começo do primeiro pedaço de pau e deixo ela em ponto de trabalho, pronta pra navegar. Só não faço o tecido. ”
Aprendizado do bem
Sr. Sales afirma que a carpintaria foi aprendida por curiosidade dele. Teria sido por força de vontade que a primeira embarcação fora armada. Quando começou no ofício de carpintaria, aos 28 anos de idade, construía sozinho apenas a catraia de apoio para embarcações maiores. Com o tempo, observando o trabalho de um carpinteiro de apelido batista, que residia em ponta do mel, se interessou um pouco mais pela atividade. Batista construía jangadas na época e posteriormente mudou-se para o distrito sede de areia branca onde reside até o momento. O entrevistado afirma que se aventurou na construção da primeira jangada para si mesmo, dedicando-se apenas à sua armação e pedindo ajuda ao carpinteiro batista. Foi então que aprendeu o que era necessário para construir sozinho. Em suas palavras explica: “pra eu começar, fiz a armação de uma jangada, aí então ele veio terminar pra mim porque eu não sabia acabar ela toda. Aí observei ele fazer e daí comecei, foi o começo da minha carreira de trabalho. ” até então, desde os 18 anos de idade, sr. Sales dedicava-se à pesca artesanal. Montou então uma peixaria e passou a dedicar-se também à carpintaria. Atualmente, enquanto cuida de receber e vender o pescado em frente à praia, constrói embarcações em frente a seu estabelecimento. A principal motivação que levou o pescador a se dedicar às jangadas propriamente foi a demanda existente no distrito de ponta do mel que, por ser geograficamente aberto para o mar, exige embarcações dotadas de convés. È necessário também que sejam embarcações de baixo custo para que possam atender à maior parte da população pescadora. Assim, sendo a jangada barata em relação às demais embarcações, e capaz de atender de modo adequado e eficiente à maioria dos pescadores, foi natural a escolha dela como principal tipo a ser produzido. Sr. Sales afirma que a primeira encomenda aconteceu em seguida à produção de sua jangada. Na época, não tinha ainda confiança de que conseguiria produzir mas aceitou o desafio. “daí por diante, hoje eu já ganhei o título de melhor carpinteiro da região. Hoje o pessoal dá mais confiança a mim” afirma. Atualmente sr. Sales constrói e recupera jangadas. Explica que a jangada é uma embarcação muito simples de ser produzida, até mesmo em relação à estrutura necessária para a realização da tarefa. Segundo o entrevistado não é necessário um estaleiro grande porque são poucas as máquinas e material para produção. Periodicamente, quando é solicitado, o carpinteiro vai para outras praias da região trabalhar. Relata que já trabalhou na praia de morro pintado, rosado, pedra grande entre outras. “eu só não quero ir pra longe. Quero mais estar aqui na praia. ”(referindo-se a ponta do mel). E continua: “eu monto meu estaleiro em qualquer canto que eu vá. Tem sempre uma pessoa me chamando pra um lado, pra outro. ”
Transmissão de saberes
O entrevistado afirma que quando está se dedicando à construção de uma jangada maior, solicita a ajuda de outra pessoa. No entanto, o ajudante não precisa ser alguém especializado ou mesmo entender do ofício. Precisa ter boa vontade para ajudar a segurar as peças. “o trabalho dele é só segurar”, afirma. O entrevistado relata que formalmente nunca ensinou a ninguém a arte da construção, mas já orientou pescadores sobre a conservação e reforma de suas embarcações. Sr. Sales declara, que sendo ele o único construtor de jangadas de ponta do mel, acaba se dedicando ao ofício mais para ajudar os pescadores. O entrevistado afirma que não é lucrativo e que com a pesca ele tem condições melhores de renda que com a carpintaria. No entanto, acredita que o trabalho que realiza é importante para a comunidade e, por isto, não deixa de fazê-lo. Sr. Sales afirma que muitos pescadores não têm recursos e que ele trabalha sempre de forma a ajudar as pessoas. Mas que às vezes é difícil porque algumas pessoas nem agradecem. Afirma que “a consciência é pouca e não está sendo gratificante”. Quando paga corretamente, a diária de um carpinteiro varia entre r$80,00 e r$100,00, com uma jornada de trabalho de 7 às 11 e 13 às 17 hs.

