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Projeto relacionado
Nome completo
Francisco Antônio Bezerra.
História de vida
Senhor francisco antônio bezerra, mais conhecido como chicão do mel, é presidente da colônia de pescadores de ponta do mel, colônia z-33 e já foi vereador do município de areia branca. Chicão do mel é também pescador artesanal e comerciante de peixe. Sua posição atual como presidente, chicão considera um cargo de representação. Ele define sua atividade como presidente da colônia: “você quando sai, vamos dizer, quando se coloca na qualidade de representar, ir representar, pelo menos querer fazer alguma coisa, você passa obrigatoriamente a ser um agente público. Mas eu procuro sempre ficar afastado daquela política de enganação. . . Aquela politicagem que eu não concordo. . . Para você ter uma ideia eu abri com um emprego. . . Eu tive dois anos na gerência de pesca. . . Como um. . . Nós tínhamos lá uns projetos, diretrizes, eles não estavam dando atenção nenhuma, eu peguei e pedi para sair. . . Porque eu não queria estar em um canto, vamos dizer assim. . . Para cumprir tabela. Ou, então, só por causa de um salário que eu também gastava todo em combustível. . . Não, eu queria para mostrar serviço. . . Para, aqueles que estão precisando, que estão lá precisando de mim, que a coisa aconteça. Quando não acontece, eu não vou ficar lá levando a culpa. . . Para dizer que nem o outro. . . Eu sou um político que torço que a política que nós temos hoje mude”.
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Descrição da atuação em rede
Senhor francisco antônio bezerra, mais conhecido como chicão do mel, é presidente da colônia de pescadores de ponta do mel, colônia z-33 e já foi vereador do município de areia branca. Chicão do mel é também pescador artesanal e comerciante de peixe. Sua posição atual como presidente, chicão considera um cargo de representação. Ele define sua atividade como presidente da colônia: “você quando sai, vamos dizer, quando se coloca na qualidade de representar, ir representar, pelo menos querer fazer alguma coisa, você passa obrigatoriamente a ser um agente público. Mas eu procuro sempre ficar afastado daquela política de enganação. . . Aquela politicagem que eu não concordo. . . Para você ter uma ideia eu abri com um emprego. . . Eu tive dois anos na gerência de pesca. . . Como um. . . Nós tínhamos lá uns projetos, diretrizes, eles não estavam dando atenção nenhuma, eu peguei e pedi para sair. . . Porque eu não queria estar em um canto, vamos dizer assim. . . Para cumprir tabela. Ou, então, só por causa de um salário que eu também gastava todo em combustível. . . Não, eu queria para mostrar serviço. . . Para, aqueles que estão precisando, que estão lá precisando de mim, que a coisa aconteça. Quando não acontece, eu não vou ficar lá levando a culpa. . . Para dizer que nem o outro. . . Eu sou um político que torço que a política que nós temos hoje mude”.
Aprendizado do bem
Senhor francisco antônio começou sua relação com a pesca em função da atividade do seu pai que era zelador de barcos. Sua admiração o fez querer aprender a pescar: “eu comecei a ter relações com a pesca porque o meu pai tomava conta dos barcos de pesca lá em arei branca. Eu tinha 10 anos. E a gente desde cedo teve assim, uma cultura de não gostar de estar em casa. . . Gostava sempre de estar fazendo alguma coisa. E os nossos pais levaram a isso. Aí eu comecei, de cedo, a dormir nas lanchas, pintar. E achava bonito! Quando os barcos chegavam de fora, com lagosta, com peixe. Aí entrei na pesca. Foi em 1975 para 1976, que eu comecei mesmo. Em 1981, eu tirei minha carteira de pescador. Eu já estava atuando, mas na ilegalidade. ” a forma de aprendizado da pesca, segundo ele, é através da observação: “não tem quem ensine. Vamos dizer assim, você fala ‘eu quero ir para o mar’, aí o cara te leva. E lá, você tem que dar um jeito. Não tem que ensinar. Você vai observar. Claro, tem os cabras que fazem graça para você se ferrar, para ele achar graça lá. Mas tem cabra que é bacana, que ajuda”. Entretanto, ele aponta um pescador que o ensinou: “quem me ensinou, realmente, a pescar foi francisco de luzia, um mestre de um barco lá de areia branca. Quando da primeira vez que eu fui para o mar com ele. . . Ele foi quem me deu o pontapé inicial para eu viver minha vida no mar. Graças a deus ele é vivo. Não pesca mais, mas é vivo. Foi lá em areia branca que comecei a pescar. Comecei com lagosta de covo”. E continua o seu relato indicando várias outras técnicas e apetrechos de pesca que usou: “eu trabalhei com seu francisco de luiza pouco tempo, em torno de um mês, eu dei umas duas viagens com ele. Depois mudei de navegação. Fui trabalhar. . . Como já, nesse período, existia a introdução da rede e do compressor. A rede era um serviço mais pesado e eu não tinha condição física para isso. Eu não tinha a desenvoltura que o mar exigia”. Senhor francisco antônio completa sobre sua experiência na pesca artesanal: “na minha vida de pescador de linha de peixe [de corso e afundada], eu pesquei muito pouco. . . Eu convivi mais, assim, comprando peixe, porque meu barco pesca peixe e eu compro peixe. Mas para mim atuar mesmo, eu atuei mais na lagosta. Agora, já pesquei de caceia, já pesquei de linha, mas, um período curto. Caceia é a mesma da caçoeira. Um caçoeira é um caceira. ‘vamos dar uma caceada? ’ que joga a rede no mar. . . É o linguajar. Mas é a rede de espera para pegar peixe. Da linha de corso que é essa pesca em alto mar, mesmo. Pesquei também de tresmalhos, que é na costa. Arrastando aquela rede na costa. . . Puxando. . . Também em um período, é. . . Da minha. . . Adolescência para adulto, um pouco, mas também pesquei. ” entretanto, seu desejo sempre foi o mergulho: “e minha vontade foi sempre de mergulhar. E eu tinha curiosidade de aprender a mergulhar. . . Fui trabalhar. . . Fui convidado a trabalhar em um barco por nome de tambaô, da propriedade de dona maria josé. Ela já faleceu. Convidado pelo filho dela, junior, que tomava conta lá mais tadeu. Então eu fui trabalhar de mergulho de manguereiro [compressor]. Primeiro, fui cozinheiro. Numa hora vaga do mergulhador, eu pegava o material, botava, e saia para debaixo d’água. Eu tive a oportunidade, nesse barco, de aprender com compressor. Eu tinha uns 16 anos e foi um ato irresponsável”. Senhor francisco antônio relata o que mais o inspirou em ser mergulhador: “eu sempre tive esse desejo de encontrar com um tubarão. Eu queria saber se ele era aquilo tudo mesmo. Mas, não é. Ele se sente acuado é que ele ataca. Ele é como a gente. Ele tem fome. . . Só que não enxerga bem. Eu sempre fui admirado com o tubarão”. E continua o relato de sua história na atividade: “depois, trabalhei em firma com mergulho de compressor, já com filtro e todo o equipamento certinho e com todo o controle. Tinha a roupa térmica e a segurança é muito maior. Aí, eu aprendi noções de descompressão e voltei para a pesca de novo. Pesquei de mergulho de peito, apneia, até 1996, quando eu assumi a presidência da colônia. Eu não era mais só. Eu já tinha um coletivo a zelar e eu sempre via que a pesca de mergulho era prejudicial a saúde quanto para a continuidade da pesca. Aí, eu fiz um trabalho de fiscalização. E deu certo. Mas, atualmente, a ilegalidade cresceu de uma maneira. . . Que chegou até ao governo. Eu fico chateado e sou até motivo de deboche. Mas, eu acredito na pesca sustentável. Eu prefiro ter sempre um real no bolso, do que ter vinte hoje e passar o resto do mês sem um centavo no bolso”. Sobre o mergulho com compressor, prática ilegal e prejudicial à saúde dos pescadores locais, sr. Chicão relata: “no meu caso, eu comecei a mergulhar com compressor. Porque você está fissurado em ver uma coisa: o fundo do mar. Ele é muito bonito. O fundo do mar é como a terra. Tem lugares que dá até medo, você não vê nada. Mas, tem outros que você chega que é uma beleza. Não era tanto a lagosta. . . Eu não pensava tanto no perigo. . . Um dos riscos é a bolha, você não faz a descompressão direito e ela se aloja. Pode até aleijar. Tem gente que fica até 5 horas debaixo d’água”. Atualmente, chicão é comprador e vendedor de peixe, possui dois barcos. A embarcação atual de chicão do mel chama-se jaqueline. O mestre do barco é ciço marcelino, conhecido como tita.
Transmissão de saberes
Senhor francisco antônio relata: “ensinei muita gente a mergulhar no peito. Muita gente aqui aprendeu comigo a trabalhar. E, graças a deus, ninguém teve nada. Eu acredito que tenha sido uma boa aprendizagem. É uma atividade de pesca ilegal, por causa da lagosta. Mas, é uma pesca seletiva. Eu acredito que possa se tornar legal porque o mergulhador só pega aquela lagosta que ele está vendo. Os que eu ensinei e trabalhou comigo não pega lagosta pequena. Era diferente e a gente faz um trabalho de conscientizar explicando que essa pequena que ele está pegando hoje vendendo a dez reais, ele se esperar, pode vender a cinquenta. Eu gosto de estar sempre junto deles, eu sempre vou em toda reunião”.

