Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Gilvan Ferreira De Figueiredo
História de vida
Sr. Gilvan trabalha com a carpintaria naval mas possui alternativas para sua sobrevivência em caso de escassez de trabalho. Sendo filho de pescador, aprendeu inicialmente a pescar com o pai, dedicando-se a partir dos 22 anos à carpintaria propriamente. O conhecimento da atividade de pesca contribui, ainda hoje, em casos de crise na carpintaria e conseqüente necessidade de busca de outro meio para sustento de sua família. O entrevistado trabalha também como pedreiro em caso de necessidade. No momento, dedicando-se somente à carpintaria, sr. Gilvan afirma que a demanda por reforma de embarcações tem aumentado em detrimento das construções novas. Sob uma cobertura de folhas de coqueiro, construída a cerca de 400 m de sua residência, o carpinteiro trabalha à beira da praia, sob os olhares curiosos de pescadores e donos de embarcações. Segundo o mesmo, a atividade é móvel. Constrói-se uma cobertura semelhante à que utiliza atualmente onde quer que seja necessário executar algum trabalho. Não há, nem houve, um local fixo de trabalho ao longo de todos os anos em que o carpinteiro se dedica ao ofício.
Localização
Descrição da atuação em rede
Sr. Gilvan trabalha com a carpintaria naval mas possui alternativas para sua sobrevivência em caso de escassez de trabalho. Sendo filho de pescador, aprendeu inicialmente a pescar com o pai, dedicando-se a partir dos 22 anos à carpintaria propriamente. O conhecimento da atividade de pesca contribui, ainda hoje, em casos de crise na carpintaria e conseqüente necessidade de busca de outro meio para sustento de sua família. O entrevistado trabalha também como pedreiro em caso de necessidade. No momento, dedicando-se somente à carpintaria, sr. Gilvan afirma que a demanda por reforma de embarcações tem aumentado em detrimento das construções novas. Sob uma cobertura de folhas de coqueiro, construída a cerca de 400 m de sua residência, o carpinteiro trabalha à beira da praia, sob os olhares curiosos de pescadores e donos de embarcações. Segundo o mesmo, a atividade é móvel. Constrói-se uma cobertura semelhante à que utiliza atualmente onde quer que seja necessário executar algum trabalho. Não há, nem houve, um local fixo de trabalho ao longo de todos os anos em que o carpinteiro se dedica ao ofício.
Aprendizado do bem
Sr. Gilvan relata que é filho do pescador joão romão e que seu pai, para realizar manutenção em sua própria embarcação, possuía ferramentas de carpintaria na casa onde moravam. Quando pequeno, aproximadamente 9 anos de idade, junto com seu irmão, ubiratan ferreira de figueiredo, sr. Gilvan esperava que o pai fosse pescar para “traquinar com as ferramentas”, afirma. Juntos os irmãos construíram a miniatura de um barco encavernado com aproximadamente 50cm de comprimento. Em seguida, ampliaram as dimensões construindo miniaturas de 100cm. Sr. Gilvan seguiu o ofício confeccionando inicialmente canoas, também chamadas batelões, já em tamanho natural. Mudou-se então para santos, estado de são paulo. Retornando a porto do mangue, recebeu de um tio a tarefa de reforma de um bote. Na ocasião tinha 22 anos de idade. Na medida em que os trabalhos foram dando resultados positivos sr. Gilvan passou a ser chamado com mais freqüência para realizar reparos e também construções. Assim foi chamado para trabalhar em ponta do mel, distrito de areia branca, em rosado, distrito de porto do mangue, na bahia da traição, estado da paraíba, e também no ceará. Sr. Gilvan explica que esta dinâmica da atividade é normal e justifica: “é porque o carpinteiro naval sempre é escasso. São poucos né? ! É uma profissão muito difícil. Então, tinha um barco pra fazer em ponta do mel, o pessoal vinha e dizia: gilvan faz. E eu ia. Outro dizia: gilvan, tenho um barco pra consertar, tu vai? Eu digo: vou! E ia. Outro dizia: rapaz, eu tenho um barco na baía (da traição) pra fazer. Tu vai? Eu digo: vou! ” assim teria seguido durante a vida, dedicando-se, ora aqui, ora ali, à realização dos mais diversos serviços, em várias localidades. Quando a atividade era realizada distante de sua cidade natal, porto do mangue, sr. Gilvan explica que era combinado um período de trabalho e alguns dias em casa, alternadamente. Esclarece que: “muitas vezes eu ia, trabalhava quinze dias, vinha, passava três dias em casa e voltava. ”com esta dinâmica, viveu diversas experiências distintas e acabou por aprender a realizar todos os tipos de embarcações em madeira existentes no estado. Constrói, sem dificuldade, bateiras, batelões, jangadas, botes a vela, à motor, além de canoas.
Transmissão de saberes
Em 2003 aproximadamente, com recursos do governo federal, foi dado um curso em porto do mangue, destinado a ensinar interessados diversos sobre pequenos reparos nas embarcações. O carpinteiro relata que foram 38 alunos e que a proposta não era ensinar a construir embarcações mas sim orientar os donos de barcos, pescadores e outros possíveis interessados a realizar reparos de diversos tipos nos barcos existentes. As aulas foram divididas em teóricas e práticas. Nas teóricas o carpinteiro explicava a dinâmica do trabalho e, nas práticas, os aprendizes realizavam atividades. Foram quatro horas diárias de curso, sempre à tarde, durante três meses. Sr. Gilvan teria recebido r$600,00 para dar aulas. O resultado positivo, segundo o entrevistado, foi que muitas pessoas aprenderam a realizar reparos como calafetar, trocas tábuas, entre outros. Posteriormente, foram realizados cursos de pedreiro e carpinteiro por iniciativa do governo federal. Contudo, voltado para a construção naval, aquele teria sido o único curso, afirma sr. Gilvan.

