Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Léo Rugero
História de vida
Léo Rugero nasceu em Santo André, São Paulo, mas ainda na infância mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cresceu no bairro da Tijuca, em um ambiente familiar profundamente marcado pela música. Esse contato precoce com diferentes práticas musicais contribuiu para sua formação inicial voltada à música erudita, especialmente por meio dos estudos de violão clássico e de sua inserção no universo acadêmico musical durante os anos 1990.
Ao longo de sua trajetória, contudo, seu interesse deslocou-se progressivamente em direção às expressões da cultura popular brasileira. Um momento decisivo nesse percurso ocorreu quando passou a residir em Petrópolis, onde estabeleceu contato com manifestações tradicionais como o Calango, prática musical e poética associada às culturas populares rurais do Sudeste e frequentemente relacionada às matrizes do forró tradicional, marcada por fortes influências afro-brasileiras. Essas vivências ampliaram seu interesse pelas tradições musicais populares e pelas formas de transmissão oral de conhecimentos musicais.
Outro marco fundamental em sua formação foi a aproximação com o mestre sanfoneiro Zé Calixto, uma das principais referências da sanfona de oito baixos no Brasil. A partir da convivência, das viagens, conversas e experiências compartilhadas com o músico paraibano, Léo Rugero passou a aprofundar suas pesquisas sobre o universo da sanfona de oito baixos e sobre as matrizes tradicionais do forró, redirecionando de forma significativa sua trajetória artística e acadêmica para o estudo, documentação e valorização dessas tradições.
Músico, pesquisador, etnomusicólogo, compositor, arranjador e multi-instrumentista, Léo Rugero é atualmente reconhecido nacionalmente por sua atuação dedicada ao estudo das matrizes tradicionais do forró e, especialmente, da sanfona de oito baixos no Brasil. Bacharel em violão clássico pelo Conservatório Brasileiro de Música e mestre em Etnomusicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu a dissertação “Com Respeito aos Oito Baixos – Um estudo etnomusicológico sobre o estilo nordestino da sanfona de oito baixos”, pesquisa pioneira acerca dos contextos sociais, históricos e musicais relacionados ao acordeom diatônico nordestino. Seu trabalho articula pesquisa de campo, documentação audiovisual, reflexão musicológica e atuação artística, contribuindo para a valorização das tradições musicais populares brasileiras.
Durante o mestrado em Etnomusicologia, realizou extensas pesquisas de campo no Nordeste brasileiro, aprofundando investigações sobre repertórios, estilos interpretativos, trajetórias de mestres sanfoneiros e formas de transmissão de saberes musicais associados ao forró tradicional. As pesquisas desenvolvidas nesse período deram origem ao livro e ao documentário “Com Respeito aos Oito Baixos”, contemplados por editais da FUNARTE durante as celebrações do centenário de Luiz Gonzaga.
Ao longo dos anos, Léo Rugero consolidou-se como uma das principais referências no estudo da sanfona de oito baixos e das tradições musicais vinculadas ao forró pé-de-serra. Em 2018, atuou como coordenador técnico do projeto “Identificação e Mapeamento dos Sanfoneiros de Oito Baixos do Estado da Paraíba”, desenvolvido em parceria com o IPHAN e a ONG Balaio Nordeste, iniciativa voltada à salvaguarda de saberes tradicionais relacionados ao instrumento. Seu trabalho etnográfico, construído a partir do convívio com mestres sanfoneiros como Zé Calixto, evidencia as relações entre oralidade, memória, circulação fonográfica e transmissão de conhecimentos musicais no universo do forró tradicional.
Além da pesquisa acadêmica, Léo Rugero possui intensa atuação artística e educativa. Multi-instrumentista, transita entre violino, viola clássica, acordeon, sanfona de oito baixos, violão, piano, viola caipira e percussão, desenvolvendo trabalhos como instrumentista, arranjador e compositor em produções fonográficas, filmes documentários, teatro e televisão. Desde 2009, coordena o blog “Sanfona de Oito Baixos”, reconhecido como uma das principais referências digitais sobre o acordeom diatônico brasileiro. Paralelamente, também passou a desenvolver atividades pedagógicas voltadas ao ensino da sanfona de oito baixos, criando metodologias próprias e compartilhando conhecimentos construídos ao longo de sua trajetória de pesquisa e prática musical.
Nos últimos anos, Léo Rugero também passou a integrar iniciativas voltadas à salvaguarda do patrimônio cultural do forró junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Participou do Plano de Salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró e de atividades de pesquisa, mapeamento e difusão relacionadas ao bem cultural reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2021.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede desenvolvida por Léo Rugero ocorre principalmente por meio da articulação contínua entre músicos, mestres da cultura popular, pesquisadores, produtores culturais, alunos e instituições vinculadas à pesquisa, documentação e difusão das matrizes tradicionais do forró e da sanfona de oito baixos. Essa rede é construída a partir de relações de convivência, intercâmbio de conhecimentos, parcerias artísticas e colaboração em processos de pesquisa e produção cultural.
Um dos principais eixos dessa atuação está na relação estabelecida com sanfoneiros tradicionais, especialmente mestres como Zé Calixto, com quem desenvolveu vínculos de aprendizado, troca de experiências e pesquisa de campo. Essas relações envolvem encontros presenciais, viagens, entrevistas, apresentações musicais e registros audiovisuais, contribuindo para a transmissão de conhecimentos associados às tradições musicais do forró e da sanfona de oito baixos.
A rede também envolve pesquisadores, cineastas, produtores culturais e músicos que participam de projetos colaborativos, como gravações fonográficas, documentários, publicações, oficinas, shows e produção de materiais educativos. Muitos desses trabalhos são desenvolvidos de forma coletiva, envolvendo diferentes profissionais e saberes em todas as etapas de produção, desde a pesquisa de campo até a circulação pública dos conteúdos produzidos.
Além disso, sua atuação pedagógica amplia essa rede ao incorporar alunos, pesquisadores em formação e interessados nas tradições musicais populares brasileiras, que passam a integrar circuitos de aprendizagem, difusão e continuidade desses saberes. Por meio de aulas, oficinas, conteúdos digitais e atividades formativas, ocorre a ampliação das redes de transmissão de conhecimentos relacionados às matrizes tradicionais do forró.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
O forró faz parte da vida do Léo Rugero de forma muito natural, porque ele é músico e atua principalmente como sanfoneiro, mas também toca violão e piano.
É através dos instrumentos que ele se conecta com essa cultura no dia a dia. Tocando, convivendo com outros músicos e participando desse universo, o forró deixa de ser só um gosto e passa a ser algo vivido de verdade.
Por isso, essa relação não fica só na música em si, mas acaba fazendo parte de quem ele é, tanto pelo que ele faz quanto pela forma como ele se identifica com esse meio.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O trabalho de Léo Rugero com o bem cultural se relaciona diretamente com lugares que marcaram sua formação, sua pesquisa e sua prática musical. No Rio de Janeiro, essa relação aparece na Tijuca, onde foi criado, em Petrópolis, onde viveu experiências importantes ligadas ao calango, e na Feira de São Cristóvão, espaço fundamental para sua aproximação com Zé Calixto e com a cultura musical nordestina. Essa relação também se estende à Paraíba e a Pernambuco, estados presentes em sua pesquisa de campo e nas filmagens do documentário Com Respeito aos Oito Baixos, que acompanha justamente os territórios de circulação e permanência da sanfona de oito baixos. Assim, o bem cultural aparece vinculado tanto aos espaços de convivência e aprendizado no Rio quanto aos lugares do Nordeste onde essa tradição se mantém viva.
Aprendizado do bem
O aprendizado do Léo Rugero também teve uma parte acadêmica importante. Ele fez faculdade de música, com formação em violão clássico, e depois seguiu para o mestrado em etnomusicologia.
Mas o diferencial é que essa formação acadêmica não ficou separada da prática. Ele usou a universidade para aprofundar o que já estava vivendo na prática, estudando o forró e a sanfona de oito baixos de forma mais estruturada.
Então, o aprendizado dele combina duas frentes: de um lado, a vivência com mestres como Zé Calixto; de outro, a formação acadêmica, que ajudou a organizar, analisar e registrar esse conhecimento.
Transmissão de saberes
Ele transmite esse conhecimento ensinando o que aprendeu ao longo da trajetória. Dá aulas e também compartilha conteúdos, principalmente por meio de vídeos na internet, o que facilita o acesso de outras pessoas interessadas.
Assim, além de tocar, ele também ensina e ajuda a formar novos praticantes, mantendo esse conhecimento em circulação.
Escolaridade ou formação profissional
Pós-graduação
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Ele recebeu incentivo por meio de um projeto contemplado por edital cultural, no caso o Prêmio Funarte Centenário de Luiz Gonzaga, que viabilizou a produção de um documentário sobre a sanfona de oito baixos. Esse apoio foi importante para o registro e a divulgação desse conhecimento.




